ASTROGILDO FALA DO ALÉM

Em 2002, durante o XI Congresso Espírita da Bahia, realizado no Centro de Convenções da Bahia, com a participação de 2.344 pessoas, provindas de 117 cidades, de 14 Estados brasileiros, foi improvisada uma sessão de Transcomunicação Instrumental, com a coordenação do pesquisador Clóvis Nunes.

Improvisada, pois nada garantia que os quatro rádios, duas lâmpadas e um pequeno gravador cassete munido com fita cassete virgem, colocados num palco, pudessem garantir um ambiente propício para que os espíritos, do lado de lá, fizessem a manipulação necessária para imprimir suas vozes magneticamente nas fitas. Esse processo de comunicação se chama Transcomunicação experimental, já comentado aqui em outro post.

Um detalhe interessante é que o espírito, por não ter matéria em nossa “realidade”, carece de voz (afinal, o que faz a voz é a vibração do ar através das nossas cordas vocais e laringe), então, nas sessões de materialização eles “criam” um órgão fonador formado de ectoplasma para poderem ser ouvidos. Já os médiuns “ouvem” espíritos apenas na sua cabeça, numa interferência direta no cérebro, ou por telepatia. Na transcomunicação a idéia é dispensar o médium (intermediário), portanto o uso de ectoplasma está descartado. Mas, como imprimir a voz na fita? Uma solução seria agir diretamente na disposição dos óxidos de ferro ou de cromo, mas isso exigiria um trabalho de tentativa e erro desgraçado, então o problema foi resolvido com tecnologia de modulação de sons. Os espíritos instalam seus equipamentos (sim, do lado de lá têm cientistas, que usam equipamentos com fios, botões, etc) para captar os sons ambiente e modulá-los para formar vozes. Para isso é necessária uma gama variada de frequências sonoras, e daí a necessidade de rádios dos mais diversos operando na “faixa aberta”, com apenas ruído, e as lâmpadas, que servem para ionizar o ar (e assim facilitar a condução de eletricidade).

Ao iniciarem-se os trabalhos no Congresso baiano, o pesquisador Clóvis Nunes pediu a presença de uma série de Espíritos ligados ao movimento espírita do estado: José Petitinga, Manoel Miranda, Leopoldo Machado, entre outros. Grava-se o chiado, esperam 2 a 5 minutos, rebobinam a fita e NADA. Uma segunda tentativa é feita, mais nomes são acrescentados pela “velha guarda” do movimento espírita que está na platéia, e NADA. Alguns médiuns vêem fios e vultos por perto dos rádios, e uma nova tentativa é feita. NADA. Clóvis Nunes, já apelando, convoca QUALQUER UM dos espíritos presentes para, SE POSSÍVEL, comunicarem-se através dos aparelhos ali dispostos. Grava-se mais uma vez. E o resultado é simplesmente sensacional: aparece na fita uma mensagem de um antigo e dedicado colaborador da entidade federativa daquele estado, Sr. Astrogildo Eleutério da Silva, falecido há seis anos e do qual ninguém lembrou de incluir na lista. A mensagem é um lindo soneto de alegria, fé e amor além da vida:

Hoje vejo em luz suave
Sem sofrimento, sem dores
Assistindo a este conclave
Na presença dos mentores.

Aos meus contemporâneos
Que no corpo ainda está
Não demorem muitos anos
Venham logo para cá.

Minha Carminha querida
Dona dos afetos meus
Deste outro lado da vida
Os meus olhos fitam os teus.

Daqui vos fala Astrogildo
Com Petitinga ao lado
Etiene, Deolindo e Amarildo
Com Leopoldo Machado.

Ouça a gravação original:

Programa A ERA DA LUZ apresenta a voz do espírito Astrogildo em entrevista com Clóvis Nunes

Todos os Espíritos citados na comunicação eram os que de fato foram evocados por Clóvis Nunes no começo da gravação. A Sra. Carmem Drummond da Silva, viúva de Astrogildo, estando presente na platéia, atestou positivamente a comunicação do Espírito, relembrando que a voz do seu esposo nos últimos dias era um pouco arrastada, que ele era um grande amante da poesia, sendo inclusive médium poeta, e que havia perdido quase toda a visão no último período da vida física (daí as duas referências que ele faz no soneto).

A teoria de Padre Quevedo para a transcomunicação é que a mente humana encarnada, através de uma energia própria das pessoas vivas (de um grupo, ou de um indivíduo) atua inconscientemente no rádio para gravar uma comunicação que é, antes de tudo, INDIVIDUALIZADA, contextualizada, ordenada de forma inteligente, e cujos elementos são desconhecidos para a maioria – se não todas – as pessoas presentes. É uma teoria tão forçada, mas tão carente de evidências e sustentação lógica, que me é mais fácil acreditar na Cientologia e seus ETs do mal do que nisso. Tanto é que Quevedo é o único representante vivo do ramo da parapsicologia européia, que desenvolveu essas idéias hoje totalmente obsoletas.

Vocês podem conferir isso na versão não-editada pela Globo do Debate de Clóvis Nunes com Padre Quevedo sobre transcomunicação, no programa Fantástico, onde Quevedo fica sem argumentos e termina irritado diante do deboche de Clóvis, que via nitidamente que Quevedo não sabia NADA sobre transcomunicação e tentava desesperadamente encaixar os velhos argumentos dele sobre a energia humana a uma máquina!!! Vejam o vídeo abaixo, que apresenta primeiro a versão editada, como passou no Fantástico. Logo em seguida (aos 8:47) vem a versão completa:

Versão não-editada pela Globo do Debate de Clóvis Nunes com Padre Quevedo sobre Transcomunicação

Referência:
Ata completa do Congresso baiano, com detalhes da experiência;
Saindo da Matrix – Transcomunicação Instrumental (artigos)

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