JESUS COMPROVADO?

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Interessante que hoje mesmo eu estava pensando: Se Jesus não existisse, ele teria de ser inventado. A mensagem é o importante, não o homem. E eis que leio que uma inscrição em um ossuário que foi descoberto recentemente em Israel parece ser a mais antiga evidência arqueológica de Jesus Cristo, de acordo com um especialista que acredita que ele data de três décadas depois da crucificação. Contém uma inscrição, na língua aramaica, onde se lê: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”.

Ao escrever na Biblical Archaeology Review, Andre Lemaire, especialista em inscrições antigas na Practical School of Higher Studies da França, diz que é muito provável que o achado seja uma referência autêntica a Jesus de Nazaré.

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O ossuário encontrado em Israel

Que Jesus existiu não é uma dúvida para estudiosos, mas o que o mundo sabe sobre ele vem quase que inteiramente do Novo Testamento. Nenhum artefato material do século primeiro relacionado a Jesus foi descoberto e verificado. Lemaire acredita que isso mudou, embora permaneçam dúvidas, tais como onde a peça com a inscrição esteve por mais de 19 séculos.

A inscrição, na língua aramaica, aparece em um ossuário vazio de pedra calcária. Lê-se: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”. Lemaire diz que o objeto data de 63 depois de Cristo.

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Uma das línguas semíticas, o aramaico foi falado no Oriente Médio a partir do século 7 a.C. e foi a principal língua do Império Persa do século 6 a.C. ao século 4 a.C. As primeiras evidências diretas do aramaico datam do século 10 a.C. e ele existe como língua viva até hoje, sendo falado em dialetos modernos por minorias no Iraque, Turquia, Irã e Síria. Acredita-se que a maioria dos falantes está em comunidades de emigrantes da Armênia e da Geórgia.

Lemaire disse que o estilo de escrita, e o fato de os judeus usarem ossuários somente entre os anos 20 a.C. e 70 d.C., colocam a inscrição na época de Jesus e Tiago.

Os três nomes eram muito comuns, mas ele estima que somente 20 Tiagos existiram em Jerusalém durante a época.

Além disso, colocar o nome do irmão e o do pai no ossuário era “muito incomum”, diz Lemaire. Há somente um outro exemplo de um ossuário em Aramaico encontrado até hoje. Desse modo, esse “Jesus” em particular deve ter sido uma pessoa importante – ou o próprio Jesus de Nazaré, como conclui Lemaire. No entanto, é impossível provar que o Jesus escrito no ossuário é, de fato, Jesus de Nazaré.

No século I o historiador judeu Josephus escreveu que “o irmão de Jesus conhecido como Cristo, de nome Tiago”. Tiago é considerado meio-irmão mais velho de Jesus, filho do primeiro casamento com José. Apesar desse parentesco, ele não foi discípulo de Jesus. “É provável que a aparição de Jesus a Tiago, na Páscoa do ano 30, tenha sido responsável por ele se tornar um seguidor do irmão”, escreveu Hershel Shanks, em “O Irmão de Jesus”. A partir daí tornou-se figura expressiva nos primeiros séculos do cristianismo e primeiro líder da Igreja em Jerusalém, e pode ser encontrado no Livro dos Atos e nas Cartas de Paulo. Ele foi martirizado e apedrejado até a morte 62 d.C. Se seus ossos foram colocados em um ossuário, isso teria ocorrido no ano seguinte.

Os pesquisadores explicam que naquele tempo era costume entre os judeus o uso de caixas mortuárias, os chamados ossuários, para guardar restos mortais dos entes queridos. O corpo era sepultado em cavernas, onde permanecia durante um ano. Passado esse período, os ossos eram recolhidos em pequenas caixas. Infelizmente não havia nenhum osso na caixa de Tiago.

O reverendo Joseph Fitzmyer, professor de teologia na Universidade Católica que estudou fotos da caixa, concorda com Lemaire na idéia de que o estilo de escrita “se encaixa perfeitamente” ao de outros exemplos do século primeiro e admite que a aparição desses três nomes famosos juntamente é “impressionante”.

“Mas o problema é, você tem que me mostrar que este Jesus é o Jesus de Nazaré, e ninguém pode mostrar isso”, diz Fitzmeyer.

O dono do ossuário nunca percebeu sua potencial importância até que Lemaire o examinou, no início do ano.

Atualização 2020:

Peritos negam que ossuário de irmão de Jesus seja falso

Depois de cinco anos de processo, Justiça israelense afirma que caixa mortuária de Tiago tem dois mil anos e encerra o caso.

Conhecido popularmente como o caixão de Tiago, a peça teve sua veracidade colocada em xeque pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA). Em dezembro de 2004, Golan foi acusado de falsificador e a Justiça local entrou no imbróglio.No mês passado, porém, o juiz Aharon Far­kash, responsável por julgar a suposta fraude cometida pelo antiquário judeu, encerrou o processo e acenou com um veredicto a favor da autenticidade do objeto. Também recomendou que o IAA abandonasse a defesa de falsificação da peça. “Vocês realmente provaram, além de uma dúvida razoável, que esses artefatos são falsos?”, questionou o magistrado. Nesses cinco anos, a ação se estendeu por 116 sessões. Foram ouvidas 133 testemunhas e produzidas 12 mil páginas de depoimentos.

Especialista em arqueologia pela Universidade Hebraica de Jerusalém, Rodrigo Pereira da Silva acredita que todas as provas de que o ossuário era falso caíram por terra. “A paleografia mostrou que as letras aramaicas eram do primeiro século. A primeira e a segunda partes da inscrição têm a mesma idade. E o estudo da pátina indica que tanto o caixão quanto a inscrição têm dois mil anos”.

Durante o processo, peritos da IAA tentaram desqualificar o ossuário, primeiro ao justificar que a frase escrita nele em araimaco seria forjada. Depois, mudaram de ideia e se ativeram apenas ao trecho da relíquia em que estava impresso “irmão de Jesus” – apenas ele seria falso, segundo afirmaram. A justificativa é de que, naquele tempo, os ossuários ou continham o nome da pessoa morta ou, no máximo, também apresentavam a filiação dela. Nunca o nome do irmão. Professor de história das religiões da UFRJ, André Chevitarese, levanta a questão que aponta para essa desconfiança: “A inscrição atribuiria a Tiago uma certa honra e diferenciação por ser irmão de Jesus. Como se Jesus já fosse um pop­star naquela época”, diz ele. Discussões como essa pontuaram a exposição de cerca de 200 especialistas no julgamento. A participação de peritos em testes de carbono-14, arqueologia, história bíblica, paleografia (análise do estilo da escrita da época), geologia, biologia e microscopia transformou o tribunal israelense em um palco de seminário de doutorado. Golan foi acusado de criar uma falsa pátina (fina camada de material formada por microorganismos que envolvem os objetos antigos). Mas o próprio perito da IAA, Yuval Gorea, especializado em análise de materiais, admitiu que os testes microscópicos confirmavam que a pátina onde se lê “Jesus” é antiga. “Eles perderam o caso, não há dúvida”, comemorou Golan.

Fonte:
Istoé

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