OVNIS NA OCEANIA

Ufologia hoje é muito mais levado a sério que há 10 anos. Tudo por conta da Internet, que facilitou a divulgação de relatos confiáveis do passado, vídeos que a NASA não pôde mais esconder, depoimentos de astronautas e militares e a abertura de arquivos de alguns países. Por outro lado, ninguém mais leva a sério um vídeo de OVNI, pois qualquer adolescente em casa pode fazer uma coisa tão boa ou melhor que os vídeos supostamente autênticos que tínhamos no passado. De uma certa forma isso é bom porque deixamos de lado o aspecto midiático da coisa e nos concentramos no que realmente interessa: estamos (ou estivemos) sendo visitados por seres inteligentes. De onde vêem? Qual o impacto disso para nossa civilização? Até mesmo a NASA, juntamente com o Congresso Americano, fez seminários com cientistas sobre o tema “Preparando-se para a Descoberta: Um Enfoque Racional para o Impacto de Encontrar Vida Microbiana, Complexa ou Inteligente Além da Terra”. Deixamos pra trás a infância da Ufologia e entramos na adolescência.

Uma certa ironia é que agora que temos mais câmeras por toda parte, tecnologia de zoom e estabilização de imagens, drones e radares mais precisos, menos aparições de OVNIs temos. Por que? Não faço idéia, mas é tentador para uma pessoa menos informada pensar que tudo que foi coletado de dados sobre OVNIS nos últimos 60 anos não passam de alucinações ou desinformação. Mas a Ufologia é rica de dados de avistamento com confirmação de radar, ou por militares ou pilotos comerciais. Talvez “eles” tenham ido embora. Talvez estejam mais cuidadosos, após os sistemas de defesa implantados no espaço pelos EUA, supostamente em nome da Guerra Fria. O fato é que no passado tivemos períodos de pico de avistamentos e até mesmo contatos.

1978 foi um desses anos. Os fenômenos estavam à toda. No Brasil tivemos o prosseguimento dos avistamentos em Colares (Operação Prato), e em Pernambuco duas famílias viram um OVNI pousar na praia de Itapuama e dele descerem tripulantes.

Já na Nova Zelândia, foram feitas as imagens mais nítidas até então de um OVNI, por uma equipe de uma rede australiana de televisão, na noite de 30 de dezembro de 1978, perto de Kaikoura.

Caso Kaikoura

Muitas pessoas tinham visto objetos voadores não identificados durante as semanas anteriores, principalmente na região de Cook Straight, que divide a ilha meridional da ilha setentrional da Nova Zelândia. Pensando em furo de reportagem, o repórter Quentin Fogarty e o cinegrafista David Crockett voaram até a cidade de Wellington, para dali fretar um avião até o sul da Nova Zelândia. Crockett fazia filmagens de dentro do avião, que serviria para a introdução da matéria, quando o avião ficou iluminado. Entraram em contato com a torre de comando, que confirmou a presença de OVNIs no radar:
– Vocês têm vários objetos voadores não identificados em seu encalço.

O piloto e o co-piloto foram os primeiros a avistar uma formação de cinco objetos voadores não identificados. Os OVNIs estavam sobrevoando a cidade de Kaikoura e quando a equipe de tevê se dirigiu à cabine de comando o piloto foi comunicado pela torre de controle que um daqueles objetos o estava seguindo. O comandante deu uma volta de 180º com o avião e todos puderam então observar uma luminosidade enorme e brilhante que se aproximava da aeronave. Com uma filmadora manual, o cinegrafista conseguiu obter boas imagens do objeto, que depois desapareceu. O avião aterrissou em seguida em Christchurch para apanhar o jornalista Dennis Grant, que se juntou ao grupo. Em seguida o avião decolou outra vez, já na madrugada de 31 de dezembro, e logo no início desse segundo vôo todos puderam observar dois objetos estranhos – um deles desceu abruptamente cerca de 300 m, deixando atrás de si uma espécie de neblina luminosa. Todas as manobras foram detidamente acompanhadas pelos radares de terra.

A filmagem das luzes de Kaikoura é, talvez, a prova da existência de OVNIs mais analisada de toda a história. Mesmo assim os resultados ainda são inconclusivos.

O Caso Frederick Valentich

Ainda em 1978, um caso trágico também aconteceria na costa sul da Austrália. No dia 21 de outubro, o piloto civil Frederick Paul Valentich decidiu realizar um vôo para tratar de assuntos particulares com seu Cessna 182-L. Ele partiu do Aeroporto de Moorabbin, no Estado de Victoria, com destino a Ilha King. Seu avião decolou às 18h19 e o vôo todo não levaria mais que 90 minutos. Mas quando Valentich passava sobre o Cabo Otway, por volta das 19h00, o piloto comunicou para a torre que estava observando estranhas luzes alguns quilômetros à sua frente. O controlador de vôo disse desconhecer do que se tratavam, mas ambos continuaram em contato por exatamente 53 minutos – até Valentich fazer silêncio e depois desaparecer sem deixar nenhum vestígio. Após muita insistência por parte da família do piloto e da imprensa mundial, a fita da conversa entre o piloto e o controlador foi liberada pelo Departamento de Transportes da Austrália, mas com alguns cortes. Na conversa, o piloto dá maiores detalhes do estranho objeto que observou, antes de desaparecer misteriosamente.

O que segue abaixo é parte da comunicação entre Valentich e o Controle de tráfego aéreo, a partir das três páginas do relatório do Departamento de Transportes Australiano:

DSJ [Valentich]: Melbourne, aqui é Delta Sierra Juliet (DSJ). Existe algum tráfego conhecido abaixo de cinco mil?

FS [Flight Services; Robey]: Delta Sierra Juliet, não há tráfego conhecido.

DSJ: Eu [estou vendo] o que parece ser uma grande aeronave abaixo de cinco mil.

FS: Que tipo de aeronave é?

DSJ: Eu não posso afirmar, tem quatro [luzes] brilhantes e parece com luzes de pouso. A aeronave acaba de passar por cima de mim, pelo menos mil pés acima.

FS: Entendido, e é um grande avião, confirmado?

DSJ: Desconhecido, devido à velocidade que está viajando. Não há qualquer aeronave da força área na proximidade?

FS: Nenhuma aeronave conhecida nas proximidades.

DSJ: Melbourne, está se aproximando agora a leste, em direção a mim.

(…)

DSJ: Parece-me que ele está fazendo algum tipo de jogo, ele está voando acima de mim duas, três vezes a velocidades que eu não consigo identificar.

FS: Você pode descrever a aeronave desconhecida?

DSJ: Ela está sobrevoando acima de mim, é de uma forma alongada (microfone aberto por dois segundos) não é possível identificar mais com essa velocidade (microfone aberto por três segundos). Está diante de mim agora.

FS: Entendido, e quão grande o objeto desconhecido é?

DSJ: Melbourne, parece que ele está me perseguindo. O que eu estou fazendo agora é orbitar e a coisa está orbitando sobre mim também. Tem uma luz verde, como metal, tudo é brilhante no seu exterior.

(…)

DSJ: (microfone aberto por três segundos) simplesmente desapareceu. Melbourne, você sabe que tipo de aeronave é? É um avião militar?

FS: Confirme, a aeronave desconhecida simplesmente desapareceu.

DSJ: Diga novamente.

FS: A aeronave ainda está com você?

DSJ: Está (microfone aberto por dois segundos) a aproximar-se do sudoeste.

(…)

DSJ: O motor está empacando. Eu tenho definido em vinte e três vinte quatro e a coisa está a (tossindo)

FS: Entendido, quais são suas intenções?

DSJ: Minhas intenções são – ah – ir para King Island – ah – Melbourne. Aquela aeronave estranha está flutuando por cima de mim novamente (microfone aberto por dois segundos). Está flutuando e (microfone aberto por dois segundos) não é uma aeronave.

(…)

DSJ: Melbourne (microfone aberto por dezessete segundos).

Na manhã seguinte, a Força Aérea Real Australiana (RAAF) começou as buscas ao avião, que duraram cinco dias. Uma enorme equipe cobriu cerca de 8.000 km² de mar e terra procurando por qualquer tipo de vestígio, mas nenhum foi encontrado. O pai de Valentich, Guido, em recente depoimento a uma TV da Nova Zelândia, acredita que seu filho ainda esteja vivo e que foi levado por uma nave extraterrestre para outro planeta. “Acredito que um dia ele voltará, mas não sei se ainda estarei vivo para ver isso”, disse.

Documentário do History Channel (em três partes)

Podemos fazer algumas suposições a respeito do caso analisando a transcrição: apesar do pedido da Torre de Controle, o piloto não consegue descrever a aeronave, a não ser o formato alongado, por conta da velocidade dela. Depois, quando a nave está flutuando bem em cima dele, ele consegue dizer que NÃO é uma aeronave. Ou seja, ele quis enfatizar que não era nada conhecido que possa ser chamado de aeronave. É muito possível que o objeto não tivesse asas, ou que sua forma não fosse aerodinâmica. Há relatos e filmagens de OVNIs em formato de charuto, que fazem manobras em altíssima velocidade, mas nunca vi relatos de charutos com luzes brilhantes.

Outra questão: o piloto foi abduzido? Morto? Meu palpite, pela transcrição, é que ele desmaiou ou morreu por conta do magnetismo do OVNI. O primeiro indício é o motor falhar após o OVNI ficar acima do avião, o que é um efeito clássico dos relatos de quem já se aproximou de uma nave. O segundo é ele tossir. O microfone aberto por dezessete segundos indica que ele desmaiou ou caiu por cima do botão, ou que ele tentava falar mas não conseguia. Isso pode indicar um envenenamento por radiação, ou um efeito de forte magnetismo no corpo humano (que é 70% composto por água).

Seu destino nunca saberemos, mas fica o caso como um dos mais interessantes (e pouco conhecidos) da Ufologia mundial.

Referência:
Wikipedia: O desaparecimento de Valentich;
Revista UFO: Valentich, um caso que caiu no esquecimento;
O misterioso desaparecimento de Frederick Valentich

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