SINCRONICIDADE E SONHOS

Sincronicidade quer dizer coincidência significativa, ou seja, dois ou mais eventos que ocorrem ao mesmo tempo e não guardam entre si uma relação de causa, mas de significado. Esse termo foi cunhado pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung, e o caso de sincronicidade que mais o intrigou foi o do escaravelho de ouro:

O meu exemplo refere-se a uma jovem paciente que, apesar dos esforços feitos e ambos os lados, provou ser psicologicamente inacessível. A dificuldade residia no fato de ela saber sempre mais sobre tudo. A sua educação excelente tinha-a equipado com uma arma feita à medida para o efeito, um racionalismo cartesiano primorosamente refinado com uma ideia da realidade impecavelmente “geométrica”. Depois de várias tentativas frustradas de lhe adoçar o racionalismo com uma compreensão algo mais humana, tive de me reduzir à esperança de que algo inesperado e irracional acontecesse, algo que rompesse a réplica intelectual a que se tinha remetido. Bem, um dia, estava sentado em frente dela, de costas para a janela, ouvindo o fluxo da sua retórica. Tinha tido um sonho impressionante na noite anterior, em que alguém lhe tinha dado um escaravelho de ouro – uma peça de joalharia cara. Enquanto ela estava me contando o sonho, ouvi qualquer coisa batendo suavemente na janela.

Voltei-me e vi que era um inseto voador bastante grande que batia de encontro à vidraça, na tentativa de entrar na sala escura. Isso pareceu-me estranho. Abri a janela imediatamente e apanhei o inseto no ar quando ele entrou. Era um besouro da família dos Escarabídeos, que ataca as roseiras, cuja cor verde-dourada se parece muito com um escaravelho de ouro. Entreguei o besouro à minha paciente com as palavras, “Aqui tem o seu escaravelho”. A experiência abriu a brecha necessária no seu racionalismo e quebro-lhe o gelo da resistência intelectual. Agora podia continuar o tratamento com resultados satisfatórios.

M. Scott Peck; O Caminho menos percorrido

O curioso é que, na linguagem simbólica, escaravelho significa “transformação”. Curioso também que o mundo dos sonhos parece estar envolvido em um monte de sincronicidades.

Já falei uma vez aqui sobre um sonho que tive com a música de Schubert, algo que eu desconhecia por completo. Agora, na sexta-feira dia 03, tive mais um sonho musical, na verdade foi um falso despertar, onde eu jurava que estava acordando, me sentindo leve, disposto, cheio de vitalidade. Ao fundo tocava baixinho a música de Sam Cooke “Having a party” (perfeita para embalar uma manhã). Olhei para o relógio, que marcava exatas 9:00, mas, quando fui na janela o céu estava azul-amarelado, exatamente como o de Vanilla Sky:

Achei um pouco estranho, mas estava tão lindo que fiquei contemplando a paisagem um pouco, já pensando em usar minha repentina disposição matutina para ir passear na praia. Enquanto isso, a música já ia adiantada, numa parte totalmente instrumental. Peraí! Instrumental? Foi aí que eu atinei para o fato de que aquilo não poderia ser real, pois NÃO existe parte instrumental na música original. Aí então tudo ficou confuso e PUF, eu acordei de fato, totalmente “pregado” na cama e sem a menor disposição pra nada… confesso que eu quase chorei por estar nesse corpo pesadão. Fui fazer meu café, e a música de Sam Cooke não me saía da cabeça.. ainda podia ouvir na minha mente os detalhes dos instrumentos, formando as camadas de som… será que tinha tudo isso na música original? Fui pro computador checar minha coleção de MP3, e botei lá pra ouvir a música. Decepção. A música, por ser antiga (1962), era abafada, sobressaindo-se apenas a (bela) voz do vocalista. Então, será que eu inventei um arranjo elaborado pra música? Decidi procurar na net uma versão remasterizada da mesma música, e encontrei. Ao ouvi-la, só pude sorrir de consternação: era EXATAMENTE o MESMO arranjo que eu ouvia no sonho, onde até mesmo o equilíbrio melodia/vocal e a altura dos violinos (que mal podiam ser ouvidos na versão que eu tinha!!).

Eu nem ia botar isso no blog, já que o post de Schubert deu o que falar (será que eu não posso nem sonhar sem ser criticado?), mas, cada vez que ouço a versão remasterizada eu fico mais e mais espantado com essa… “coisa” que eu nem sei explicar. Seria um acesso aos Arquivos Akáshicos? Ao inconsciente coletivo? Uma sincronicidade? Não tenho a menor explicação.

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