AMÉLIE POULAIN

Este é simplesmente o melhor filme do ano. O tipo de coisa que mexe com o espectador, que o faz se sentir bem, com vontade de ajudar o próximo, de amar sem esperar receber nada em troca, enfim, de viver em paz consigo mesmo.

Amélie Poulain é uma fábula. Compre esta ideia antes de ver o filme, e você desfrutará de duas horas de pura magia cinematográfica. A música é parte do encanto do filme. Combina acordeom com sons lúdicos, que ajudam a transpor a magia do conto de fadas para além da visão. A fotografia é colorida com tons pastéis fortes, pouco vistos no cinema. A liberdade com o visual permite que se utilize desde recursos de videoclipe até mesmo computação gráfica, sem que isso estrague o filme (é uma fábula, lembram?). Quem for pensando que é mais um daqueles filmes franceses chatos e cabeça, nem veja. Quem for acostumado aos padrões de beleza hollywoodianos com certeza vai estranhar este filme. Os personagens são pessoas como as que se vê nas ruas. Isso ajuda a criar um clima de cumplicidade e, aliado à brilhante interpretação de todos eles, o filme consegue torná-los especiais e memoráveis.

Por falar em memorável, há cenas de pura contemplação que com certeza seriam eliminadas de um filme norte-americano. Ouvir Edith Piaf ecoando nas paredes do metrô foi delicioso, assim como subir as escadarias do parque, seguindo as pistas de Amélie. Mas o momento que define o filme é, na minha opinião, quando a personagem principal faz um pequeno tour com um ceguinho na rua. Aquilo me encantou sobremaneira que saí do cinema com a alma lavada, com a crença de que no mundo ainda existem pessoas que se preocupam com as outras. Digo isso não pensando na personagem Amélie, e sim em todos que fizeram este filme. Pessoas que se preocupam com a mensagem que é passada nos momentos de lazer.

A atriz Audrey Tautou está excelente, e merecia um Oscar (o filme ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro). Seu olhar, suas caras e bocas, seu jeito de falar, ela é simplesmente cativante (a alma do filme!) e nos faz acreditar que ali estamos vendo uma pessoa de alma pura!

A música também é especialíssima. Composta por Yann Tiersen, usa com maestria a tradicional “marca sonora” francesa: o acordeom, lindamente misturado aos violinos e sons lúdicos e inusitados, como uma caixinha de música, um xilofone e até mesmo uma máquina de escrever.

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