A PROVA DOS ESPÍRITOS

Uma certa pessoa na lista Ceticismo Aberto questionou a existência de espíritos com um exemplo e uma pergunta:

“Uma amiga, que crê em espíritos, foi a uma sessão onde um soldado romano apareceu. Depois de aquelas velhas mensagens de amor, perdão, caridade etc, ela tentou conversar com o soldado romano do tempo do império. Mas, o que nem o soldado nem a pessoa que o recebia sabiam, era que a minha amiga estuda línguas na USP, em especial Latim.. 🙂 E tentou falar em Latim com o soldado romano, afinal, ele viveu, cresceu e morreu falando Latim.

A desculpa padrão para que entidades não falem as línguas de sua origem é que tem de usar o “equipamento” da pessoa que recebe e não dá para falar. Mas, e compreender? Quer dizer que um espírito de Roma imperial se lembra de como era sua vida, sabe onde viveu, pode citar eventos de sua infância, mas simplesmente “esqueceu” o que palavras simples em Latim significam?

Se perguntar algo que sabe a resposta mas que com certeza, certeza produzida pelo rigor do método cientifico, o receptor não sabe (nem tem como descobrir) e o espírito respondesse, isso seria um teste cientifico. Se fizer isso em um laboratório, digamos, na Universidade do Randi, leva um milhão de dólares para a caridade (se quiser) e acaba com a discussão.

O exemplo da amiga é perfeito. Fiquei com a mesma dúvida. Por que raios ele não compreenderia? Não vejo impedimento.

Quando escrevi a frase acima, no post original, em 2003, achava que a consciência do espírito simplesmente se transferia pro cérebro do médium, com tudo o que tem dentro, e se manifestaria. Depois, estudando, vi que está bem longe disso. O espírito atua em áreas específicas do cérebro do médium, como a pineal, assim como atuamos em nosso computador: através de interfaces (mouse, teclado). Da mesma forma que nem todo mundo consegue programar pra fazer seu PC funcionar, espíritos desencarnados usam o feijão-com-arroz pra se comunicar, geralmente “ditando” mentalmente pro médium o que vai dizer, ou “transferindo” fragmentos de pensamentos, pra transmitir imagens ou idéias. Assim sendo, a parte cognitiva / mnemônica que aprendeu o tal do Latim há milhares de anos poderia não estar acessível para o cérebro de um médium brasileiro que penou pra aprender português durante uma década (no mínimo). Tivesse o médium um bom vocabulário em francês, alemão ou esperanto (línguas que, assim como a nossa, utilizam o Latim como base) e um aperfeiçoamento no sentido de receber de forma límpida o que fala o espírito, poderíamos sim ver o médium falando latim. Mas aí o Randi ia dizer que era fraude e não ia pagar o 1 milhão. Na verdade ele ia inventar qualquer coisa pra não pagar, afinal, está em jogo mais do que dinheiro, aí…

O espiritismo foi planejado por seu criador, Allan Kardec, para englobar os aspectos filosóficos, religiosos e científicos ao mesmo tempo. As investidas de Kardec no campo da ciência material através dos espíritos foram infrutíferas, diria até ridículas, em face dos avanços da ciência tradicional, escolar. Em contrapartida, a filosofia e o aspecto religioso permanecem tão atuais hoje quanto na época em que foram escritos. Por que? Ao meu ver a organização espiritual que preside os trabalhos “lá em cima” não tem o menor interesse em se fazer revelar a todos indistintamente. Afinal, uma onda mundial de assombrações, com mesas girantes, se espalharia como pólvora nesses tempos de internet. E isso aconteceu na Europa (França, especialmente) no século 17. Qual o impedimento pra acontecer agora? Nenhum, creio eu, já que existem tantos médiuns hoje como antigamente, mas a resposta está no que foi transmitido a Chico Xavier pelo espírito Emmanuel: “Amigos, a materialização é fenômeno que pode deslumbrar alguns companheiros e até beneficiá-los com a cura física. Mas o livro é chuva que fertiliza lavouras imensas, alcançando milhões de almas. Rogo aos amigos a suspensão destas reuniões (de materialização de espíritos) a partir desse momento“. Ou seja, a espiritualidade só permitiu esses fenômenos para atrair o interessa para a doutrina espírita (e, considerando o fracasso dela se propagar pelo mundo – tirando o Brasil – os espíritos pelo visto desistiram de qualquer tentativa de se “fazer um viral” pra vender seu peixe).

Pensando bem, de que adianta convencer um cético de que existe vida após a morte se todos os seus valores espirituais permanecerem inalterados? Um ateu que não vê a atuação de uma inteligência na organização planetária, do microcosmo ao macrocosmo, é um cego do espírito (o pior tipo de cegueira que existe). A prova A + B de vida após a morte (seja encontrando com a mãe morta, ou um inimigo de outra vida) não irá dilatar sua cognição espiritual, apenas criar camadas e camadas de “programação” a nossas atitudes (ex: “não matar pois o espírito vai puxar meu pé”, ou “não fazer isso senão minha mãe não vai gostar e vai brigar comigo na primeira oportunidade”), sem falar numa paranóia que tornaria nossa vida quase insuportável.

Na antiguidade era comum consultarem os “mortos” para tudo. Tínhamos os adivinhos, os necromantes, os Oráculos dos templos gregos, dando pitaco em todas as nossas ações… Só que os que morreram não se tornam Divindades nem ficam mais evoluídos e inteligentes por não estarem mais num corpo físico. Na maioria das vezes eram cegos guiando outros cegos! E assim muitos espíritos trevosos se aproveitavam dessa condição de “superioridade Divina” para incitar os povos à violência (e vemos isso claramente no Velho Testamento, quando “Deus” ordena a Josué que passe ao fio da espada todos os homens, mulheres e crianças da cidade de Jericó, entre outras coisas. Teria sido o mesmo Deus que disse NÃO MATARÁS a Moisés? Por essas e por outras que foi melhor mesmo Moisés proibir a comunicação com os “mortos”).

Além do que é preciso uma certa maturidade para compreender as implicações da interação com os “outros mundos”. Algo que somente agora a humanidade está alcançando. Tivemos pessoas com maravilhosos ensinamentos espirituais convivendo com perfeitos ignorantes espirituais por milênios, e o que ganharam? Uma morte cruel por pura intolerância! Agora estas pessoas já têm seu espaço na sociedade, e mesmo quando não são compreendidas, são respeitadas (ainda há uma minoria muito mal-educada, mas estes hão de sair deste planeta aos poucos…). Quando for o tempo certo, a comunicação com os espíritos e com seres extraterrestres será tão comum quanto usar o Whatsapp e conversar com uma pessoa no Japão. Mas é preciso primeiro parar com a mania de imperialismo ou colonialismo que os seres humanos possuem. Ou somos metidos a conquistadores e procuramos subjugar o próximo, ou ficamos nos achando inferiores, indignos de respirar o mesmo ar que a pessoa alvo da nossa admiração (o povo brasileiro tem muito disso em relação aos estrangeiros).

Os espíritos evoluídos não querem que dependamos deles pra nada. Quem está aqui na Terra somos nós, nós é que sabemos onde o calo aperta. O que querem é que nós cumpramos o que combinamos fazer “lá em cima”, e pra isso precisamos desenvolver nosso potencial, que é trazer para fora desta casca, desta prisão, que é nosso corpo, nossa verdadeira essência, nosso contato direto com o Divino. Mas, por que fazer isso aqui na Terra, com o esquecimento do que se É e com todas as dificuldades, e não em outro plano menos denso, onde seria tudo mais fácil? Bem, pergunte a um ferreiro o porque dele mergulhar o aço na forja e só depois jogar na água…

Referência:
A lei de Dar e receber;
Sepher haZohar

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