CONTROLE DAS ÁGUAS

“Existe uma oligarquia internacional da água.”

Ricardo Petrella

O nosso planeta é 70% coberto por água, quase a mesma percentagem de água que temos em nosso corpo. Podemos passar 30 dias sem comida, mas poucos dias sem água. Apesar da abundância de água em nosso planeta, apenas 3% dela é doce (potável) e, além disso, 2/3 dessa água doce está debaixo da terra, nos lençóis freáticos ou congelada nos pólos em forma de geleiras, calotas polares e icebergs. A água potável NÃO é ilimitada, ao contrário do que muitos pensam: quando damos descarga ou lavamos pratos a água vai para o esgoto, e de lá para o mar, se tornando água salgada.

É por isso que as reservas de água se tornaram uma questão militar, assim como as reservas de petróleo. Os EUA, que não são bestas, possuem diversas “bases de pesquisa” na Amazônia, algumas onde brasileiros sequer podem entrar. O exército brasileiro está ciente de tudo isso, mas não pode fazer muito por causa da postura submissa do governo (ou seja, foi tudo feito por vias “legais”). Por trás desta aparente docilidade do Governo estão o Banco Mundial, a OMC e o FMI que, através da chamada “condicionalidade cruzada”, impõe a privatização e mercantilização da água a troco de empréstimos. É uma corda posta no pescoço de países pobres ou subordinados.

“Existe uma oligarquia internacional da água” – denunciou Ricardo Petrella na conferência Água: Bem Comum – “Ela está privatizando e mercantilizando a água em todo o planeta”. Esse fenômeno aumentou muito nesses últimos cinco anos. Deu ênfase, sobretudo, a comercialização da água mineral, sinônimo de Coca-Cola, Nestlé e outras empresas que vão se apoderando também desse ramo. Essa oligarquia produz conhecimento, dá a direção do discurso, tem o poder da narrativa, influencia a mídia e determina a agenda mundial da água. “As duas maiores corporações de recursos hídricos no mundo são as multinacionais francesas Vivendi e Suez. Eleitas no 91º e 118º lugares na lista dos 500 do mundo da Fortune, estes dois gigantes da água capturam aproximadamente 40% do mercado de água existente, fornecendo serviços de recursos hídricos para mais de 110 milhões de pessoas cada”.

Sobre a Coca-Cola, sua “super-pura” água Dasani foi motivo de piada na Inglaterra, depois que descobriu-se que ela era retirada das torneiras das fábricas. Resolveram vendê-la aqui, ainda tirada das torneiras (basta ler o rótulo). Além disso, o “processo de purificação” da água nem sempre a torna melhor (ao contrário); Basta ver a Nestlé e sua água PureLife: a Nestlé desmineraliza a água mineral de São Lourenço (com propriedades reconhecidamente medicinais) tirando todas as suas propriedades, e acrescenta sais minerais de sua patente. A desmineralização de água é proibida pela Constituição. Cientistas europeus afirmam que ao desmineralizar a água a Nestlé desestabiliza a mesma e precisa acrescentar sais minerais para fechar a reação. Em outras palavras: PureLife é uma água química, sem estudos de riscos à saúde.

Além disso, a Nestlé não obedece às normas de restrição de impacto ambiental. Durante anos a Nestlé vinha operando sem mesmo licença estadual. E é curioso como finalmente obteve essa licença no início de 2004.

Mais preocupante: o Governo Federal anunciou que irá alterar a legislação, permitindo a desmineralização “parcial” das águas. Por que alterar um item que apenas interessa à Nestlé? O que nós cidadãos ganhamos com essa prática, combatida por cientistas e pesquisadores? Será que influenciou o fato da Nestlé ser uma importante colaboradora do programa “Fome Zero”?

Outras empresas, como a Coca-Cola, estão no mesmo caminho da Nestlé, adquirindo terrenos em importantes áreas de fontes d’água. É para essas empresas que o governo governa? Tanto ufanismo pra impedir a privatização da Petrobrás, e nada se fala das nossas reservas de água potável… Perigoso, muito perigoso…

Dados da ONU revelam:
1,2 bilhão de pessoas no mundo não têm água de qualidade para beber;
2,4 bilhões de pessoas não têm serviços sanitários adequados;
milhões de crianças morrem a cada ano de doenças causadas por água contaminada;
Em 2025, cerca de 40% da população da Terra terão problemas com água potável.

No Brasil:
20% da população ainda não tem acesso à água potável;
40% das torneiras não tem água confiável;
50% das casas não tem coleta de esgotos e
80% do esgoto coletado é jogado diretamente nos rios, sem qualquer tratamento;
54,4% das crianças de zero a 6 anos vivem em residências sem saneamento adequado.

Guilherme Arantes – Planeta Água

Referência:
Atuação das Nestlé em São Lourenço;
Nestlé viola legislação federal em função das esmolas para o Fome Zero;
Águas de São Lourenço ou da Nestlé?;
A água doce e a Amazônia;
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