A UFOLOGIA AJUDANDO A ENTENDER A REALIDADE

Hoje, 74 anos atrás, o piloto Kenneth Arnold avistou 9 discos prateados no céu, e assim inaugurou-se a Ufologia moderna. Amanhã talvez tenhamos, pela primeira vez, o reconhecimento oficial da Ufologia como uma ciência. Estamos há um dia da apresentação do relatório do Pentágono sobre OVNIs ao Congresso dos EUA. É sem dúvida um marco histórico da Ufologia, mas ao mesmo tempo os ufólogos (já calejados) não estão alimentando muita esperança de anúncio de extraterrestres ou algo assim. Pelo menos não diretamente. Mas todos reconhecem que, se admitirem PELO MENOS o que já está a vista de todo mundo (existem objetos que desafiam a nossa tecnologia nos vigiando, e até onde eles sabem não são russos ou chineses) já seria um grande avanço, pois seria a pedra fundamental pra que se iniciem estudos e audiências DENTRO DO CONGRESSO para tratar desse assunto, e AÍ SIM teríamos a tão esperada revelação, a conta-gotas, pra não causar pânico e evitar manchetes sensacionalistas.

Mas já tivemos vários avanços. Além do reconhecimento dos vídeos vazados de OVNIs, hoje sabemos de forma aberta que existe no Pentágono uma Força-Tarefa que cuida dos casos de UFOs (que eles não chamam mais de UFOs, e sim UAP – Unidentified Aerial Phenomena, ou Fenômeno Aéreo não-identificado), chamada UAP Task Force, e que tem como chefe Brennan McKernan.

Ontem uma coisa aconteceu que me deixou pensativo o dia inteiro e até agora. Primeiro, gostaria de falar que estou lendo o livro The Day After Roswell, de William J. Birnes e Phillip J. Corso. Corso foi Tenente-Coronel, sempre trabalhando com serviços de inteligência desde a 2ª guerra mundial. Salvou 10.000 judeus em 1945, serviu na Guerra da Coréia, trabalhou no Conselho Nacional de Segurança do Presidente Eisenhower de 1953 a 1957 e em 1961 ele se tornou Chefe do Departamento de Tecnologia Estrangeira, dentro do setor de Pesquisa e Desenvolvimento do Pentágono. Tudo documentado, sem controvérsias.

Acontece que Corso escreveu esse livro em 1997 e tal livro conta em detalhes o Caso Roswell e mesmo pra mim, que sei que “alguma coisa” existe, o livro parece obra de ficção científica pela quantidade de detalhes e pela “sorte” dos EUA de ter em posse um “disco voador” (na verdade parece mais um planador em forma de Delta) praticamente intacto e 4 ocupantes, dois deles VIVOS. E Corso, que trabalhava na Pesquisa e Desenvolvimento dentro do Pentágono, ficou encarregado de chefiar a engenharia reversa da nave e trazer essas tecnologias para a indústria norte-americana. Ele diz que essas pesquisas resultaram na criação do Chips de circuito integrado, Fibra ótica, Lasers, feixes de partículas e o Kevlar.

Enfim, ainda estou lendo com um pezinho atrás, mas duas coisas me chamaram a atenção: Phillip J. Corso lançou esse livro em 1997. Um ano após ele morre de ataque cardíaco. Hummm. E o filho dele, Corso Jr, dá palestras sobre o pai e gosta de usar a frase:

Não troque a sua religião pela ufologia!

Phillip Corso Jr.

É aí que as coisas começaram a se interpolar na minha cabeça: como alguém com um currículo como o de Phillip Corso teria coragem de, no final da vida, entrar pra posteridade com um relato tão ousado que deixaria até os ufólogos meio céticos? E pra que? E qual o link com a religião?

Lue Elizondo
Lue Elizondo

Ontem, Lue Elizondo deu uma entrevista a um podcaster. Elizondo é um ex-Agente Especial de Contra-espionagem do Exército dos EUA e ex-funcionário do Gabinete do Subsecretário de Defesa para Inteligência. Ele ocupava um cargo que era o equivalente ao de chefe do UAP Task Force, quando (obviamente) não tinha esse nome. Ele renunciou em 2017, e nos últimos meses se tornou uma espécie de estrela da mídia como um porta-voz informal do movimento que pressiona pela divulgação oficial de coisas sobre OVNIs, mesmo não podendo falar muita coisa sobre extraterrestres para não violar seu Acordo de Não-Divulgação com o governo. Em entrevistas anteriores, Elizondo chegou perto de revelar toda a extensão do que aprendeu sobre OVNIs e, em 2019, durante uma entrevista com o apresentador Tucker Carlson, ele pareceu sugerir que destroços de um OVNI estavam em posse do governo – antes de citar seu Acordo de Não-Divulgação e parar de falar a respeito.

Mas ontem Elizondo pareceu achar uma brecha no seu acordo pra falar de forma indireta sobre o que viu. Um ouvinte fez a seguinte pergunta:

“Se o público em geral soubesse ou visse o que você viu, como seria a próxima semana? Como o público reagiria?”

Elizondo baixou a cabeça por um momento e respondeu com uma voz calma e tranquila:

Melancólico – ele disse, e então pausou novamente. – Eu acho que haveria esse grande suspiro, por cerca de um dia. E então elas se voltariam para dentro e tentariam refletir sobre o que isso significa para nós, nossa espécie e nós mesmos. Eu acho que…”

– Melancólico? Desculpe, – O podcaster interrompeu – Como um suspiro de alívio?

– Melancólico, significando sério. Não como Hollywood retrata pessoas festejando nas ruas e bobagens assim. Acho que você teria algumas pessoas se voltando mais para a religião. Você teria algumas pessoas se afastando disso. Nesse ponto, as questões filosóficas e teológicas serão levantadas e as pessoas terão de fazer um exame sério de consciência, sem trocadilhos. E eu não acho que isso seja ruim, por falar nisso. Eu acho que muitas pessoas que passaram seu tempo nesta comunidade sendo charlatões serão expostas e provavelmente estarão desempregadas e provavelmente terão que mudar seus nomes porque o resto da sociedade vai olhar para elas de uma forma desfavorável.

Acho que haverão alguns heróis anônimos que provavelmente virão à tona, e o mundo apreciará suas contribuições para este tópico. Eu acho que a comunidade científica e acadêmica terá que olhar de forma muito severa para si mesma, e ver por que ela repetiu os mesmos erros de quando Galileu propôs pela primeira vez que a Terra não era o centro do sistema solar. Você sabe, a arrogância é uma grande parte disso.

E então eu acho que talvez comecemos a conversa internacional. Perceber que há algumas coisas por aí que provavelmente estão muito além das nossas pequenas discrepâncias que temos uns com os outros, talvez realmente precisemos começar a trabalhar juntos nisso, perceber que realmente somos uma família global. Não importa de onde você é, não importa qual seja sua religião ou cultura ou sua cor ou qualquer outra coisa. Somos todos irmãos e irmãs nesta pequena rocha chamada Terra, você sabe, esse pequeno ponto azul que está voando pelo espaço.

– Isso pode nos unir? – o anfitrião perguntou.

– Bem, eu certamente espero que sim. A menos que permitamos que nossa natureza pobre interfira e consideremos isso uma oportunidade de subjugar uns aos outros. Espero que não seja o caso.

Luiz Elizondo (1:11:10)

Isso certamente ficou ressoando em mim e muito disso são minhas próprias questões internas que me fizeram até mesmo estar aqui, escrevendo pra vocês nesse blog! A realidade como ALGO MAIS do que está posto pra nós, não porque alguém disse, mas pelo que a pessoa vem SENTINDO e VENDO que alguma coisa não está “correta”. A entrevista com Elizondo pode ser vista na íntegra aqui e trata de vários assuntos, e eu só tinha visto essa última parte (da transcrição acima), mas aí comecei a ver o resto e ele é perguntado sobre o Rancho Skinwalker, um lugar macabro onde coisas paranormais acontecem e que estava sendo investigado pela Bigelow Aerospace, que faz coisas pra NASA, algo que já mencionei aqui. Aí ele dá uma explicação que arremata tudo isso, que meio que valida tudo isso que nós, os “malucos”, os “excêntricos” estamos pesquisando, que tudo isso está conectado na medida em que somos, voluntária ou involuntariamente, ALIENADOS de saber sobre a REALIDADE que nos cerca, não sei se por limitação ou por uma “redoma de proteção” que foi criada em torno de nós para que possamos ir levando nossas vidas indo trabalhar, reproduzir e nos distrair completamente alheios a um conceito que talvez não tenhamos sequer MATURIDADE para incorporar em nossas vidas:

Eu não quero cair em nenhuma toca de coelho prematuramente; este é um universo muito complexo em que vivemos e é um sistema e estamos aprendendo mais e mais sobre a realidade da vida e o que a transição do nascimento significa e o que a transição da morte significa e, você sabe, a consciência humana e o espírito humano; basta dizer que hoje realmente não temos um bom controle sobre como entender o que se passa para além dos nossos cinco sentidos.

Temos cinco sentidos fundamentais pelos quais julgamos nosso ambiente, e se você não pode tocar, saborear, ouvir e sentir algo esse algo não existe, só que a realidade é que 99,9% do universo está muito além de nossa capacidade de sentir essas coisas. Temos sinais de Wi-fi percorrendo nosso corpo a cada momento do dia, temos radiação cósmica vindo do Cosmos, temos neutrinos que estão inundando seu corpo vindo do Sol, temos sinal de celular e assinaturas de radar no aeroporto e tudo isso é real e eu digo às pessoas: se você quiser saber a realidade do universo, olhe para um céu noturno e veja como ele é bonito; agora pegue um radiotelescópio e olhe para o mesmo céu noturno; olhe para ele através do infravermelho, olhe para ele através do ultravioleta e você verá coisas que nunca viu antes.
(…)
Então, por definição, 99% de nosso universo nós não podemos nem perceber, e então quem é alguém pra dizer que toda a realidade precisa se encaixar perfeitamente dentro do espectro muito estreito da frequência eletro-óptica que chamamos de luz visível quando sabemos que não é verdade? A mesma coisa com a acústica, mesma coisa com o eletromagnetismo, etc.

Eu acho temerário para a ciência presumir que tudo pode ser explicado através dos cinco sentidos fundamentais na escala em que vivemos porque sabemos que isso não é verdade, olhe para a energia escura e a matéria escura, a maior parte do universo não pode nem mesmo ser vista.

Então eu acho que precisamos nos lembrar que, se você é realmente um cientista, deve permanecer aberto ao fato de que estamos julgando nosso ambiente através de lentes muito estreitas. É como estar sentado na parte mais alta de uma arquibancada assistindo a um jogo de futebol através de um canudinho de refrigerante: você vai perder a maior parte dele.

Luiz Elizondo (1:01:42)

Então sim, acredito que todos esses assuntos estejam conectados, assim como estamos, em algum nível, todos conectados e vivendo nessa ilusão, tal qual os personagens de Show de Truman e Matrix.

Ainda em 2004 eu mencionei aqui no blog que minha “guia espiritual” era Oráculo, que sempre achei ser um espírito humano que incorporava em uma médium, mas agora, juntando as peças, não sei mais (e nem tenho mais contato com ela há décadas). Ela disse que habitava a Colônia Lilás, uma dimensão entre várias que fica interpolada com a Terra (os diversos planos de manifestação estão sobrepostos, um em cima do outro, como as cascas de uma cebola). Mas nos comentários eu mencionei que uma das entidades que vieram à reunião da qual eu participava disse que tinha vindo numa espécie de “ônibus” e viu a Terra azulzinha enquanto vinha…

…então no momento estou me sentindo meio sem chão.

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