CARL JUNG

Antes de alguém fazer alguma coisa, Jung fez tudo!
(Paródia de uma frase de John Lennon sobre Elvis)

O olhar de Jung para o estranho recolheu e iluminou fenômenos inusuais um atrás do outro: misticismo tibetano muito antes dos vagabundos do dharma; Zen muito antes de Alan Watts; a sabedoria trickster dos índios americanos antes de Castañeda e Rothenberg; alquimia, parapsicologia e astrologia antes destas serem absorvidas pelos viajantes da Nova Era; a psique da física teórica muito antes de Capra; I Ching antes dos biscoitinhos da sorte; a ressurreição do feminino antes das feministas; a natureza da consciência africana antes de van der Post; o colapso do Cristianismo coletivo antes das filosofias do Deus-está-morto e da teologia do pós holocausto. Ele inspirou os Alcoólatras Anônimos; foi um dos primeiros a dar testemunho do poder do mito como uma realidade viva em funcionamento em ilusões coletivas, tais como o Nacional Socialismo e os discos voadores. E, muito antes que Thimothy Leary e Ram Dass tomassem suas formas humanas ele já havia escrito sobre o fator tóxico nas condições psíquicas bizarras, ou estados alterados, da psicose. Não é de espantar que Jung tenha virado um Santo da Nova Era aparecendo, já no começo dos anos sessenta, entre os ícones na capa de um disco dos Beatles.

A herança Daimonica de Jung

Não concordo com tudo no texto (principalmente a parte dos discos voadores), mas dá uma idéia do que foi Jung dentro do contexto da sua época. O cara era um místico disfarçado de cientista cético. O que, aliás, é louvável, pois trouxe a metafísica mais pra perto dos que só acham que é real aquilo que se pode tocar, ver, cheirar… Sabe-se que ele meditava bastante, e alcançava estados alterados da mente (só não sei por quais vias… mas, enfim) e relata inclusive um Samadhi, onde experimenta-se uma fusão com o TODO, ou pelo menos parte do TODO:

Recuamos diante da palavra eterno; no entanto, não posso descrever o que vivi, senão como a beatitude de um estado intemporal, no qual passado, presente e futuro se fundem num só. Tudo o que se produz no tempo estava concentrado, aí, numa totalidade objetiva. Nada mais estava separado no tempo e nem podia ser medido por conceitos temporais. Poderíamos, de preferência, evocar esta vivência como um estado, um estado afetivo que, no entanto, não se pode imaginar. Como posso me representar se, simultaneamente, vivo antes de ontem, hoje e depois de amanhã?
Haveria o que ainda não começou, o que seria o presente mais claro e que já teria terminado e, no entanto, tudo isso seria um só. O sentido não poderia apreender senão uma soma, uma brilhante totalidade, na qual está contida a espera do que vai começar, assim como a surpresa do que acaba de se produzir e a satisfação ou decepção quanto ao resultado do que se passou. Um todo indescritível, no qual se está fundido e que, no entanto, se percebe como uma total objetividade.
Diante de uma tal totalidade, fica-se mudo porque é algo apenas concebível. A objetividade, vivida neste sonho e nestas visões, diz respeito a individuação completa.

Jung, citado por Pierre Weil, em A Consciência Cósmica

Artigos sobre Jung no blog:
CARL JUNG RELOADED;
JUNG: SOBRE A VIDA DEPOIS DA MORTE;
A ESPIRITUALIDADE EM JUNG;
O TAO DO JUNG;
A GNOSE DE JUNG;
JUNG: SUPERIORIDADE MORAL;
JUNG: INTROVERSÃO E EXTROVERSÃO;
JUNG: PEGANDO BUDA PRA CRISTO;
JUNG: SINCRONICIDADE;
NÍVEIS DE SINCRONICIDADE

Vídeos:
DOCUMENTÁRIO SOBRE JUNG E A PSICANÁLISE (parte 1) / (parte 2);
FACE A FACE COM JUNG (Entrevista em vídeo imperdível);
JORNADA DA ALMA (Soul Keeper) Filme que retrata a historia de Jung e sua paciente/amante Sabrina Spielrein;
ENTREVISTA COM CARL JUNG (Agosto de 1957);

Não somos de ontem, nem de hoje. Somos de uma era imensa.

Carl Jung
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