METROPOLIS: O FATOR MARIA

O filme Metropolis, de Fritz Lang, possui como lema “O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração!“, mas essa aparente ingenuidade esconde o verdadeiro leitmotif do filme, que é a manipulação. A falsa-Maria foi usada pra incitar os trabalhadores à violência, para que assim pudessem ser facilmente controlados pela força (e sem o apoio da opinião pública). Enquanto isso, ela também manipulou a Elite de Metropolis, jogando com os sentimentos mais mesquinhos deles e fazendo-os brigarem entre si por ela até o ponto de se matarem. E ainda temos a manipulação do manipulador, pois enquanto o Criador de Metropolis (Joh Fredersen) acha que está manipulando a todos com a falsa-Maria, ele está sendo manipulado pelo cientista maluco, que era quem “movia as cordas da marionete” e queria ver a decadência da cidade e do poder do Criador.

Esse filme nos dá um retrato bem fiel das forças de manipulação às quais estamos submetidos. Por um lado temos o Estado – lá no topo da pirâmide social – que é o Criador e provedor da nossa “Metropolis”. Temos também a Elite, num jogo de influências que os leva a serem manipulados e manipuladores. No outro extremo da pirâmide temos o povo, que precisa trabalhar (e muito) não só pra sobreviver como pra sustentar a Elite e o Estado. E no meio disso está a tecnologia (as ciências, o materialismo, representado no filme como uma Magia-Negra por visar o egoísmo, a manipulação para o mal). É uma tecnologia que dialoga com os dois lados (alto e baixo) e que, se vocês viram minha palestra, reconhecerão essa tecnologia como a “mídia” (intermediário). E o que é nossa mídia senão um intermediário com interesses egoístas, a serviço de quem lhe garantir mais poder e status? Às vezes uma crítica é dirigida ao Estado ou às Elites, outra vez um elogio, ao sabor dos intere$$es. Mas há uma tendência que transcende interesses imediatos, e cujo reflexo vemos nos mais diversos meios e países: a corrupção da sociedade. Basta ligar a TV e abrir os jornais para perceber o quanto a má conduta é valorizada, por vezes estimulada de forma ardilosa, travestida de crítica ou minimizada com uma troça. Isso – aliado a um ensino com qualidade cada vez pior – vai transformando tanto a Elite como os trabalhadores da nossa “Metropolis”, de forma tão lenta que não percebemos quem na verdade “implantou” essas idéias em nossas cabeças, e a cada geração que passa vamos nos tornando mais e mais decadentes, mais e mais ignorantes, submissos ao poder e mas cada vez mais arredios aos nossos próprios amigos e familiares (a tal discórdia que Maria estava programada para causar), o que nos torna fracos como povo e manipuláveis como gado. E o verdadeiro rosto dessa mídia ninguém vê (assim como o cientista do filme), apenas podemos perceber sua criação (a falsa-Maria).

“Rotwang, pode colocar o rosto desta garota no Homem-Máquina… Quero semear a discórdia entre eles e ela, e destruir a fé que depositam nesta mulher”

Joh Fredersen; Metropolis

A falsa-Maria, em Metropolis, tem duas funções: uma política, outra de entretenimento. E em ambas busca o controle social, através da manipulação.

Líderes, como Obama e Lula, que parecem ter saído do povo e que parecem imbuídos de ideais que são o do povo, ao assumir o poder se mostram comprometidos tão-somente com os amigos e com os poderosos. Esses são criações das Elites pra nos manter com uma falsa sensação de que estamos representados. Divisões de gênero, religião, classe social e educação são exploradas incessantemente pra tirar o foco dos verdadeiros problemas, buscando dividir/diluir opiniões e assim conquistar, como acontecia até então no Egito e ainda acontece no Brasil. Mas a falsa-Maria é muito mais do que isso, pois sua agenda vai além de segmentos, ela é uma “engenheira social”, mudando paradigmas e a face da sociedade como um todo, de forma lenta e ardilosa.

No campo do entretenimento temos um exemplo perfeito de uma falsa-Maria aqui mesmo, no Brasil. Por ironia do destino ela se chama mesmo Maria e em algum momento (após conquistar a confiança de toda uma geração de pais e adultos) ela passou e despejar diariamente na cabeças das crianças tudo o que não presta, como sensualizar precocemente meninas de 7 anos com Funk (e suas letras terríveis pra crianças) e axé (eu vi com meus próprios olhos uma “brincadeira” do programa dela onde uma menina de 5 a 7 anos com uma daquelas malhas apertadas de dançarina de Axé era incentivada a “descer na boquinha da garrafa”). Parabéns, Maria (ou melhor, falsa-Maria): a serviço do entretenimento você criou e nutriu uma geração de futuras mães solteiras e homens que acham o máximo tratar mulher como “cachorras”, “ordinárias” e com uma sexualidade baseada em “um tapinha não dói”. Nossa Maria é o mais perfeito exemplo da falsa-Maria do Metropolis, pois depois de agir como a besta babilônica por tanto tempo, a Maria verdadeira (?) conseguiu de alguma forma se libertar e hoje é vista como uma pessoa “do bem”, cujo passado parece ter sido escrito por outra pessoa. Entretanto, a mais conhecida e eterna “boneca-robô” a serviço da manipulação dos poderosos será sempre Marilyn Monroe, uma criação a serviço da lascividade (imagem que ela mesma tentou se desvencilhar depois de um infeliz casamento, mas que a mídia continuou a explorar) que depois foi usada por Edgar Hoover (e pela Máfia) contra os Kennedy, acabando ela mesma uma vítima das circunstâncias em uma morte misteriosa. No seu “clipe” mais famoso podemos ver a alimentação do estereótipo da loura burra e rica. Esse é o pai de diversos clipes que homenageiam diretamente essa cena e esse estereótipo, de Material Girl a “My humps“:

No início e no minuto 4:49 vemos que mulheres são usadas como candelabro. Uma bela “inception” visual da mulher-objeto, não acham?

Tão clara era a exploração da “Marilyn Monroe” e sua diferença pra pessoa por trás do papel (Norma Jean era o seu verdadeiro nome) que isso ficou eternizado na bela música de Elton John Candle in the Wind (prestem atenção na letra).

Outro exemplo de “boneca-robô” é Madonna, que não esconde as raízes da criação do seu personagem. No clipe Material Girl é possível ver a homenagem (descarada) a Marilyn Monroe e uma mais discreta à falsa-Maria de Metropolis, na cena abaixo:

Em Metropolis, essa é a cena em que a falsa-Maria surge como a representação da prostituta babilônica do Apocalipse
Maria (original), Beyoncé e Kylie Minogue
A cantora e atriz Janelle Monáe fez dois álbuns inspirados em Metropolis

Beyoncé, Kylie Minogue, Janelle Monáe e até Freddie Mercury (que uma vez se definiu como uma prostituta musical) já pagaram seu tributo a falsa-Maria de Metropolis (querem algo mais direto do que essa foto acima?). Mas existe uma pop-star determinada a superar todas elas em termos de intensidade, tributo e empenho: Stefani Joanne Angelina Germanotta, mais conhecida como Lady Gaga.

LADY GAGA

O nome que ela escolheu já é uma homenagem indireta ao filme Metropolis, pois foi tirado do clipe Radio Ga ga, do Queen, que possui cenas do filme e, após um final trágico onde uma família morre, um dúbio “thanks to Metropolis” (sem falar que Freddie Mercury aparece com o rosto no robô). O título original da música era “Radio Caca”, no sentido de “cocô” mesmo, pois a música era uma condenação às rádios que só tocavam porcaria, mas Freddie reescreveu a letra pra algo mais comercializável. Portanto Lady Gaga significa, em seu sentido mais obscuro, Senhorita cocô.

A foto acima é bem simbólica, pois além de mostrá-la como um manequim (uma boneca, como no seu logotipo mais acima), ela faz com as mãos só a metade INFERIOR do sinal do Baphomet, enquanto a outra mão pode tanto representar um Hamsa (que serve pra espantar o mau-olhado) ou o caminho da mão esquerda. Pode também representar a credulidade, de acordo com o emblema de Andrea Alciati, publicado em 1549 no livro Emblematum Liber:

Disse Epicarmo: “Nunca seja crédulo, nem deixe de ser sóbrio”. Estes são os tendões e membros da mente humana. Eis a mão com um olho; ela só acredita no que vê. Eis a hortelã, a erva da sobriedade; Empunhando esta planta, Heráclito acalmou e encantou uma multidão enlouquecida que explodia em insubordinação.”

Emblemata (1584)

Seria um alerta de que ela não é o que parece?

Esse “clipe, feito por um fã, é genial!

IDENTIFICANDO A MARIA

“Dê-me 24 horas, e ninguém, Joh Fredersen, ninguém poderá distinguir o Homem-Máquina de um mortal qualquer!”

Rotwang; Metropolis

A falsa-Maria era quase indistinguível da original… a não ser por um detalhe: o olho. Além do olhar maligno, o olho esquerdo dela tem o tique (bug?) de ficar semicerrado na maior parte do tempo.

A da esquerda é a Maria verdadeira. Ah, e a falsa usa delineador! 🙂

Então a primeira falsa-Maria pop a prestar tributo a Metropolis (Madonna) foi também a primeira a focar no aspecto do olho: Na música “Express Yourself” da turnê Blond Ambition (1990), num cenário claramente inspirado em Metropolis, Madonna surge com um monóculo cobrindo o olho esquerdo, para depois tirar o casaco e revelar uma vestimenta que lembra a roupa robótica de Metropolis:

Coincidência demais pra ser ignorado

A partir daí as outras falsa-Marias passaram a adotar o gesto, seja reproduzindo o monóculo com a mão, seja tapando um olho, sendo o mais famoso deles atualmente a Lady Gaga:

Lady Gaga, Christina Aguilera e Beyonce, entre outras (e outros!)

O tema de cantoras pop serem robôs é recorrente, mesmo quando não há vínculo com Metropolis:

O logotipo da Lady Gaga (acima) também é revelador: um manequim de loja de botique, atravessado por um raio (ou seja, movido a energia elétrica). Em outras palavras, um robô, uma boneca sem cérebro. Isso é claramente mostrado num dos interlúdios dos shows dela, intitulado BRAIN (Cérebro):

Tradução:
Homem: Escove, escove, escove bem, Candy. O que você pretende com isso?
Gaga: Tenho escovado por horas, só pra ter certeza de que se foi.
Homem: Eu posso dizer honestamente que você perdeu sua mente (trocadilho com “está louca”, em inglês).
Gaga: Não, eu sei exatamente onde ela está.
Homem: Sério?
Gaga: Na barriga (ventre) dele, é claro.
Homem: Ele deixou algo para trás.
Gaga: Uma máquina, o centro da cidade. Eu estava com medo a princípio – pensei. Pop comeu meu coração, e engoliu meu cérebro.
Homem: O que sobrou pra você pensar em viver?
Gaga: Eu pensei…
Homem: Você pensou…
Gaga: A Fama.

Esse é apenas um. Em outros dois temos ela falando como perdeu o coração e o rosto, para se tornar o que é hoje: uma máquina.

ATUALIZAÇÃO

Há uma possível evolução da falsa-Maria no mundo pop, que é a artista Sia, pois não pude deixar de notar duas coisas: O Avatar (representação dela para a mídia) dela é uma menina com uma peruca loura e roupa de ginástica que são IDÊNTICAS em visual à replicante Pris, do filme Blade Runner. Digo evolução pois a Pris é também uma robô, criada pro entretenimento, e que tenta se passar por gente aqui na Terra. E no clipe mais famoso de Sia, Chandelier, a menina aparece levantando o OLHO ESQUERDO:

E com uma breve pesquisa percebi que há mais mensagens nos clipes dela.

E as mensagens das outras? Madonna, a camaleoa do pop, pareceu tomar pra si a liderança do empoderamento da mulher na mídia, o que, visto hoje, pode ter sido a base para o empoderamento da mulher em todos os setores da sociedade (implante uma idéia hoje, e ela germinará no futuro). Em 2019 ela apareceu com um tapa-olho com um X, sem nenhum motivo médico a não ser que ela estava em um “novo personagem”:

Um sinal de que acabou o “contrato” pra ser Maria?

Lady Gaga também parece ter amadurecido. Conseguiu criar pra si uma comunidade de fãs “desajustados”, que ela chama carinhosamente de “Monstros” e, através de uma rede social chamada LittleMonsters os incentiva a se reunirem, se entenderem e a se gostarem como são. Também usa as mídias sociais para congregar fãs a ativismos, como o combate ao bullying e a homofobia, além do serviço militar obrigatório para gays.

Será isso tudo parte da encenação? Parte do plano de quem está por detrás do aspecto falsa-Maria dessas divas do pop, ou uma oportunidade para o humano (a Norma Jean) por detrás das personagens usar da popularidade para fazer algo de relevante? Talvez nunca saibamos, mas eu passei a admirá-la desde então e tanto o documentário da Netflix Five Foot Two sobre ela como o filme Nasce Uma Estrela só vieram a confirmá-la como uma mulher amargurada e em busca de se afirmar (e se aceitar) artisticamente mais através do conteúdo do que da imagem.

CONCLUSÃO

Espero que estejam acompanhando meu raciocínio e percebendo que Madonna, Lady Gaga e seus clones não são o demônio como muitos sites sugerem, apenas pessoas que conscientemente “venderam sua alma” em troca da fama, uma “atriz” cumprindo a função da falsa-Maria na vida real, ou seja, conquistar para outros – com vistas ao controle de massa e à manipulação – uma grande parcela da sociedade. E fazem isso tão claramente que se permitem soltar pistas de seu papel, só por diversão.

Eu não levo muito a sério essa conexão que fazem do mundo pop com os Illuminati por vários motivos. Não vejo como plausível esse negócio do olho ser o “Olho que tudo vê” (acaso esse olho usa rímel?) nem o “Olho de Hórus” (além de não parecer, todos os sites dizem que ele é “demoníaco”, quando sabemos que não é). Os símbolos maçônicos aparecem no mundo pop, isso é inegável, mas não consigo imaginar uma conspiração maçônica em escala global (tipo Nova Ordem Mundial), como querem os sites. A escala e o escopo de tal organização seria impossível de gerenciar, sem falar que a mesquinharia de seus integrantes (na busca pelo poder indiscriminado) acabaria levando ao seu colapso interno. Nem sequer creio numa organização tipo “doctor evil” chamada “os Illuminati“. Mas há indícios sim de haver, nos EUA, um grupo muito reduzido de pessoas que controla a economia, mídia e política, que usa a maçonaria e outros grupos fechados como ponto de contato entre eles (imagine uma cebola com várias camadas) e os níveis exteriores, para que quem executa o trabalho não tenha idéia dos interesses por trás da direção que eles fazem a sociedade tomar (o plano completo). É assim (creio eu) que os símbolos maçônicos (junto com coisas satanistas) aparecem na mídia, como um “boi de piranha” pra despistar os investigadores menos atentos. Enquanto pensarem que o demônio tomou o corpo da Lady Gaga é muito bom pro grupo que controla em silêncio não só ela como as emissoras de TV, os jornais, revistas, sites, etc, manipulando pessoas menos espalhafatosas pra propagar suas mensagens (e interesses) de forma sub-reptícia.

Não que os Illuminati não existam como figura psicológica (alguns usariam erroneamente o termo “arquétipo”). Pessoas que se encaixam no perfil de um grupo secreto que confabula para guiar os rumos da nossa vida por trás dos “líderes de fachada” existem aos montes, e podemos ver isso nas famílias, trabalhos, política, religião, etc. Só não acho que eles façam parte de um grande grupo central que remete aos Illuminati da Baviera, até porque cada um tem seus próprios interesses (que é sempre lascar os outros).

Infelizmente temos a péssima tendência a jogar toda a nossa incapacidade de mudar nosso futuro nos outros, como forma de consolo. É a Sombra, que sempre são os outros, representada por uma maquinação mesquinha que nos prejudica no trabalho, nos negócios, na política, vinda de um grupo escondido em algum lugar, tramando contra nós. Na Grécia antiga tínhamos a luta contra as potestates. Na Idade Média tínhamos os demônios e bruxas pra ser o bode espiatório. Depois os maçons. Depois tivemos os judeus pra pagar o pato. No espíritismo temos sempre os “trevosos” pra culpar por qualquer deslize nosso. Hoje temos os reptilianos e os Illuminati pra botar a culpa. Precisamos estar atentos às manipulações e não nos deixarmos levar por quem quer que seja, sem antes passar pelo crivo da razão, porque de um lado temos a dissolução planejada pela mídia de nossa base familiar, com novos “valores” sendo pregados como “cada um por si”, “consuma sem pensar no amanhã” e a degradação moral que nos afasta dos amigos, dos vizinhos, dos valores sociais e do próprio respeito às leis que garantem um bom viver. A reação a isso é um radicalismo religioso ou esotérico que prega uma rejeição ao mundo e a quem faz parte do mundo e não pensa como você (os “eleitos” e os “perdidos”), que é também uma forma de aleijar nossa sociedade e facilitar o trabalho dos trevosos e dos grupos que pretendem nos controlar como gado.

Hey you
Don’t tell me there’s no hope at all
Together we stand, divided we fall

Hey you; Pink Floyd

Referência:
Saindo da Matrix: EI, VOCÊ!;
Lady Gaga, The Illuminati Puppet;
A mídia Illuminati;
AI – The Rise of the Fembot Culture;
Mind control (video);
The industry exposed

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