RELATO DO I SIMPÓSIO DE HERMETISMO

O Chamado

Coruja de cristal

Como toda boa jornada, tudo começou com o chamado da Deusa. Um email de alguém cujo nick era Goddess me convidava pra São Paulo pra participar do I Simpósio brasileiro de Hermetismo e ciências ocultas. “Quando a esmola é muita o cego desconfia”, então fiquei com um pé atrás, mas não é que era mesmo meu dia de sorte? O congresso ocorreria em novembro, exatamente no mês em que estaria de férias do trabalho, e exatamente no mês em que Paul McCartney faria um show em SP. Mas, como tudo tem um preço, eu teria de me desdobrar pra fazer uma palestra sobre um assunto totalmente novo em apenas um mês e meio. Não que eu precisasse fazer algo realmente novo, mas se eu tivesse de me apresentar pra um grande público pela primeira vez (composto de muita gente que já leu quase todo o blog) teria de ser em grande estilo, com algo que valesse a pena pagar pra ver.

Os mentores

Uma vez aceito o chamado, empreendi a caminhada em direção a procurar um tema que tivesse a ver com Hermetismo. Foi então que surgiu a mentora (Paulinha), que não só disse que me acompanharia na aventura quanto me assessorou na busca pelo tema, que deveria envolver assuntos que eu dominasse e me sentisse à vontade. Filmes, pensei. Filmes, Jung e política têm sido os temas do blog ultimamente, mas só os dois primeiros foram bem recebidos (hehehe). Mas, como relacionar isso com Hermetismo? Foi aí que, na espera da consulta com minha analista, me deparei com o livro Estudos Alquímicos de Carl Jung. Ciências ocultas analisada pelo meu ídolo Jung! Uau. Folheando o livro, vi que ele era ideal pra minha palestra, cujo tema rapidamente se tornou Jung e o ocultismo na grande mídia. E mais: descobri que a alquimia foi uma descendência direta do Hermetismo!

Comecei a trabalhar furiosamente, dividindo meu tempo entre as demandas do trabalho “oficial” (que não eram poucas, já que ia entrar de férias) e o “espiritual”, os dois com prazos apertados. Por sorte teve um feriadão que me permitiu ficar em casa trancado como um louco, lendo, pensando e escrevendo. O assunto era extenso, complexo e se ramificava em três vertentes (psicologia, filmes e ocultismo). No fim, tinha uma massa de texto que só fazia sentido pra mim. Chegou então a hora de organizar aquilo de forma a se tornar compreensível, não ficar chato nem didático demais. Por sorte me formei em Design (comunicação visual incluso) e fazer os slides foi a parte mais prazerosa, ver um trabalho tão mental se concretizando em símbolos. Em dado momento dos estudos eu pensei em incluir coisas sobre os perigos do ocultismo, tornar a coisa um pouco sombria, mas a partir do contato com esses símbolos dos slides a palestra foi tomando um rumo totalmente imprevisto pra mim, mais leve, mais benéfico e com um sentido de completude e aceitação do ciclo da vida com a dissolução do ego. As “coincidências” das leituras nesse sentido e a coerência final da palestra me levaram a acreditar que estava sendo guiado para aquilo, pois as idéias simplesmente fluíam. No final das contas essa mensagem se provou ser a mais importante de toda a minha palestra.

Outros ajudantes apareceram para auxiliar a minha jornada: Dois psicólogos tiveram a paciência de suportar uma prévia da palestra ainda incompleta com todo o meu nervosismo e insegurança e deram dicas valiosíssimas sobre um erro grosseiro que ia cometer sobre um aspecto das teorias de Jung (tipos psicológicos). Com o aval dos psicólogos, fiquei mais confiante com meu trabalho, e ganhei emprestado mais 6 livros de Jung, um deles valiosíssimo pra palestra e que precisava ser lido faltando apenas 1 semana: Psicologia e Alquimia.

A jornada

Concluí os slides faltando 1 hora pra embarcar pra São Paulo. Mas terminei tudo o que queria, do jeito que eu queria. Incluí trechos dos filmes dentro dos slides. Enfim, estava indo com a consciência tranquila por estar oferecendo o melhor trabalho possível pro Simpósio. Embarcamos eu e Paula e a viagem transcorreu sem percalços… até chegar em Guarulhos. Como em toda boa jornada, enfrentamos o desafio na forma de uma tempestade que se abateu exatamente sobre o aeroporto. O piloto tentou pousar, mas as condições de vento mudaram a uns 100 metros de altura do chão e o avião foi obrigado a arremeter, uma experiência visual e sonora de terror que não desejo a ninguém. Passamos mais uma hora sobrevoando a cidade, no meio de raios e trovões e cruzando nuvens espessas de chuva. Durante esse tempo em que algumas pessoas oravam, choravam ou apenas dormiam (desmaiavam?) pude lembrar com ironia do tema da palestra, que poderia ser, afinal, uma preparação pra mim mesmo, e fiquei em paz com a idéia de morrer ali. Só esperava que encontrassem o pendrive com a palestra e a exibissem no dia do Simpósio como última homenagem (dramático, não?).

Pedi muito leigamente aos elementais e aos organizadores espirituais do Simpósio pra dar uma ajudinha, mas felizmente o próprio pessoal do Simpósio que estava no aeroporto já estava fazendo das suas pro tempo melhorar. Pude acompanhar o milagre da janela do avião: uma enorme nuvem negra saindo de cima da pista enquanto passávamos perpendicular a ela. O piloto não pensou duas vezes e deu um cavalo de pau e apontou na pista pra pousar. Fomos os primeiros de muitos a pousar. Mais 10 minutos naquelas condições e teríamos de ir pra Campinas, muito distante dali.

Como foi tudo meio surreal – com um pouso tranquilo após toda a tribulação – fiquei com aquela sensação de que a qualquer momento Deus apareceria e diria “pegadinha do Mallandro!“, algo do tipo Lost, e o fato de na chegada ser recepcionado por um cara alto, forte, de cabelos encaracolados e todo de branco cuja primeira frase foi “Eu sou Gabriel” não ajudou em nada.

A partir daí foi tudo perfeito na viagem, com passeios mil, andamos mais do que Frodo e o bonde do Anel, comemos as melhores pizzas de SP, vimos o show de Belle e Sebastian, as aquarelas de Akira Kurosawa, as pinturas de Monet e Renoir, cantamos com Paul, jogamos pedra no lago Ibirapuera, comemos bauru e tomamos café no Starbucks. E a contrapartida da viagem acabou se revelando um imenso prazer, com a organização do Simpósio composta de gente super legal, atenciosa, jovem e divertida. Todo o Simpósio seguiu esse estilo, mas com muita seriedade e profundidade envolvida. Meu muito obrigado a todos os envolvidos que proporcionaram as férias da minha vida, e o nascimento de uma nova faceta do Acid, mais “real” e menos virtual. 🙂

Simpósio, dia 1

“Quando o homem e a ciência reconhecerem o homem espiritual e sua obra, o homem e a ciência estarão juntos no caminho para Deus”

Papus

Por uma questão do Destino o Simpósio ocorreu dentro do Bairro da Liberdade, justamente a primeira coisa que eu pensava quando alguém falava “viagem a São Paulo”, e tivemos a honra de ficar hospedados no Nikkey Palace Hotel. Yeah. PALACE. Não sei quantas estrelas tem, mas eu daria 5 facinho, pois o quarto era gigante. A maioria dos hóspedes era de japoneses, o povo nas ruas todos orientais, e com isso me senti otimamente bem, quase em outro país (ALGUNS podem não acreditar, mas meu nick original – Acid Zero – vem do avião de caça japonês Zero, devido ao meu fascínio pela cultura – e determinação – japonesa).

Chegamos um dia antes, pra poder já acordar e ir pro Simpósio, que ocorreu no salão do hotel (com capacidade pra umas 300 pessoas, acho). Mas o destino, esse ingrato, resolveu pregar uma peça na gente: o despertador do celular, que vinha funcionando otimamente bem no seu irritante trabalho de nos acordar, resolveu falhar JUSTO no dia de abertura do Simpósio! Parece desculpa esfarrapada (acho que ninguém acreditou quando a gente disse) mas foi isso. Estávamos 1:20 atrasados!

Corremos para o Simpósio e ainda pude pegar meia hora da excelente palestra de Marcelo Del Debbio: A Kabbalah e os deuses de todas as Mitologias. Na parte que peguei o Del Debbio estava mostrando a Árvore da Vida com suas esferas e saía destrinchando cada energia (representada nas esferas) com os respectivos deuses de cada cultura, todos eles “sinalizadores” de um caminho de ascensão espiritual que se integrava perfeitamente não só com a minha palestra mas a de vários outros que vieram após ele.

Simpósio de Hermetismo

Após ele tivemos Cynthia Maria Carpigiani com Florais e Ervas Mágicas. A parte que mais me interessou – por minha mãe ser veterinária – foi sem dúvida o uso de florais em bichos! Primeiro que não tem aquela baboseira de dizer que o bicho ficou influenciado psicologicamente e que o floral é só um placebo, e segundo que os resultados foram excepcionais, documentados minunciosamente (foi tirado de uma tese acadêmica) e com vídeos! Um cachorro com cinomose, que mal conseguia andar (pois tinha o sistema nervoso totalmente atacado com espasmos) e já desenganado (o sacrifício era a alternativa mais “humana”) recuperou-se em 15 dias com uma certa combinação de floral (que eu até gostaria de saber qual é) e um novo vídeo mostrava ele andando razoavelmente normal e abanando o rabo de alegria. Mostrou também um gato-do-mato, criado em cativeiro (e “demente” por conta disso) recuperar seus reflexos felinos com floral, e fotos com hipopótamos e girafas tomando floral. Ah, e um estudo aqui em Pernambuco mostrou que ratos que tiveram ferimentos tratados apenas com floral cicatrizaram MUITO mais rápido do que um grupo de controle, que foi tratado apenas com água.

Depois do almoço tivemos uma mesa redonda com as Ordens Iniciáticas no Brasil. Foi extremamente didático conhecer o que cada Ordem faz (muitas delas ligadas à Maçonaria) e quais as origens e diferenças. De quebra aprendi uma piada legal sobre a Maçonaria e uma explicação sobre um negócio que me incomodava nessa Ordem: as medalhas e a ostentação. Segundo o Sr. Carlos Brasílio Conte, elas são na verdade “quinquilharias espirituais”, “pedras de tropeço”, verdadeiros testes para o iniciado quanto mais ele avança. Achei massa a idéia, e pude conversar com ele após a palestra e perceber que, embora em tese seja isso, em muitas lojas há desvirtuamentos e as quinquilharias acabam servindo apenas pra bajulação, ostentação e “poder”.

Jung e o ocultismo na mídia

Aí tivemos a grande revelação do Simpósio, o cara mais inteligente, charmoso e (por que não dizer?) bonito, EU, com a palestra Jung e o ocultismo na grande mídia. Como a minha palestra era a única a não usar Powerpoint (e sim o navegador web) e ter som, tivemos uns pequenos problemas de adaptação. O ponteiro que controla a mudança de slides não funcionava com o navegador, e o som teve de ser providenciado com um microfone junto ao laptop. Em alguns slides o enquadramento ficou cortado por conta do zoom do projetor, mas aí é culpa minha, que esqueci de botar a palestra no laptop pra eles testarem tudo antes. Mas nada disso atrapalhou a palestra, que transcorreu absolutamente bem. Por algum motivo não fiquei nervoso, tive apenas alguns segundos de branco lá pelo meio da palestra, mas estar com a versão escrita me auxiliou (como o assunto envolvia muita teoria, eu não podia falar tudo simplesmente de cabeça, arriscando passar uma informação errada ou incompleta). Todos gostaram, e o mais importante: Eu gostei da minha participação (ao contrário da MTV, onde me achei péssimo).

Tivemos depois o Frater Goya com a palestra Como cultivar a energia vital usando o trabalho de energia (QiGong). Muito didática, com diagramas e um assunto muito profundo e interessante que exigia um pouco mais de tempo pra uma melhor exposição. O que ficou gravado na minha mente foi a forma de se proteger de vampirismo, que é botando a ponta da língua no céu da boca (lá no fundo, com a língua enrolada), pra criar um circuito de energia que protege o fluxo de irrigação para os órgãos principais.

Para encerrar a noite tivemos o presidente da associação Sirius Gaia (que organizou o Simpósio) Fernando Maiorino, falando sobre Umbanda natural. Foi uma excelente palestra onde ele desmistificou a Umbanda, lembrou-nos que ela é o único sistema magístico brasileiro (de origens africanas, claro, mas desenvolvido aqui no Brasil) e contou-nos como o grupo procurou resgatar a essência da Umbanda ao lidar com as suas energias primordiais (água, pedreiras, fogo) que acabavam esquecidas sob o manto antropormorfista que acomete a todos os cultos, ordens ou religiões (adoramos símbolos, e ao adorá-los acabamos esquecendo o que está por trás dele). Na Umbanda natural o guia é um orientador no seu auto-conhecimento, e não solucionador de problema. A parte mais fascinante foi descobrir que a pipoca na Umbanda simboliza o mesmo que o Lótus na cultura hindu: o Ser material (semente) que precisa passar pelas vicissitudes da vida (fogo / lama) para fazer brotar sua pureza espiritual (a “flor de pipoca” / flor de lótus) imaculada.

Um dos momentos mais infladores de ego de toda a viagem ocorreu no primeiro dia, que foi o jantar de confraternização. Cada palestrante tinha sua mesa, onde as pessoas da platéia se inscreviam pra jantar com tal palestrante. Obviamente minha mesa foi disputada a tapa e cruciatos, e por fim tiveram de tirar no cara-ou-cora pra ver quem teria a honra de se aproximar de mim. Ok, brincadeira, na verdade tinha até lugar sobrando e uma participante da Mesa-redonda que não sabia onde sentar resolveu ficar por lá, mesmo 😛

Foi excelente o jantar, a conversa, as pessoas muito legais, me senti ótimo e querendo que aquela noite durasse mais e pudesse conversar melhor com cada um (o que, infelizmente, não foi possível). Mas conheci o one-man-show do Simpósio, o divertidíssimo Platão.

Simpósio, dia 2

Simpósio de Hermetismo

No segundo dia resolvi ir de azul, já que no primeiro dia eu tinha resolvido ir de preto pra me misturar na multidão e aconteceu da platéia resolver usar roupas das mais diversas cores. Dessa vez o despertador funcionou, mas a excitação da noite anterior cobrou seu preço em forma de cansaço e saímos tarde pro café-da-manhã, o que nos custou parte da palestra de Frater Goya sobre Magia Enochiana. Quando chegamos lá no salão nos chamaram correndo pra alguma coisa que iria acontecer e seria preciso fechar as portas e ninguém mais poderia entrar (ou sair). Entramos correndo. Pra nossa surpresa estavam duas pessoas vestidas com manto e capuz pretos, como os Dementadores de Harry Potter. “Oh, oh” – pensei – “I’m not in Kansas anymore“. Pra completar, boa parte da platéia resolveu ir de preto e eu ali de azul, como um peixe fora d’água. Como praticamente caímos de para-quedas ali, não pudemos acompanhar o que significava o ritual nem o sentido por trás daquilo, mas depois eles explicaram que foi invocada uma energia pra causar uma certa sensação nos participantes, mais ou menos como um teste. Não vou entrar em detalhes porque realmente fiquei sem saber nada sobre Magia Enochiana (nunca chegue atrasado numa palestra dessas).

Depois tivemos a palestra de Carlos Brasílio Conte (o mesmo da mesa redonda) sobre As 7 Grandes Leis Herméticas. Foi a oportunidade pra quem não conhece sobre Hermetismo se inteirar (acho até que seria proveitoso para os neófitos terem visto isso no primeiro dia). Ele falou dos 7 princípios herméticos, sobre as origens da civilização, os Atlantes, etc. Depois fez uma meditação no estilo da Fraternidade Branca.

Pausa pro almoço, e lá vou eu comer um Lamen bem do lado do hotel. Depois de um bom tempo esperando, eis que chega um pote fumegante de cheiro nauseabundo. Na segunda “palitada” sinto um “crunch” na boca, e de dentro dela tiro um arame de quase 2cm retorcido. A indignação pelo gosto ruim se somou à indignação por este atentado ao consumidor e saímos sob o pedido de desculpas da dona, que sabia até de onde vinha o arame (talvez não seja a primeira vez que isso ocorre). Esse “evento”, somado ao fato de ter de procurar outro lugar pra comer me fez perder a palestra do Prof. Edmundo Pellizzari A Sabedoria da Kabalah: os segredos dos antigos Rabbis para o mundo de hoje, que pra mim era a mais aguardada do dia. Todo mundo falou que foi excelente, então fica o registro.

Após isso tivemos o jovem Renan Romão apresentou o Iluminismo Científico: Método da Ciência, Objetivo da Religião, onde o mago Aleister Crowley propôs essa nova abordagem do ocultismo baseado em quatro princípios: Querer, Saber, Poder e Ousar.

Depois do revigorante Coffee Break tivemos a palestra de Patrícia Fox, com HIEROGAMOS – O Casamento Sagrado – Arquétipos e Mitos, onde basicamente foi abordado o contraste do sagrado feminino com o devasso feminino, com belos slides.

Por fim tivemos Ione Cirilo com Xamanismo: Prática ancestral de cura pela imaginação. Confesso que depois das brigas aqui no blog sobre a Ayahuasca eu estava preparado pra qualquer coisa, mas me surpreendi positivamente com a força, a energia e a segurança de Ione. Estava ali alguém que falava com autoridade e definitivamente não era da turma do oba-oba. Quando questionada sobre tomar plantas de poder, ela disse “se me chamarem pra tribo, pra tomar no ritual deles, eu vou. Aqui, não”. Ou seja, a importância do contexto do local, do rito e da preparação psicológica, que eu tanto bati aqui, ela reforçou. E falou dos males psicológicos que podem advir de tomar isso indiscriminadamente.

O fato é que o tambor xamânico JÁ FAZ você viajar (estado de transe) apenas com o som ritmado, de cara limpa. E no encerramento todos nós pudemos constatar isso com vários tambores que foram espalhados ao redor da sala agora escura, tocando em uníssono. A idéia era que descobríssemos nosso animal de poder. Cada pessoa deveria se imaginar entrando por uma floresta e encontrando uma gruta, onde na frente dela apareceria seu animal. Pra quem já o conheceu anteriormente, a missão era reencontrá-lo e dançar com ele em volta de uma fogueira, e depois questioná-lo sobre qual o aprendizado mais importante daqui do Simpósio que deveria ser trabalhado em você.

Eu não conhecia o meu animal, e achava que dificilmente eu relaxaria em 10 minutos o suficiente pra entrar numa jornada dessas, mas embarquei. Mantive minha mente sob rédea curta, não deixando que o consciente interferisse muito nos detalhes da floresta ou inventasse um animal (o tempo todo me vinha um lobo à mente, mas só porque “xamã” e “tambor” eu associo logo a lobos!). Vários minutos se passaram sem sucesso, apenas embriagado pelo rufar dos tambores, e aí eu meio que me desconectei do processo e fiquei só curtindo o momento. Foi aí que apareceu não a floresta, mas um índio Apache (ou algo do tipo). Fiquei vendo-o dançar e ao lado dele um cachorro (ou coiote). Sua dança hipnótica foi formando naturalmente uma floresta, que eu me prontifiquei a percorrer. Uma floresta luminosa, quase cegante, feita de mata densa. Ao final do caminho uma gruta, e na frente da gruta um lobo branco, quase igual ao Ookami. Seguindo as orientações prévias de Ione, perguntei a ele se era meu animal de poder. Ela tinha dito que ele confirmaria de forma que não deixaria dúvidas, mas o lobo simplesmente agiu como idiota e ficou com a língua de fora, olhando pro alto. Caso não fosse, Ione tinha dito pra seguir em frente, então o fiz. Dessa vez a floresta deixou de ser luminosa, e passou a se tornar escura e esquisita. Pude achar uma pequena gruta, escondida entre as folhagens, mas nada de animal. Eis que ele surge, sem nenhum alarde, e que diferença para o garboso lobo… Meio que a contragosto eu perguntei se era ele, e a confirmação foi parecida com a forma de um símbolo esotérico que quase me fez cair da cadeira, tamanha a energia. Me recompus e pude voltar mentalmente para a floresta, onde vi o meu animal com a fogueira acesa e pude dançar em volta com ele, e ainda deu pra fazer a pergunta e obter uma resposta que me desarmou e serviu como confirmação de que aquilo não era mesmo meu consciente pregando peça. Não vou entrar em detalhes porque não é bom ficar dizendo seu animal de poder na Internet, mas logo após o final da cerimônia entrei na internet e fui ver o que aquele animal simbolizava, e (sem que eu tivesse a MÍNINA noção prévia) bateu exatamente com minha personalidade e com a resposta que ele me deu, que (não bastasse isso) tinha tudo a ver com o tema da minha própria palestra!

Simpósio integrantes
Eu ao centro da Trindade: Tarantino, Del Debbio e DEUS (em trajes civis)

Foi aí que eu fiquei bolado pelo resto do dia, meio aéreo, pensando nas sincronicidades e no fato de eu estar ali, com uma palestra que me foi “encomendada” e cujo tema ecoava algo que eu precisava vivenciar. Confesso que não vivenciei por inteiro, mas as sementes foram plantadas e o olhar ficou um pouco mais alargado no espectro com tudo o que pude viver nessa viagem. Fica aqui meu mais sincero agradecimento a todos os que participaram no plano material e espiritual para que este Simpósio fosse um sucesso, e que eu definitivamente não merecia tantos mimos. Me senti muito querido e acolhido (meu guarda-costas era o Super-Homem, pra vocês terem uma idéia) e conheci muita gente boa (inclusive o Quentin Tarantino e nada mais nada menos que DEUS, o próprio, que em sua forma humana resolveu, com sua imensa simpatia e bom-humor, prestigiar o Simpósio acompanhado do seu Filho – sim, Ele mesmo!).

Simpósio de Hermetismo
Fotos: Túlio Vidal

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