O VÉU DA MATRIX

Não há ego maior que o do yogue que se julga acima dos que ainda são do mundo. O maior ego é achar que transcendeu o ego, porque, neste momento, você se colocou acima de quem não se coloca acima de você.

Osho

Perguntou Ramakrishna a Vivekananda, certa vez:
– Narem, qual seu objetivo na vida?
– Ah, mestre, atingir a iluminação, e viver no Samadhi, unido a Deus e ao Todo, me dissolvendo em plena luz.
Ao que o grande mestre Ramakrishna retrucou:
– Nossa! Não lhe parece um objetivo um tanto quanto EGOÍSTA, viver na iluminação enquanto há tantos por aqui precisando de você?

A idéia continua sendo Sair da Matrix, sim… mas, de preferência, com toda a humanidade. Não que eu vá tentar convencer todo mundo dos meus pontos de vista; não mesmo. Afinal as pessoas precisam ter seus próprios pontos de vista, pois senão apenas alimentarão uma ilusão mútua e acabarão trocando uma Matrix por outra. Me explico: TUDO aqui é ilusão, manifestação Divina do TODO. O que vemos, o que sentimos, o que pensamos… quando temos nosso ponto de vista, nossa “verdade”, ela É verdadeira, e ao mesmo tempo não é, pois não pode ser extendida a outrem. O sábio junta todos os pontos de vista, principalmente os discordantes, porque isso o mantém ciente de que é tudo ilusão, e ao mesmo tempo ele aprende a respeitar a verdade de cada pessoa, que é tão sagrada quando a sua própria verdade. Ele sabe que tudo são fragmentos de um grande quebra-cabeças que é a Vida.

Não é dado ao homem conhecer a Verdade Total; o seu dever está em viver de acordo com a Verdade na medida que ele a percebeu; e, em procedendo assim, deve recorrer aos meios mais puros, isto é, a não-violência.

Gandhi

Buda nos ensina que o UM é a realidade. Multiplicidade é ilusão. Essa multiplicidade é criada pelo poder de encobrir da Consciência Suprema (O “Arquiteto”). Esse poder é chamado Maya Shakti, ou simplesmente Maya. Buda diz que o véu de Maya é como uma teia de aranha: ao mesmo tempo que encobre, também mostra. É uma bela metáfora, pois aqueles que sabem o que há por trás da teia não vêem dificuldades em ver através dela. Quem não sabe, mas acha que sabe, fará verdadeiros tratados sobre o assunto (ou um blog como esse, que seria bastante presunçoso se eu não tivesse a consciência de que estou do lado de cá da teia e só sei do que me contam do lado de lá) com detalhadas descrições que são na verdade toscas e grosseiras, pois ele vê apenas o que é possível ver através da teia. Já quem não sabe ou fica acomodado do lado de cá com sua visão tapada, ou vai procurar descobrir, fazer suposições, questionar e estudar. Outros ainda juram (com uma certeza que tiram não seoi de onde) que não existe nada além da teia, e ficam parados, oservando os intrincados desenhos, fascinados pelos detalhes da teia, pelo seu brilho e encanto, achando que tudo se resume a aquilo…

A idéia de que estamos diante de um véu translúcido não é só de Buda não. É algo que está presente na Cabalá, também.

Aqueles que se propuseram embarcar numa caminhada espiritual (seja em que doutrina ou religião for) estarão eternamente Saindo da Matrix. Não chegarão do “lado de fora”, simplesmente porque esse “lado” não existe. Mas é bem melhor estar Saindo de uma Matrix, clareando as idéias, do que ficar imerso numa ilusão dentro de uma ilusão, preferindo ignorar os fatos que estão em desacordo com o seu conceito ilusório, não é? Saindo da Matrix (e não “Sair”) é estar se desconstruindo a cada dia, sem com isso perder contato com o mundo em que precisamos estar para viver (ou não estaríamos aqui). Poderia ser sintetizado no pensamento abaixo:

É preciso amar as pessoas e usar as coisas ao invés de amar as coisas e usar as pessoas.

John Powell

Referência:
O véu de Maya;
Mirdad: O homem e os véus

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