NOSSOS HITLERS (parte 2)

Como Hitler conciliou idéias de Direita e Esquerda ao eleger inimigos comuns e manipular a todos

Continuando nosso aprendizado com o “professor” Hitler, podemos tirar ainda mais lições do que NÃO se deve fazer pra ter paz e diálogo no mundo. Desta vez gostaria de comentar sobre a ideologia dele. O cara cresceu num ambiente conturbado, com a República cambaleando em toda a Europa. Ditadores surgiam aqui e ali para ocupar o vácuo de poder, como Benito Mussolini (Itália), Francisco Franco (Espanha) e António Salazar (Portugal). Isso pra ficar só no ocidente da Europa, porque no Brasil tínhamos o famoso ditador Getúlio Vargas.

O comunismo se alastrava velozmente por toda a Europa. Seu ponto principal era a perda da propriedade privada e o controle das fábricas, o que fazia tremer (obviamente) toda a burguesia e agradava sobremaneira a massa cada vez maior de desempregados e trabalhadores em condições degradantes. Vários partidos arregimentavam essa massa febril, e um deles era o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, cujos “trabalhos” consistiam em ir prum bar e jogar conversa fora, falar mal do governo, essas coisas. Resumindo bastante, Hitler chegou, arrebatou todo aquele pessoal e, com um gigantesco senso de oportunidade (e muito cinismo) conseguiu equilibrar em suas fileiras pensadores de Esquerda (nacional socialista, lembram?) mesmo sustentando idéias de Direita, porque ambos os lados (Hitler e os comunistas) tinham ódio da “burguesia”. Tanto é que a ala esquerdista (de outros partidos) pediu aliança com os Nazi (acrônimo pra NAtionalsoZIalistische) quando o caldo estava esquentando, e aí entrou o oportunismo desse gênio do mal, que fez uma aliança (em segredo) com os industriais e burgueses prometendo que, se ele subisse ao poder, as propriedades privadas não seriam estatizadas. Assim, ele conseguia ter em suas mãos, contribuindo monetariamente para o partido (e, mais importante, dispostos a fazer o que Hitler mandasse) gente de todas as camadas sociais, desde o “perigoso” (pro Governo) desempregado até o mais alto (e influente) industrial.

Apesar de ter sido propositadamente dúbio na condução do Partido (e propositadamente vago em seus discursos, afinal essa era uma de suas técnicas de controle de massa), Hitler sempre deixou claro suas idéias anti-semitas, anti-eslavos (ou seja, todo o povo da URSS), anti-marxistas e um desejo férreo de expandir as terras do povo alemão para o leste (ou seja, em direção à URSS, que ele chamava de Espaço Vital). Uma olhada no Programa de Governo do Partido mostra que “o Partido, como tal, defende o ponto de vista de um Cristianismo positivo, sem todavia se ligar a uma confissão precisa.” Muito longe da idéia Marxista.

Uma coisa que deve deixar muita gente curiosa (ao menos eu fiquei, na escola) é “Como permitiram que Hitler invadisse tantos países, antes do mundo se juntar contra ele?” Pois é. Só vim descobrir no livro Diplomacia, de Henry Kissinger. Hitler já assumiu o poder pra poder controlar a expansão Comunista. Isso era assunto interno da Alemanha, ok. Só que, pro resto do mundo, ele foi visto como um MURO de proteção contra a “Invasão Vermelha” e isso interessava a todo o continente europeu. Hitler aproveitou-se dessa condição e começou a tomar territórios, como o Sarre (francês), se rearmou (violando o Tratado de Versalhes), anexou a Áustria e a Tchecoslováquia à Alemanha, tudo isso por vias diplomáticas (mas com muita intimidação pessoal de movimento de tropas, claro) e tudo isso com vista-grossa das duas grandes potências europeias na época, Grã-Bretanha e França. Tudo porque ELES achavam que Hitler estaria do lado deles contra o comunismo – e não era de bom tom desagradar um “aliado”. Só que, num outro golpe de gênio, Hitler assina com a URSS um tratado de não-agressão e juntos atacam a Polônia, aliada dos dois Impérios capitalistas!! Só aí começa oficialmente a 2ª guerra mundial! Quando pisaram no calo deles!

Bem, mas isso é só uma introdução histórica pra falar de algo que tem me preocupado recentemente, que é a reedição da batalha Direita x Marxismo. Ora, o frio só existe porque temos o quente. O escuro só existe porque conhecemos o claro. Da mesma forma, um sistema político só se reafirma enquanto ideologia quando existe um nêmesis, um inimigo. E o que tenho visto ultimamente é a perseguição de um certo setor da Igreja Católica a um inimigo invisível, que é o Marxismo Cultural. Você é a favor do aborto? Marxista. Não importam suas razões, é Marxista e vai pro inferno. Reforma Agrária? Inferno! Tanto é que o Papa trouxe de volta a imagem secular e ultrapassada de que o Inferno é algo real: é pra abrigar todos os novos Marxistas que nem sabem que o são!

Eu já sabia que o Ratzinger (agora Papa Bento XVI), quando ainda era Cardeal, “silenciou” o (então) frei Leonardo Boff por fazer parte da Teologia da Libertação. Porém, o Marxismo nela é utilizado como instrumento, não tendo fim em si mesmo. “Na Teologia da Libertação o marxismo nunca é tratado em si mesmo, mas sempre a partir, e em função dos pobres”, segundo Boff. O sentido último da teologia não é Marx, mas Deus. Nada que vá contra um Papa João Paulo II que, no primeiro contato com a população mais pobre do Brasil, no Morro do Vidigal, tirou seu anel de ouro do dedo e o deu de presente aos moradores da favela. E o Papa João Paulo II estava longe de ser Marxista ou admirador do comunismo. Era apenas HUMANO.

E agora temos um Papa que foi criado no regime totalitarista de Adolf Hitler. Com a máquina de propaganda nazista funcionando em força total. Imagine-se naquela época, aprendendo na escola sobre a superioridade da raça alemã sobre os judeus e eslavos de forma “científica”, ouvindo o endemoniamento do Marxismo nas rádios e revistas, participando (obrigatoriamente) da Juventude Hitlerista, sofrendo lavagem cerebral. Não é algo que a pessoa venha a gostar. Não duvido que ele não tenha gostado. Eu não gostaria mas, se estivesse lá, seria impossível não ser influenciado de alguma forma, especialmente na infância e adolescência.

E então Habemus Papam, e surge (ou ressurge) um movimento com força total de perseguição ao marxismo dentro do seio da Direita Católica. Coincidência? Eu preferiria que sim, mas a entrevista com o Padre Paulo Ricardo só confirma:

cancaonova.com: O que o Papa Bento XVI significa em todo esse contexto?
Padre Paulo Ricardo: O Papa Bento XVI, quando era professor na Alemanha, sofreu bastante com esse tipo de movimentação do marxismo cultural, porque este movimento não está presente apenas na Igreja do Brasil, mas também na Alemanha. E muitos teólogos tentavam adaptar o Evangelho ao marxismo, de modo que foram eles que mais criaram problemas para ele. Quando ele foi eleito cardeal em Roma, logo começou a combater a teologia da libertação marxista, tentando mostrar justamente que se tratava de um desequilíbrio e de uma traição ao Evangelho. Agora que é Papa, nós vemos claramente que Deus se manifestou ao escolher este homem para ajudar a Igreja do Brasil e do mundo inteiro a sair desta situação de querer ler o Evangelho através de uma visão sociológica e de uma agenda política que não tem nada a ver com o Cristianismo. Então, podemos dizer que a eleição de Bento XVI é a virada. Ele é, de alguma forma, o homem da providência e nós agradecemos a Deus por ter nos dado esse homem providencial.

(calafrios)

cancaonova.com: Como esta ideologia comunista mais afeta nossa vida de Igreja e influencia nosso pensamento?
Padre Paulo Ricardo: Ela afeta justamente pelo fato de que a teologia da libertação, aqui no Brasil e na América Latina, tem como ideal a implantação de uma sociedade parecida com aquela que os socialistas e comunistas esperavam, ou seja, uma sociedade igualitária, em que as pessoas sejam todas iguais. Por meio dessa teologia, esse tipo de leitura da Bíblia e da realidade bastante socializante e materialista foram entrando aos poucos em nossa maneira de ver o mundo e da visão da Igreja.

cancaonova.com: Como COMBATÊ-LA e se dar conta de que se trata de uma ‘ideologia marxista’, mesmo que disfarçada?
Padre Paulo Ricardo: A primeira coisa é compreendermos que, através da ideologia marxista, se tende a ler tudo a partir da sociologia. Então, quando, por exemplo, encontramos uma pessoa que começa ler a Bíblia e em todas as suas passagens tira alguma aplicação social, esse é um indício, um sinal bastante claro de que, talvez, ela esteja seguindo esse tipo de pensamento marxista. Sabemos que a Sagrada Escritura tem uma lição social, mas nós não podemos extrair dela apenas uma mensagem social.

(Tenha medo. Tenha muito medo…)

Então temos que extrair o que da Bíblia? O dízimo? A devoção? A hóstia? Se Jesus vivesse hoje seria acusado de Marxista pela Igreja Católica, tenho absoluta certeza, porque Jesus não seria hipócrita de, vindo hoje, com toda a sua Glória, sentar-se num Trono da Basílica de São Pedro e ditar normas desassociadas da VIVÊNCIA DO POVO, sem uma relação SOCIAL especialmente com o MAIS FRACO SOCIALMENTE (notem que Jesus falou que era mais fácil um camelo entrar no buraco de agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus, mas não fez distinção de rico ou pobre ao ir comer na casa dos Publicanos Levi e Zaqueu, que eram ricos mas eram ODIADOS / DESPREZADOS SOCIALMENTE pelo povo judeu. E o Sermão da Montanha? Será ele um monte de imagens metafísicas ou eram LIÇÕES PRÁTICAS DE COMPORTAMENTO SOCIAL?

Se a Igreja Católica, suposta “representante de Deus da Terra”, não é pelos pobres, quem será pelos pobres? Por isso que as Igrejas Evangélicas ganham tanto terreno enquanto a Católica perde mais e mais fiéis. João Paulo II quando esteve aqui procurou “combater os excessos do marxismo” e não extirpar qualquer idéia de cunho social. Rejeito completamente o controle do Estado sobre o patrimônio, e a desapropriação indébita, mas o Estado deve atuar no sentido de “repartir o pão”… aliás, de onde vem essa expressão, mesmo???

Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o Reino dos Céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.

Mateus 23:13

E por que COMBATER a Teologia da Libertação? Por que não torná-la mais cristã e menos marxista? Por que secar um rio turbulento, mas que sacia a sede de muitos que sentem sede? Por que não construir um dique? Por que não a conversa, o acordo? Talvez a resposta esteja novamente no livro Hitler vol 1, quando Hitler, antes de ter o poder, teve de lidar com idéias contrárias dentro do seu Partido, especialmente na ala esquerdista:

Tanto do ponto de vista institucional como do psicológico, o movimento estava definitivamente transformado numa organização totalitária, pois Hitler soubera, a partir deste ataque, e como de todos os conflitos do passado, reforçar sua posição e ganhar prestígio. Tinha explanado suas idéias de direção absoluta a alguns jornalistas escolhidos dentro do partido, pintando em largas pinceladas uma imagem de hierarquia e da organização reinantes na Igreja Católica. De acordo com esse modelo, afirmara ele, o partido deve erigir sua pirâmide de dirigentes sobre “um largo alicerce de diretores de consciência políticos (…) que ficam entre o povo, os quais transpõem os estágios de Kreisleiter e Gauleitier para chegar ao Senado e finalmente ao seu Führer-papa“. Como relatou um dos participantes, não recuou diante da comparação entre Gauleitiers e bispos, entre futuros senadores e cardeais e, em perturbadores paralelos, transpôs, sem qualquer escrúpulo, as noções de autoridade, obediência e fé, do domínio espiritual para o domínio leigo. Sem qualquer ironia, terminou seu discurso observando “que não queria disputar ao Santo Padre de Roma seu direito à infalibilidade espiritual – ou seja, eclesiástica – nas questões de fé. Não entendo muito dessas coisas. Mas, com mais razão ainda, creio que entendo de política. Espero, portanto, que o Santo Padre igualmente não discuta minhas pretensões. Proclamo assim, pra mim e para meus sucessores na direção do Partido dos Trabalhadores Alemães Nacional-Socialista, o direito à infabilidade política. Espero que o mundo se habitue a isso tão rápida e resolutamente como se habituou à instância do Santo Padre.

E ninguém mais o contestou.

Hitler Vol. 1; Joachim Fest
hitler bispo
Hitler com o Arcebispo Cesare Orsenigo, em 1935. Em 20 de abril de 39, Orsenigo celebrou o aniversário de Hitler, uma tradição iniciada pelo próprio Papa Pio XII

Por falar em autoritarismo e supressão da liberdade de expressão, que fim levou o Padre Marcelo Rossi?!

Atualização (20/02/2021):
Hoje sabemos o que aconteceu com Padre Marcelo Rossi.
E Quatorze anos depois, onde essa onda de Autoritarismo + Perseguição a um inimigo mutante e invisível + Fanatismo religioso nos levou?

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