DEVAS

Deva (देव), na cultura hindu, é uma palavra que significa “criatura celeste“. A definição é vaga por natureza, pois abriga um grande número de criaturas, algumas com forma (Rupa) e outras sem forma (Arupa), algumas superiores aos humanos, outras inferiores, mas todas habitantes do astral. No processo de reencarnação qualquer um pode se tornar um Deva, mas depois de um tempo ele terá de retornar à Terra para obter a liberação definitiva de Maya. No Japão, os Devas foram adotados pelo Budismo e são chamados de TenBu, estando eles acima dos humanos em 6 estágios de existência. Muitos Devas possuem poderes Divinos, e são cultuados como tais, mas eles são mortais (embora vivam incontáveis anos).

Mononoke Hime Deva

Os Elementais são os tipos de Devas intimamente ligados e integrados à natureza, trabalhando nela sem questionar. Não são bons nem maus, mas podem ser manipulados pelos humanos para finalidades boas ou ruins. Em um certo ponto de evolução eles se individualizam, e podem ser confundidos com anjos ou fadas. Em um certo estado de consciência algumas pessoas podem vê-los. Podem se apresentar como gnomos, duendes, fadas, sereias, sílfides, etc.

Ao lado vemos dois exemplos de Devas Elementais, no desenho animado japonês Princesa Mononoke. Assistam se quiserem entender melhor o relacionamento deles conosco.

Mononoke Hime Deva

Na mitologia Japonesa eles são muito respeitados, e não raro recebem oferendas de comida. O que nos faz pensar nos Devas brasileiros, que podem ir do Curupira, Saci a Iemanjá. Alguns espíritas e umbandistas têm o costume de fazer oferenda ao mar (para Iemanjá) com frutas e flores. Na verdade, se forem questionar aos espíritos perceberão que é uma oferenda à mãe Terra, uma forma de agradecimento pelo que ela nos deu durante o ano. É o mesmo que os Celtas e Druidas faziam, reverenciando as árvores, os campos, etc. A simbologia de Iemanjá é mais para poder canalizar a energia para um ponto, uma imagem (como a fogueira era para os Celtas, nas festas de Solstício). Enfim, um símbolo.

Os gregos possuíam duas palavras distintas para espírito. Uma é Pneuma, que significa Alma, aquilo que temos dentro de nós. Outra é Daemon, que significa Entidade, Fantasma, etc. Notaram? O mesmo espírito, só que desencarnado. No dicionário Houaiss podemos encontrar: “Daemon – Na crença grega apresentava uma natureza intermediária entre a mortal e a divina, freqüentemente inspirando ou aconselhando os humanos.” Tanto é que a voz que ressoava na consciência do filósofo grego Sócrates, guiando suas ações, ele mesmo dizia que provinha de um daemon. Se Sócrates (que nas palavras de Platão era “o homem mais justo que o mundo conheceu” e que o Oráculo de Delphos disse que “não havia ninguém mais sábio que ele“) era um “endaemoniado”, então eu também quero ser! 😛

Vocês conhecem o destino de Sócrates, injustamente condenado à morte. É esse o fim de todos que possuem consciência e questionam as obras humanas sob um prisma ético-universal. Tanto que a palavra “heresia” provém do grego heresis, que significa tão somente escolha, opinião. A Igreja Católica acha maligno o direito de alguém ter opinião própria. Esse medo de perder o controle e o poder fez com que a Igreja adotasse daemon como uma coisa a ser banida, maligna, e daí veio a palavra demônio (daemoniu, em Latim).

Referências (todas em inglês):
Wikipedia: Deva no Hinduísmo;
Yogapedia: Deva
Devas no Budismo;
Spirituality in Anime

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