DOUTOR ESTRANHO

Tudo seguiu de acordo com a minha antiga profecia de 13 de abril de 2016, quando surgiu o primeiro trailer de Dr. Estranho: A MARVEL FEZ O FILME DO ANO.

DOUTOR ESTRANHO

Não sei que forças ocultas a Marvel andou conjurando, mas só sei que eles dominaram a arte de fazer filmes. Ninguém faz filmes como eles. Ninguém. Portanto, se o trailer passa uma impressão de que Dr. Estranho é uma colagem de Inception com The Matrix, bem, é porque tem esses elementos sim, mas de uma forma que você nunca viu na vida. Ninguém está preparado pra este filme e ninguém ficará impassível diante das cenas vistas numa tela 3D e em IMAX (a combinação desses dois elementos deveria ser obrigatória, não opcional).

As batalhas aqui são mais pra encher os olhos e nos ambientar nesse mundo mágico do que levar adiante a trama, mas são essenciais pra uma preparação visual, um treino pra sua mente, para que se acostume ao que vai ser feito no final do filme. Um toque fascinante nos combates é que eles são verdadeiramente tridimensionais, a profundidade que o 3D proporciona é realmente usada pra mostrar os movimentos, e mais: algumas vezes elas são QUADRIMENSIONAIS, ou seja, envolvem o tempo (obviamente toda a nossa vida é quadridimensional, pois envolve o tempo, só que numa única direção, mas no filme o tempo é usado pra frente E pra trás, e os personagens se movimentam independente dos objetos no tempo. Pode parecer um pouco complicado, mas é mesmo hehhehheh). As leis da física se distorcem e não há cima, baixo, lado, e chega uma hora que pensei que meu cérebro ia dar uma pane, mas é uma experiência fascinante, FASCINANTE! Era ISSO que Matrix Reloaded deveria ter sido e não foi em termos de batalha. É, como o cartaz de promoção diz, uma luta onde “as impossibilidades são infinitas”. Há também uma cena de viagem psicodélica pelos infinitos mundos que traz uma cena que é igual a de 2001: Uma Odisséia no Espaço. O comentário de uma pessoa ao meu lado no fim do filme foi: “esse é um filme que a pessoa tem de ver sóbria: se tomar uma balinha, o cérebro vai fritar.”

doutor estranho lendo gibi

Doutor Estranho foi criado nos quadrinhos em 1963 por Steve Ditko (co-criador de Homem Aranha, com Stan Lee). É a história de um cirurgião arrogante que perde parte dos movimentos da mão num acidente (mais ou menos como a origem de Thor e Homem de Ferro) e, buscando a cura no misticismo, acabou se tornando um Mago. Esse personagem, com seus temas místicos e influência orientais, logo se tornou cult entre o movimento hippie, com fãs como Pink Floyd e Jefferson Airplane. O visual psicodélico do final do filme foi fielmente tirado dos quadrinhos, cores e tudo, o que é muito respeitoso (e arriscado) da Marvel. Digo arriscado porque todo o novo sucesso dos heróis de quadrinhos se deu com a “adequação” de seus poderes e visuais a algo mais sóbrio, a começar por Batman de Tim Burton e depois X-Men de Brian Singer, e só aos poucos é que os estúdios foram arriscando algo mais cartunesco e colorido. A Marvel vai a cada filme puxando os limites do que é aceitável no cinema e introduzindo mais cores, mais vida, mais efeitos, e Dr. Estranho traz um figurino que por mim merecia um Oscar. O traje do personagem principal é PRIMOROSO e quase fiel aos quadrinhos, e os vários trajes da Anciã são lindíssimos e com cores vivas que dificilmente se vê no cinema (da última vez que vi foi em Dick Tracy).

A trilha sonora de Michael Giacchino (Lost, Up) é excelente, rica de texturas sonoras e traz um tema cantarolável pro herói, coisa que não viamos há muito na Marvel. E a música dialoga com as influências do personagem, quando inclui sons orientais e também da época dos quadrinhos quando, na música dos créditos, envereda pelo rock progressivo com sintetizadores dos anos 70 tocando o tema.

Fotografia fantástica, embora tudo ali seja digital e provavelmente filmado em tela verde (e por um excelente motivo, já que tudo se torna moldável pelo poder da magia) e ainda sim tudo lá é crível, a Industrial Light and Magic atingiu um domínio da arte que dificilmente a gente percebe o recorte do personagem com o fundo, e não incomoda como na primeira trilogia de Star Wars. Todas as grandes cenas de ação são feitas para o formato IMAX, ou seja, tela GIGANTE, totalizando quase 1 hora nesse formato.

Achei interessantíssimo também o uso de Mandalas como a forma principal de defesa mágica, até porque o Nepal (local onde fica o Templo) é rico dessas mandalas. Mas isso é algo pra outro post, mais aprofundado (sim, vou ficar babando o filme, que nem fiz com Matrix).

Doutor Estranho é sim o filme do ano, e poderia ser o filme da década se tivesse mais uns 15 minutos de desenvolvimento de personagens. Não que os personagens sejam rasos, ao contrário, mas é que eles são tão interessantes que eu pelo menos queria saber muito mais deles. A Anciã mesmo, tem coisas dela que exigiam mais tempo de exposição, de preparação da trama, assim como as motivações do Mordo. O fato do Dr. Strange ser um completo babaca podia ser um pouco mais elaborado. A Rachel McAdams (Christine) aparece pouco, mas quando aparece, UAU, que atriz, que atriz!!! Com poucas falas convence você de que ela é real, ela se importa, suas motivações, atitudes, humor, TUDO! A Anciã também, óbvio: já que Tilda Swinton não é mesmo desse planeta, fica fácil acreditar nessa personagem mítica.

O vilão? Bom, é mais um vilão da Marvel que só faz figuração pra contar a origem do herói. E ainda assim é um bom vilão, temível, embora seja o único personagem que achei mal escrito, talvez por sabermos tão pouco dele. Acho que a Marvel deveria fazer um prequel só com esses personagens do Templo (opa, ela fez, mas nos quadrinhos!).

Fiquem até o final dos créditos, pois tem DUAS cenas extras. A primeira é MUITO, MUITO legal, “feel good, a cara da Marvel, definindo de vez como a arrogância da personalidade do Dr. Estranho vai servir ao herói, e a segunda é tão tensa e importante pra história que deveria estar dentro do filme (mas ainda assim foi legal, pra ver toda a platéia soltando a respiração quando finalmente terminou tudo).

Interessante como num filme que trata do TEMPO, a questão tempo é o único calcanhar de aquiles do filme. Uma versão extendida seria muito bem-vinda, mas o filme como está é magnífico, pois não ficou faltando nada, apenas a vontade de ver e conhecer mais dos personagens!

Trailer 2 do Doutor Estranho (versão melhorada por mim)

Curiosidades (contém um pouco de spoiler):

Stan Lee – o editor-chefe da Marvel e responsável por criar os diálogos das histórias de Doutor Estranho – faz uma ponta no filme dentro de um ônibus, lendo (e se divertindo com) o livro de Aldous Huxley As portas da percepção. Outra curiosidade é que Benedict Cumberbatch, que faz Strange, também atua na captura de movimentos do vilão Dormamu.

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