RELIGIÕES

É interessante notar como as religiões seguem influenciando gerações e gerações… cada qual procurando mais adeptos, como se disso dependesse sua sobrevivência. Funcionam quase como um organismo (ou, em alguns casos, como um vírus).

Minha religião é a melhor: ela possui o representante de Deus vivo na Terra!
Minha religião é a melhor: ela não foi deturpada com o passar dos tempos!
Minha religião é a melhor: ela cultua o filho, e não a mãe!
Minha religião é a melhor: ela cultua a mãe, e não o filho!
Minha religião é a melhor: ela permite tudo o que as outras religiões proíbem!
Minha religião é a melhor: ela é anti-religião, e o único dogma é não ter dogmas!
Minha religião é a melhor: ela engloba todas as outras e ainda oferece pontos de milhagens!

E quase todas usam a máxima: só aqui encontrarás a verdade!

Engraçado é que, em cada uma delas, nota-se que foram formadas tendo por base o trabalho de uma única pessoa. Uma pessoa especial, carismática, real ou imaginária, que arrebanha multidões (seja fisicamente, ou através de livros) e que invariavelmente ganha o status de mito. Mesmo quando essa pessoa diz explicitamente que não veio fundar nenhuma religião, acaba-se criando uma em torno dela (geralmente depois que a pessoa morre).

Essa “tara” por religiões se explica em parte pelo instinto animal do ser humano. O homem é um ser social. Mesmo sozinho, ele inventa alguém pra ter com quem conversar (como Wilson, a bola do filme O Náufrago). A religião não é mais do que juntar um bando de pessoas com a mesma afinidade espiritual… mas, para o que? Pra conversar, debater, mostrar seus dotes intelectuais (ou físicos), ou desfilar pela congregação com aquela roupa maravilhosa que comprou no exterior? Claro que uma minoria vai para aprender a história e o exemplo dos fundadores dessa religião. E esse, que deveria ser o único motivo da existência de uma estrutura religiosa, acaba virando acessório, perdido entre competições pra ver quem tem maiores e melhores templos, disputas internas, externas, contagem de pessoas convertidas, arrecadação de dinheiro e até mesmo o poder sobre certos países, além de outras coisas mais…

Só que, após aprender a história e os exemplos desses Avatares / sábios / ídolos / Mestres, as pessoas continuam na cômoda posição de continuar a frequentar os templos / igrejas / reuniões / centros, como se isso lhe garantisse compartilhar da sabedoria / iluminação / santidade do fundador. Raros são os que botam em prática o que aprenderam (até porque são coisas difíceis de praticar por conta da nossa natureza animal e egoísta), mas o que me espanta mesmo são as instituições, que muitas vezes vão em sentido diametralmente oposto ao da doutrina, como uma que a-d-o-r-a um segredo, baseada nos ensinamentos de um cara que disse: “Ninguém, depois de acender uma candeia, a põe em lugar oculto, nem debaixo do alqueire, mas no velador, para que os que entram vejam a luz”. Ou outra que acumula fortunas, tirando dos pobres para dar aos ricos, em nome de um cara que disse: “Não ajunteis para vós tesouros na terra…” Ou uma federação que guarda para si os direitos dos livros de um cara que viveu e trabalhou para escrever as mensagens do alto sem nada lucrar, sem nada possuir, para que todos pudessem ter acesso.

Disse Jesus: Os fariseus e os escribas tiraram a chave do conhecimento e a ocultaram. Nem eles entraram nem permitiram entrar os que queriam entrar. Vós, porém, sede inteligentes como as serpentes e simples como as pombas.

Evangelho de Tomé Nº 39

Falsos adeptos dos Vedas, desejosos de prazeres, de riqueza e de poder, fazem ritos para entrar nos mundos celestiais. Eles ficam fascinados pelo linguajar florido dos antigos textos védicos, e só crêem no que existe para o gozo dos sentidos. Na mente dos apegados aos prazeres dos sentidos e à riqueza material, e que por isso se iludem, não ocorre a decisão de prestar serviço a Deus. Os Vedas tratam das três qualidades da matéria. Eleve-se acima delas, livre-se das dualidades e do desejo de posse, Arjuna, e fixe-se no Eu.

Krishna; Bhagavad Gita 42-45

A religião, em princípio, é como um ponto de sustentação. Depois se torna uma muleta. E, por fim, transforma-se em uma imensa pedra a ser arrastada pelo discípulo. Se estamos realmente interessados no lado espiritual (e não social) das religiões, por que então não vamos na FONTE? Por que não pesquisamos (e, mais importante, praticamos) a mensagem deixada pelos fundadores? Por que precisamos de intermediários que nos digam o que fazer e o que não fazer, o que é certo e o que é errado? Por que precisamos de dirigentes, diretores, mestres, bispos, gurus e pastores quando se sabe que os verdadeiros Mestres nos legaram o auto-conhecimento, a luta interna, o esforço para domar nossas más inclinações, dos males que não vêm de fora, mas de dentro da gente?

Deixai-os; são guias cegos; ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco.

Mateus 15:14

Disse Jesus: Eu sou a luz, que está acima de todos. Eu sou o Todo. O Todo saiu de mim, e o Todo voltou a mim. Rachai a madeira – lá estou eu. Erguei a pedra – lá me achareis.

Evangelho de Tomé Nº 77

Sou a fonte original de todos os universos materiais e espirituais. O Todo emana de Mim. Quem tem consciência disso ocupa-se em Me servir com amor e devoção.

Krishna; Bhagavad Gita 10-8

O TODO não é apenas a totalidade da Palestina ou da Índia…

A religiosidade é algo muito diferente de religião. A religiosidade busca o auto-aprimoramento, e não o aprimoramento dos outros. Não é uma pregação; é sim uma introjeção de valores. É superação de valores internos, e não externos.

Disse Jesus: Quem conhece o Universo, mas não se possui a si mesmo, esse não possui nada.

Evangelho de Tomé Nº 67

Ó homem, conhece a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.

Inscrição no Templo de Delfos

Aquele que conhece a sua alma está imune ao temor e ao medo causado pelas coisas exteriores.

I Ching

O Mujahid (aquele que faz Jihad) é aquele que luta contra sua própria alma para refletir sua obediência à Allah.

Sahih Ahmed

Um homem no campo de batalha conquista um exército de mil homens… Um outro conquista a si mesmo, e este é o maior.

Buda
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