EVOLUÇÃO BIOLÓGICA E ESPIRITUAL

A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

A Formação da Terra

O nosso planeta faz parte da Via Láctea. Há 250 bilhões de estrelas na Via Láctea e, ao alcance dos telescópios mais potentes, cerca de 10 bilhões de galáxias.

Calculam os astrônomos que a Via Láctea teria talvez 10 bilhões de anos quando a estrela que é o nosso Sol começou a existir. De acordo com a hipótese em voga, o Sol formou-se, como outras estrelas, da condensação de partículas de pó e de gases de hidrogênio e de hélio, que giravam no espaço em meio às estrelas mais antigas.

A imensa nuvem que deu origem ao Sol condensou-se gradualmente á medida que os átomos de hélio e hidrogênio eram puxados, uns contra os outros, pela força de gravidade e caíam na direção do centro da nuvem, ganhando velocidade na queda. Quanto mais denso se tornava o acúmulo, mais rapidamente se moviam os átomos. Mais e mais átomos colidiam e o gás da nuvem ficava mais e mais quente. A violência das colisões foi aumentando à medida que a temperatura subia, até que os átomos de hidrogênio passaram a colidir com tanta força que seus núcleos se fundiam, formando hélio e desprendendo energia nuclear. A energia dessa reação termonuclear, que ainda prossegue no interior do Sol, é radiada da superfície brilhante. É dessa energia, capturada nas células das plantas verdes, que depende toda a vida na Terra.

Os planetas, segundo a teoria corrente, formaram-se do remanescente do gás e do pó, que se moviam em torno da estrela recém-formada. Inicialmente, as partículas eram coletadas “ao acaso”, mas conforme cada massa ia aumentando, outras partículas começaram a ser atraídas pela gravidade das massas maiores. O pó em movimento e as esferas em formação continuaram a revolver em torno do Sol até que cada planeta limpasse seu próprio percurso, tomando matéria solta, como gigantesca bola de neve. A órbita mais próxima do Sol foi varrida por Mercúrio, a seguinte por Vênus, a terceira pela Terra e assim por diante até Plutão.

Calcula-se que o sistema solar, inclusive a Terra passou a existir há cerca de 4,5 bilhões de anos.

Durante o tempo em que a Terra estava sendo formada, o desprendimento de energia dos materiais radioativos manteve as partes internas muito quentes, quando, por causa da sua temperatura, a Terra ainda estava na maior parte em estado líquido, e seus materiais mais densos coletaram-se no núcleo. Esgotado o suprimento de pó estelar, de pedras e de rochas maiores, o planeta parou de crescer e começou a esfriar. À medida que a Terra esfriava, formou-se uma crosta externa, película proporcionalmente tão fina quanto a casca de uma maçã.

Uma parcela da Terra ainda mantêm-se em estado líquido. Temos evidência disso nas erupções vulcânicas. Sabe-se bem pouco sobre o que está abaixo da superfície.

Origem da Vida na Terra

Acredita-se que a vida na Terra tenha surgido há cerca de 2 bilhões de anos, e, segundo a teoria que hoje prevalece (Teoria de Oparin e Müller), o primeiro ser vivo surgiu da combinação de elementos químicos presentes na Terra primitiva.

A matéria prima mais importante para a vida estava na atmosfera do jovem planeta. O componente principal do Sol e do seu sistema é o hidrogênio. O oxigênio ocorre, principalmente, na composição da água (H2O). Em presença de muito hidrogênio, o oxigênio, o nitrogênio e o carbono existentes tenderiam a combinar-se com ele para formar água, amônia (NH3) e metano (CH4). Foram estes os componentes da matéria prima dos seres vivos.

A fim de romper as moléculas dos gases simples da atmosfera e reorganizar as partes em moléculas orgânicas, havia necessidade de energia, abundante na Terra jovem. Existia calor, e vapor d’água emanava dos pares primitivos. Tempestades violentas eram acompanhadas de relâmpagos que forneciam energia elétrica. O Sol bombardeava a Terra com partículas de alta energia e luz ultravioleta.

Essas condições foram simuladas em laboratório, e os cientistas demonstraram que se produzem moléculas orgânicas. Entre elas, estão alguns aminoácidos, os importantes blocos de construção das proteínas, componentes fundamentais da matéria viva.

Em seguida, na seqüência que conduziu à vida, esses compostos foram levados da atmosfera pelas chuvas e começaram a se concentrar em certas áreas do oceano. Algumas moléculas orgânicas tendem a se agarrar no oceano primitivo, esses agregados provavelmente tomaram a forma de gotas, envolvidos por fina película protetora. Denominam-se esses seres de coacervados. Tais gotas podem ter sido os precursores das primeiras células vivas. Os primeiros seres vivos, segundo se acredita, eram heterótrofos (buscavam o alimento fora deles), habitante das águas, unicelular e com um único sentido: o tato.

Emmanuel, no livro A Caminho da Luz, lembra-nos que todo esse processo admirável não foi obra do acaso, resultado de forças cegas, inconsequentes, e sim a consequência de um trabalho bem elaborado dos Espíritos superiores, responsáveis pelo destino de nosso planeta.

Informa-nos o benfeitor espiritual que, quando da formação da Terra, Jesus foi destacado para acompanhar a sua gênese, recebendo da Divindade a incumbência de zelar pelo nosso orbe. Portanto, Jesus e sua falange de engenheiros, químicos e biólogos siderais estiveram presentes todo o tempo, acompanhando fase a fase o despertar da vida no planeta.

Não podemos também desconsiderar a presença do princípio inteligente que, como o “campo organizador da forma”, deve ter participado ativamente desse processo de gênese orgânica.

Emmanuel diz:

“E quando serenaram os elementos do mundo nascente, quando a luz do Sol beijava, em silêncio, a beleza melancólica dos continentes e dos mares primitivos, Jesus reuniu nas Alturas os intérpretes divinos do seu pensamento. Viu-se então, descer sobre a Terra, das amplidões dos espaços ilimitados, uma nuvem de forças cósmicas que envolveu o imenso laboratório em repouso. Daí a algum tempo, podia-se observar a existência de um elemento viscoso que cobria toda a Terra. Estavam dados os primeiros passos no caminho da vida organizada.”

Emmanuel; A caminho da Luz

A EVOLUÇÃO ORGÂNICA

Não mais se discute hoje a realidade do processo evolutivo. A evolução das espécies é um fato inquestionável. Através de processo múltiplos e fenômenos diversos, os primeiros seres vivos, unicelulares e simples, foram os precursores de todas as formas complexas de vida.

Qual o mecanismo dessa evolução? Duas teorias, agindo conjuntamente, sem se excluírem, tentam explicar a evolução:

a) Darwinismo: lançado em 1859, por Charles Darwin no livro A Origem das Espécies. O Darwinismo se baseia na seleção natural, ou seja, os seres mais aptos sobrevivem, enquanto os menos aptos desaparecem. Explica-nos essa teoria, o desaparecimento de inúmeras espécies existentes nos tempos remotos ( os grandes répteis, por exemplo). Estima-se hoje, que apenas 1% das espécies de animais e vegetais contemporâneos existiam nos primórdios da civilização;

b) Mutacionismo: teoria que teve em Hugo de Vries seu idealizador, baseia-se no conceito de mutação (toda alteração no patrimônio genético dos seres, que se transmite às espécies descendentes). Segundo essa teoria o aparecimento de espécies novas seria o resultado de várias mutações ocorridas nas espécies anteriores.

Emmanuel lembra-nos que muitas transformações que se verificaram nos seres foram, anteriormente, promovidas em suas estruturas perispirituais, entre uma existência e outra. Os Espíritos construtores, sob a supervisão de Jesus, retocavam, em vezes sucessivas, as formas perispiríticas, e estas alterações criariam o campo magnético para as futuras mutações.

Conta-nos o benfeitor que os seres atuais não tinham no princípio da vida, suas formas biológicas totalmente definidas. Experiências múltiplas, no patrimônio genético dos nossos antepassados, coordenadas por geneticistas siderais, foram modelando aquelas formas que deveriam persistir até os tempos atuais.

A seleção natural se incumbiria de fazer desaparecer as formas primitivas inaptas.

Emmanuel volta a dizer:

“Extraordinárias experiências foram realizadas pelos mensageiros do invisível. As pesquisas recentes da ciência sobre o tipo de Neanderthal, reconhecendo nele uma espécie de homem bestializado e outras descobertas interessantes da Paleontologia, quanto ao homem fóssil, são um atestado dos experimentos biológicos a que procederam os prepostos de Jesus, até fixaram no primata os característicos aproximados do homem futuro.

Os séculos correram o seu velário de experiências penosas sobre a fronte dessa criatura de braços alongados e de pelos densos, até que um dia as hostes do invisível, operaram uma definitiva transição no corpo perispiritual pré-existente, dos homens primitivos, nas regiões siderais e em certos intervalos de suas reencarnações.

Surgem os primeiros selvagens de compleição melhorada, tendendo à elegância dos tempos do porvir.”

Emmanuel; A caminho da Luz

A EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

A Trajetória dos Espíritos

Quanto à origem dos Espíritos, quase nada se sabe.

“Desconhecemos a origem e o modo de criação dos Espíritos; apenas sabemos que eles são criados simples e ignorantes, isto é, sem ciência e sem conhecimento, porém perfectíveis e com igual aptidão para tudo adquirirem e tudo conhecerem.”

Allan Kardec; Obra Póstuma (1890)

Embora a sua gênese nos seja desconhecida, o longo caminho que eles têm percorrido, nos milênios incontáveis, começa a ser examinado pela Doutrina Espírita.

Kardec, que não teve oportunidade, à época, de examinar esta questão com mais profundidade, relata a possibilidade aventada por sábios de seu tempo:

“Na opinião de alguns filósofos espiritualistas, o princípio inteligente, distinto do princípio material, se individualiza e elabora, passando pelos diversos graus da animalidade. É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. Esse seria, por assim dizer, o período de incubação. Haveria assim filiação espiritual do animal para o homem, como há filiação corporal.”

Allan Kardec; A Gênese: Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo – cap XI

Hoje não resta mais dúvida de que os Espíritos, em sua longa trajetória, têm percorrido os diversos reinos da natureza.

O pensamento de Léon Denis, de que “a alma dorme na pedra, sonha na planta, move-se no animal e desperta no homem“, está plenamente incorporado ao corpo doutrinário do Espiritismo.

Lembra André Luiz que:

“Temos, hoje, o Espírito por viajante do Cosmo, respirando em diversas faixas de evolução, condicionados nas suas percepções, à escala do progresso que já alcançou.”

André Luiz; Mecanismos da Mediunidade

Informa o benfeitor que este progresso estampado no campo mental de cada alma, a se revelar pela frequência de suas irradiações, vai ser condicionado por duas variantes: “o tempo de evolução, ou seja, aquilo que a vida já lhe deu, e o tempo de esforço pessoal na construção do destino, ou seja, aquilo que ele próprio já deu à vida.”

André Luiz completa o seu pensamento em um outro livro:

“Não somos criações milagrosas, destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores, de experiência em experiência, de milênio a milênio.

Assim, no reino mineral, o princípio espiritual refletiria a sua presença nas manifestações das forças de atração e coesão com que as moléculas se ajuntam em característicos sistemas cristalográficos; no reino vegetal, mostraria maiores aquisições pelo fenômeno de sensibilidade celular; no reino animal, o princípio inteligente somaria novas aquisições refletidas nos instintos; no reino hominal, todo esse cabedal de experiências estaria ampliado pelos novos lastros da conscientização, a carregar consigo raciocínio, afetividade, responsabilidade e outras tantas condições que caracterizam esta fase.”

André Luiz; No mundo Maior

QUADRO XVII – Princípio Inteligente
mineral –– atração
vegetal –– sensação
animal –– instinto
hominal –– razão

No Reino Mineral

Acredita-se que antes de unir-se ao elemento material primitivo do planeta, (o “protoplasma”, na expressão de Emmanuel), dando início a vida no orbe, o princípio inteligente encontrava-se nos cristais, completando seu estágio de individualização.

Durante milênios, o elemento espiritual vai residir nos cristais, em longuíssimo processo de auto-fixação, ensaiando, aos poucos, os primeiros movimentos internos de organização e crescimento volumétrico, até que surge, no grande relógio da existência, o instante sublime em que será liberado para a glória orgânica da vida.

Até hoje constitui fato pouco explicado pela ciência acadêmica, de determinadas substâncias arranjarem-se sob a forma de cristais perfeitamente arrumados segundo linhas geométricas definidas, o que não deixa de ser uma organização, ainda que não um organismo.

“O cristal é quase um ser vivente”, disse Gabriel Delanne. Naturalmente que não iremos pensar numa inteligência própria da matéria. Todavia, o cientista Jean Emille Charon, declarou que “o comportamento das partículas interatômicas revela vida incipiente”.

No Reino Vegetal e Animal

Após adquirir a capacidade de aglutinar os diversos elementos da matéria em sua peregrinação pelos minerais, o princípio espiritual vai iniciar outra etapa de sua longa carreira evolutiva.

Identifica-se com os vírus, logo a seguir com as bactérias rudimentares, as algas unicelulares e, sucedendo-as, com as algas pluricelulares. O princípio inteligente passa então a vivenciar as experiências nos vegetais mais complexos, melhor estruturados, onde ele vai adquirir a capacidade de reagir direta ou indiretamente a qualquer mudança exterior (irritabilidade) e depois a faculdade de sentir, captar e registrar as alterações do meio que o cerca (sensação) – conquistas do princípio espiritual em seu percurso pelo reino vegetal.

Mais tarde, assinala-se o ingresso da “energia pensante”, no reino animal. O princípio inteligente vai desdobrar-se entre os espongiários, os celenterados, os equinodermos e crustáceos, anfíbios, répteis, os peixes e as aves, até chegar aos mamíferos. Neste imenso percurso, o elemento espiritual estará enriquecendo a sua estrutura energética, aprimorando o seu psiquismo rudimentar e assimilando os valores múltiplos da organização, da reprodução, da memória, da auto-preservação, enfim, dos diversos instintos, preparando-se para a sublime conquista da razão.

Afirma-se que a conquista maior do princípio inteligente em sua passagem pelos animais foi o instinto.

Denomina-se instinto às formas de comportamento dos organismos que não são adquiridas durante a vida, mas herdadas. São impulsos naturais involuntários pelo que os seres executam certos atos de forma mecânica, sem conhecer o fim ou o porquê desses atos.

No entanto, em muitos animais, especialmente nos animais superiores (macaco, cão, gato, cavalo, muar e o elefante), já identifica-se uma inteligência rudimentar. Além dos atos instintivos, observa-se, às vezes, atitudes que demandam certo grau de perspicácia e lucidez. Seria uma forma primitiva de inteligência relacionada apenas a coisas que importam à auto-preservação do animal.

André Luiz diz que nos animais superiores observa-se um pensamento descontínuo e fragmentário, a partir do qual vai desenvolver-se o pensamento contínuo do reino honimal.

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QUADRO XVIII – Conquistas do Princípio Inteligente

Atração: capacidade de aglutinar os elementos da matéria;
Sensação: faculdade de reagir aos estímulos do meio;
Instinto: atitudes espontâneas, involuntárias, reflexas, características da espécie;
Razão: consciência que o indivíduo tem de si mesmo e do meio que o cerca.

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No Reino Hominal

Afirma André Luiz, que para alcançar a idade da razão, com o título de homem, dotado de raciocínio e discernimento, o ser automatizado em seus impulsos, na romagem para o reino angélico, despendeu nada menos de um bilhão e meio de anos.

Com a conquista da razão, aparece o raciocínio, a lucidez, o livre-arbítrio, o pensamento contínuo. Até então, o progresso tinha uma orientação centrípeta, ou seja, de fora para dentro; o ser crescia pela força das coisas, já que não tinha consciência de sua realidade, nem tampouco liberdade de escolha. Ao entrar no reino hominal, o princípio inteligente – agora sim, Espírito – está apto a dirigir a sua vida, a conquistar os seus valores pelo esforço próprio, a iniciar uma evolução de orientação centrífuga, de dentro para fora.

Mas a conquista da inteligência, é apenas o primeiro passo que o Espírito vai dar em sua estadia no reino hominal.

Deverá agora, iniciar-se na valorosa luta para conquistar os valores superiores da alma, a responsabilidade, a sensibilidade, a sublimação das emoções, enfim, todos os condicionamentos que permitirão ao Espírito alçar-se à comunidade dos Seres Angélicos.

Elos Desconhecidos da Evolução

Compreendendo-se que o princípio divino aportou na Terra, emanando da esfera espiritual, trazendo em seu mecanismo o arquétipo a que se destina, qual a bolota de carvalho encerrando em si a árvore veneranda que será de futuro, não podemos circunscrever-lhe a experiência ao plano físico simplesmente considerado, porquanto, através do nascimento e morte da forma, sofre constantes modificações nos dois planos em que se manifesta, razão pela qual variados elos da evolução fogem à pesquisa dos naturalistas, por representarem estágios da consciência fora do campo carnal propriamente dito, nas regiões extra-físicas, em que essa mesma consciência incompleta, prossegue elaborando o seu veículo sutil.

Bibliografia

1) Evolução em Dois Mundos – André Luiz/Chico Xavier – Waldo Vieira
2) No Mundo Maior – Cap. IV – André Luiz/Chico Xavier
3) Mecanismos da Mediunidade – André Luiz/Chico Xavier
4) Morte Vida Renascimento – Hernani Guimarães Andrade
5) Impulsos Criativos da Evolução – Jorge Andréa
6) A Caminho da Luz – Emmanuel/Chico Xavier
7) Evolução Anímica – Gabriel Delanne
8) Biologia – Helena Curtis


Apostila Original: Criada pelo Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora – MG, e postado na (finada) lista “espiritismo-brasil”

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