JESUS DE NAZARÉ

Vou começar a usar o sucesso do filme de Mel Gibson (que quase não trata da filosofia de Jesus, apenas da cambada de pau que ele levou) pra falar mais sobre esse personagem fascinante que foi Jesus de Nazaré (Yeshua). Pra poder captar todas as nuances dos seus ensinamentos precisamos aprender sobre a época em que ele viveu, e especificamente sobre os costumes e religião do país que ele nasceu e viveu (Israel). Não sou um estudioso, nem arqueólogo, nem sequer Judeu, mas acho que posso contribuir com uma visão mais popular e menos acadêmica:

Roma dominava o mundo ocidental conhecido através da força bruta e controlava tudo com uma bem estruturada rede política de prefeitos e governadores, tudo divido em administrações e subordinados em última instância ao César. Graças aos romanos tivemos um intenso intercâmbio de culturas, comidas, costumes, línguas, e o latim era a “língua universal”, talvez ainda mais do que o inglês é hoje, por ser a língua dos conquistadores. Algumas pessoas estranharam o fato de Jesus, no filme de Mel Gibson, falar latim com o governador, mas Israel era um grande pólo comercial, pessoas de todos os países iam pra lá. Jesus certamente, como homem culto e Rabi saberia nem que fosse rudemente o latim, quiçá o grego…

Só que a ocupação de Israel não foi tão tranquila quanto se possa imaginar. Uma ótima comparação seria a ocupação do Iraque pelos EUA. Os norte-americanos dominam a parte política, têm o apoio dos poderosos, políticos e de muitos religiosos, que detestam os invasores, mas não podem realmente fazer nada (e se não pode com eles, junte-se a eles). Enquanto isso o povo vive com ódio reprimido, e proliferam facções armadas contra a ocupação. No caso de Israel, esses revoltosos eram chamados de Zelotes. A Galiléia foi o berço e o coração destes patriotas extremistas, comparáveis aos homens-bomba palestinos. Eles contavam (obviamente) com a simpatia camuflada da população (afinal, todos queriam se ver livres dos romanos). Nesse clima conturbado aparece Jesus na sinagoga e lê Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar as boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos“. Pronto… a notícia de que o Messias que iria libertar o povo da opressão de Roma se espalhou como pólvora, afinal, se ele curava cegos e leprosos e fazia prodígios, por que não libertaria Israel? Inclusive alguns de seus discípulos – como Judas Iscariotes e Simão (ele mesmo um Zelote) – pensavam assim, e foi o que motivou a traição de Judas. Sim, Jesus era uma ameaça em potencial para Roma, pois mesmo que ele não quisesse briga (“Dai a César o que é de César”) o pensamento libertário de Jesus foi muito mal interpretado (aliás, até hoje), o suficiente pra fazer o povo ganhar confiança pra uma possível revolta, durante a demonstração de popularidade de Jesus na entrada do Templo (Jesus arranjou um burrinho só pra fazer cumprir uma profecia do livro de Zacarias: “Eis que teu rei vem a ti: ele é justo e vitorioso, é humilde e cavalga um burrinho, potro novo de uma jumenta”. Até que Jesus tinha bom humor…).

Foi expedida ordem de prisão, e os discípulos realmente não entenderam nada quando Jesus se entregou sem resistência à milícia romana (cadê a porrada neles?). Fugiu cada um pra um lado, e ficaram escondidos por muito tempo, pois tinham ordem de prisão decretada. Devem ter achado que Jesus era um fraco, um covarde. Era o fim do sonho de liberdade. Somente João (Evangelista) ficou com Maria ao lado da cruz, mesmo correndo o risco de ser reconhecido e preso.

Precisou Jesus ressuscitar para que os apóstolos entendessem que o tempo todo ele falava da liberdade espiritual, e que o seu Reino não era deste mundo…

Vimos que Jesus não agradava nem aos romanos nem ao Sinédrio (o conjunto de Doutores da Lei judaica). Mas, por que não agradar aos religiosos se ele glorificava o Deus de Israel, e disse que veio para cumprir a Lei? A explicação “oficial” é que Jesus se dizia filho de Deus, UM com Deus, e isso seria blasfêmia. Mas, se formos estudar a Cabalá vamos chegar bem próximo disso (será que ninguém parou pra pensar que, se Deus é onipresente e onisciente, ele está em todas as coisas?). Jesus assinou sua sentença de morte quando denunciou a hipocrisia dos sacerdotes e o comércio no Templo de Jerusalém (em que o Sinédrio ganhava comissão). O povo estava do lado de Jesus, como vemos em Lucas 20:19, pois ainda achavam que era o Messias libertador (um guerreiro invencível, equivalente ao Arjuna dos hindus) e por isso os Fariseus não podiam matá-lo (a lei romana não permitia aos judeus aplicar a pena capital) nem sequer apedrejá-lo sem um bom motivo, embora tenham tentado. Então a solução foi levá-lo aos romanos, armando um “tribunal de acusação” no Sinédrio no meio da noite. Uma vez que ele foi preso, o povo viu que ele não era capaz de salvar a própria pele dos romanos; então, por tabela, não poderia ser o Messias.

A indecisão de Pilatos em matar Jesus se deve a intercessão de alguns ricos e influentes, como José de Arimatéia (que era membro do Sinédrio) e da esposa de Pilatos, Cláudia Procles, ambos simpatizantes de Jesus e de sua doutrina. Como eles haviam muitos outros, anônimos. Mas o governador não iria causar uma revolta sangrenta por causa de um “lunático” que mais cedo ou mais tarde poderia levar o povo a uma revolta contra a ocupação (quem sabe até no estilo pacifista de Gandhi), então ele lavou as mãos, literalmente.

Jesus e sua cruz

Mas isso não é nem nunca foi motivo para culpar o povo judeu. Se Jesus viesse com outro nome atualmente ele provavelmente teria falado da Igreja Católica e de seus massacres em nome de Deus (e da sua riqueza não-distribuída), da Igreja Evangélica e sua avidez pelo dinheiro, da luxúria das Igrejas Mórmon e Protestante (pelo muito que ostentam e pouco que têm para oferecer) e talvez até da Federação Espírita, por engessar a doutrina espírita no tempo, tornando-a uma máquina pesada e pouco eficiente. Falando verdades que incomodam, e contrariando interesses dos padres, bispos ou dirigentes, ele acabaria sendo morto… novamente.

O “crime” de Jesus foi tentar abrir os olhos do povo para o fato de que Deus não está apenas nas sinagogas nem representado nos religiosos. Por isso mesmo acho impressionante o trabalho de deturpação da Igreja Católica, com a figura do Papa (o representante de Deus na terra… o que Jesus acharia disso?) sua hierarquia de bispos, padres e santos, e suas normas inflexíveis, quase militares (aliás, tudo isso não lembra o César, a hierarquia política e as leis da antiga Roma?). Tão diferente daquele Jesus que não respeitava o Sábado

Referência:
Saindo da Matrix – Quem matou Jesus?;
Saindo da Matrix – Jesus Gibson de Nazaré;
Saindo da Matrix – A Paixão de Cristo (O filme);
Saindo da Matrix – O Sudário de Turim;
Ministério Profético Shema Israel – O nome de Jesus;
Ieshua, o Judeu;
Tentativas de descobrir o verdadeiro Jesus

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