COMPREENSÃO

Não devemos rir ou menosprezar as pessoas que saem histéricas, chorando e gritando “ele morreu por mim, ele morreu por mim” ao ver a Paixão de Cristo ou ir a um culto evangélico. O caminho pra espiritualidade se faz por muitas maneiras, e a pessoa é “tocada” de muitas formas, sendo a mais efetiva e sincera a forma pela qual a pessoa mais se afiniza. Muita gente precisa de um estímulo sensorial grosseiro pra chegar a um estado alterado de consciência. Os Cabalistas utilizavam a exaustão do estudo religioso como chave para a abertura desse contato, os Yogues usam a meditação, os Zen budistas também – aliada a contemplação – para atingir o Samadhi. Ayrton Senna teve um “contato com Deus” numa a quase 300km/h durante uma corrida. Quantos e quantos não tiveram um contato sincero com o Criador numa cela de prisão? E enquanto isso alguns padres e pastores só sabem falar de Deus e Jesus, mas nunca poderão senti-lo.

Quando um colega chegar animado contando que sentiu a presença do Espírito Santo, não ria. Incentive-o a buscar mais e mais vezes esse contato, discuta que mecanismos o levaram a este estado, se ele ocorre dentro ou fora da igreja, comente da experiência de outras religiões, enfim, bote a pessoa pra racionalizar, mas sem desdenhar de sua experiência. Ele pode ter visto Jesus em pessoa, que você nunca vai poder provar o contrário; portanto, melhor manter o silêncio dos que sabem que nada sabem.

Não obstante o mérito do que exprimem, muita gente prosseguirá sonâmbula e entorpecida. É que o despertar varia ao infinito…
A gazela abre os olhos ao canto do pássaro. A pedra, entretanto, somente acorda a explosões de dinamite.

Emmanuel; Falando à Terra

Muita gente vai passar a conhecer Jesus pela curiosidade de ver um filme onde o personagem principal vira um bife na mão dos romanos. Muita gente vai se sentir tocada pelo método da culpa (o famoso mantra “ele morreu por você, tá vendo? você é um pecador sem-vergonha!”) que a Igreja Católica utilizou tão bem pra oprimir os ocidentais – talvez na “boa” intenção de reprimir seus instintos mais selvagens. Em vez de ver isso como um retrocesso, eu vejo como um começo de responsabilidade. Um estivador, por exemplo, ele trabalha levando o peso dos outros nas costas. Pergunte a um estivador se ele quer trocar de emprego pra ganhar a mesma coisa, e ele vai dizer “Claro! Eu tenho esse pois foi o que eu consegui e me pagam direitinho. Antes dele eu vivia desempregado, sem perspectivas, pensava até em me matar. Esse emprego me salvou, mas claro que eu quero coisa melhor”. É a mesma coisa com a religião. Não estou aqui falando de ateus que trabalham e procuram ser pessoas decentes que pensam no seu semelhante, mas sim daqueles que estão perdidos na vida, sem coragem de dar um passo à frente e que, se não se matam (ou matam os outros), invariavelmente se voltam para a religião. Por culpa a pessoa “carrega a cruz de Jesus”, pois é mais fácil pra ela transferir a responsabilidade, e passa a tratar Jesus com a um irmão mais velho, bota o nome dele em cada três palavras que pronuncia, enfim, se torna totalmente dependente da religião. Mas isso é necessário naquela fase evolutiva. A partir dessa fixação a pessoa aprende o que está na Bíblia, e amadurece. Percebe então que Jesus nos exorta a trabalhar, a seguir em frente com nossas próprias forças, com NOSSO peso nas costas (nossas responsabilidades). Nunca desestimulem um irmão que está começando a trilhar o caminho da espiritualidade.

Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequenino. Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que fosse lançado no mar.

Mateus 11:25 / Marcos 9:42
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