SUÁSTICA

Um símbolo hindu que “saiu de circulação” por seu mau uso. O nome Suástica (Swastika em inglês) vem da palavra sânscrita SVASTIKAH, que significa bem-estar e boa fortuna.

Suástica hindu, com uma série de significados

As mais antigas suásticas conhecidas datam de 2.500 ou 3.000 a.C. na Índia e na Ásia Central, e foram encontradas entre os Maias, Astecas, Judeus (quem diria!), nas tribos dos EUA e até mesmo no Brasil. As sacerdotisas gregas usavam esse símbolo no braço, as tribos germânicas a chamavam de “Cruz de Thor”, entre outros exemplos.

A forma espiralada, agregando a massa para o centro, está presente em todo o planeta. Da água que vai para o ralo aos imensos furacões, vistos do espaço:

Assim na terra,como no céu

Esse símbolo representa o macro e o microcosmo. Veja que as galáxias são estruturadas desta forma, e os nossos centros de força (chakras) também possuem esse desenho.

O movimento anti-horário de uma galáxia, com suas “pás”
Futatsu domoe

Notem a semelhança no design da galáxia NGC 4603 (acima) com a mandala Futatsu domoe, que “coincidentemente” é representada nestas cores.

No Japão, a suástica foi adotada pelo budismo, e é chamada de manji (万字). O manji representa a harmonia universal, equilíbrio dos opostos, eternidade e boa sorte. É composto por um eixo vertical (que representa a junção do céu e da terra), um eixo horizontal (que representa a conexão do yin e do yang) e os quatro braços (que representam o movimento e a força giratória criada pela interação desses elementos).

Esquerda ou direita?

Essa questão é sempre pertinente, já que veremos representações da suástica nos dois sentidos. O uso dependerá exclusivamente da interpretação de cada cultura. No hinduísmo ela é orientada para a direita (Dextrogira), e significa, como disse, bem-estar, boa sorte, o Deus Vishnu, Solar. Se invertê-la, ainda no hinduísmo, significará o oposto, ou seja, azar, morte, a Deusa Kali.

Símbolo do Falun Dafa

No Budismo, a suástica é comumente orientada para a esquerda (em japonês significa omote manjimanji frontal) e representa o amor e a misericórdia. Já ela orientada para a direita (ura manji – manji traseiro) caracteriza a força e a inteligência. Ambos os símbolos podem ser empregados.

A China adotou esse símbolo quando o Budismo chegou a eles vindo da Índia, e é usado até hoje pelo Falun Dafa. Eles explicam que “quando o Falun (suástica) gira no sentido horário ele automaticamente absorve energia do universo, no sentido de auto-salvação de quem a usa. Ao girar no sentido anti-horário, ele emite energia, oferecendo a salvação ao próximo”.

Se você for comparar, a maioria dos povos utilizou a suástica apontada pra esquerda (Sinistrogira):

Suásticas encontradas nas sinagogas “Ein-Gedi” e “Maoz-Haim” (300-600 d.C)
Vaso grego (700 a.C)

Abaixo, vemos dois vasos de Susa I, uma proto-civilização Iraniana de 4200-3800 a.C. Esses foram os primeiros grupamentos urbanos, base de nossa civilização. Esses vasos (hoje no Museu do Louvre) eram uma espécie de tumba, onde colocavam os ossos das pessoas. Interessante ver na prática uma coisa que o autor/designer/criador de fontes Adrian Frutiger escreveu em seu livro Sinais e símbolos: “A cruz é um dos primeiros símbolos da humanidade, o mais difundido, o mais efetivo, porque é o que mais atrai o olho, é um ponto de convergência e é como o cérebro se orienta, através de quatro pontos cardeais”. E mesmo antes de aparecerem representações humanas mais detalhadas que palitos nas paredes das cavernas já tínhamos versões da cruz tanto como palitinho se cruzando, como também uma predominância da cruz gamada (há dois tipos de suástica pintadas nela, uma que viria a ser a versão Budista e outra que parece a Cruz Gamada da bandeira do Vasco).

Vasos de Susa I (4200-3800 a.C)

O triste uso pelos Nazistas

A história de como os nazistas passaram a usar a suástica remonta à Primeira Grande Guerra (1914-1918), quando era costume nas tropas não só alemãs como de outros países usar amuletos pra dar sorte. Runas e diversos outros símbolos eram usados no pescoço, pintados em aviões ou insígnias, e um deles era a suástica.

Uma caixa de frutas, um pendante da Coca-Cola e um jogo de cartas, todos feitos na América do Norte.
Suástica Nazista

Robert Ambelain, autor de Os Arcanos negros do Hitlerismo – 1848-1945: A História Oculta e Sangrenta do Pangermanismo, escreve que o uso nazista da suástica decorre do trabalho de estudiosos alemães do século XIX, que traduziam textos indianos antigos e que notaram semelhanças entre sua própria língua e o sânscrito. Eles concluíram que indianos e alemães deviam ter um ancestral comum e imaginaram uma raça de guerreiros deuses brancos a que chamavam de Arianos. Daí a bola de neve que fez o idiota do Hitler (entre outros) pregar essa baboseira de eugenia e escolher esse símbolo indiano (já popular, como vimos) pra bandeira nazista, pegando ele mesmo a suástica e modificando o seu eixo, segundo Ambelain “para realçar melhor o sentido de seu turbilhão contrário à rotação normal (dextrogira)”. A idéia de Hitler era provavelmente inverter a direção de suas “pás” no sentido de roubar energia do universo para seus propósitos e “parar o tempo” da era atual e iniciar os mil anos de domínio da nova ordem: o 3º Reich. Além disso ele não manteve a suástica em sua posição normal – ou seja, como uma cruz com os braços verticais – intencionalmente, de maneira a dar à cruz, simbolicamente, a discreta lembrança de uma atitude de Shiva, deus hindu da destruição/renovação, representado dançando na roda da existência e dos mundos. E que isso teria sido aconselhado por instrutores secretos de Hitler, Karl Haushofer e Dietrich Eckart, os quais estariam em contato com os tântricos da Índia e do Tibete. Acrescenta o referido autor que Shiva é o aspecto oposto a Vishnu, o deus conservador da vida, e que a suástica dextrogira provém justamente de Vishnu! Agora a suástica é um símbolo odiado pela maioria, e que evoca um pensamento de terror, seja ele na posição invertida ou não.

Winston Churchill

Uma curiosidade dos bastidores da 2a guerra: Aleister Crowley foi contatado por um amigo, um agente da Coroa chamado Ian Fleming (o criador de James Bond, o 007) para ajudar no interrogatório de Rudolf Hess e fornecer ao Primeiro-Ministro inglês Winston Churchill informações sobre o pensamento superticioso e místico do inimigo. Segundo Crowley, dessa participação saiu a recomendação para que se utilizasse o (hoje) conhecido sinal do “V” da vitória, na verdade uma representação do símbolo da divindade egípcia Apophis (Apófis), um deus do Caos e da destruição, capaz de fazer frente às energias solares da suástica (briga energética de cachorro grande, essa).

Referência:
Wikipedia: Suástica;
Historianet: a suástica pode ser redimida?;
Em defesa da suástica;
BBC: Como o mundo amava a suástica, até os nazistas se apropriarem do símbolo;
Saindo da Matrix: Espirais;
Falun Dafa emblem;
The good Swastika;
Brasões de famílias japonesas;
Diferença entre a suástica budista e a nazista

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