STAR WARS: EPISÓDIO 3

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INTRODUÇÃO

Como sempre, assistir Star Wars no cinema é mais do que ver o filme. É um evento, um marco, algo pra se lembrar daqui a 10, 20 anos. E olhe que pra eu lembrar de algo é muito, muito difícil. Lembro claramente que, quando vi o primeiro (o quarto da série) Guerra nas Estrelas, decorei o nome em inglês (Star Wars) e fui procurar no dicionário. Ainda estava aprendendo minhas primeiras palavras em inglês, e ao traduzir essas duas palavras pude compreender toda a lógica da língua. Lembro que em 89 chorei porque não pude ir ao cinema ver O Retorno de Jedi, porque não tinha idade suficiente. Lembro de 1997, quando passaram no cinema São Luiz as versões restauradas dos três primeiros filmes (4º, 5º e 6º). Lembro claramente que uma coisa em particular me incomodava: a presença de uma estrela que não se movia no início do filme. Não era a Estrela da Morte, e sim um buraquinho na tela de projeção, que desde então não deixei mais de notar.

Lembro também que minha maior decepção cinematográfica foi o Episódio I. Anos de espera, um marketing gigantesco e uma fila enorme no cinema para a pré-estréia. Estava radiante de felicidade: enquanto usava um autêntico capacete do Darth Vader (quente pra caramba! Mas é o tipo de coisa que não tem preço!) que consegui emprestado, assistia duelos de sabre de luz dos fãs devotados. De fato, a melhor lembrança da noite foi a fila. Ao ver o filme me senti como um marido traído: primeiro a negação (não, eu não estou vendo isso de midchlorians, é só coisa da minha cabeça), depois o choque, e a letargia, seguida da decepção e o afastamento completo de qualquer coisa relacionada ao filme. Veio o Episódio II e não tinha como ser pior que o primeiro. Assisti sem expectativas, e até gostei (procurando usar a Força para ignorar por completo cenas inteiras, como as que Jar Jar aparece, e o fato de R2D2 agora voar).

A PREPARAÇÃO

Finalmente veio o Episódio III. Neste meio tempo já tinha me programado com a idéia de que George Lucas morreu quando teve filhos e que o que vemos nas entrevistas e TV é uma versão computadorizada, feita pela Industrial Light and Magic. Os novos episódios foram então dirigidos por algum software capitalista direcionado apenas em colocar o máximo de personagens e coisas que pudessem virar brinquedos na tela. Foi um pensamento interessante que me fez voltar a apreciar os velhos episódios, onde uma história era de fato contada.

Mas eis que vi o trailer do Episódio III, e achei bom. Um amigo me emprestou um CD com todos os episódios do desenho animado (Clone Wars) que fazia a ponte entre o II e o III. E adorei! Pelo visto Lucas não tinha como errar dessa vez, pois TODA a história que ele deveria contar nos três primeiros episódios ele deixou para o fim.

Outra coisa que me empolgou foi o fato de que, pela primeira vez, eu veria o filme da forma como ele foi concebido pra ser visto (e ouvido), graças à tecnologia THX. O som pra mim é 50% da experiência de ver um filme, e com o mestre Ben Burtt na criação dos efeitos de som, isso é MAIS do que um experiência: é um êxtase sonoro.

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Os nerds na fila, essa raça desprezível de Jedi

A primeira sessão começava à meia-noite, mas desde as 19:00 que os fãs já faziam fila. Vários nerds fantasiados de Jedi desfilavam suas capas e sabres de luz. Como eu não sou esse tipo de pessoa, fui fantasiado de Darth Sidious mesmo, enquanto a Espuminha foi de Princesa Leia. Havia maquetes de naves, manequins de Qui Quon Jin e Darth Sidious lutando, um R2-D2 de papelão, enfim, um prato cheio pra qualquer fã. Só faltaram os Stormtroopers, mas aí era querer demais (aqui ainda não é Cannes).

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Havia vários modelos em exposição do lado de fora do cinema

Chega a hora tão esperada. Apagam-se as luzes e a adrenalina vai à mil. Tudo é festa. Até mesmo o comercial de quase 10 minutos do sistema THX, que foi uma verdadeira “espetaculosidade”, com direito a “Ooohhhs” e “Ahhhhs” toda vez que a voz “transladava-se” de caixa para caixa!

O FILME

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Decidi começar a limpeza da Galáxia na fila, mesmo

Lucas aprendeu com cada erro que cometeu nos dois primeiros filmes. Em vez de uma tediosa conversa sobre comércio, vamos direto à ação. O filme começa com uma batalha espacial que era alardeada como sendo a mais grandiosa da série. Talvez em número de naves, mas não em emoção. Não que seja ruim, mas nenhum fã esquece o que ocorreu no final de O Retorno de Jedi, pra mim a melhor e mais bela sequência de ação no espaço da história do cinema. Não é uma questão de tecnologia, e sim de estilo. Mas, voltemos ao filme. A primeira coisa que notei foi que a luta dos Jedi com os robôs (algo que detestei logo de cara nos novos filmes) está mais realista, humana. Os Jedi demonstram um certo desprezo na hora de lutar com as máquinas, e com razão, porque afinal de contas eles são a elite guerreira da galáxia, não têm de ficar perdendo tempo com meros droids! Outra novidade é que muito do estilo visual das lutas foi tirado dos desenhos de Clone Wars, mas não escapa de ter muitas firulas, tipo “concurso pra ver quem gira mais a espada”.

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Tome isso você também!

O humor sempre foi parte da saga de Star Wars, mas costumava ser um humor juvenil até o maldito Episódio I, onde ficou infantil e demente. Em Episódio III voltamos às raízes do humor discreto e realmente divertido, afinal, Lucas nunca escondeu de ninguém que Star Wars é uma Soap Opera inspirada nas matinês, onde tínhamos um pouco de tudo: ação, amor, humor e aventura, nunca se aprofundando realmente em nada. Por isso mesmo a reivindicação de alguns fãs de que a personalidade de Darth Vader poderia ser mais bem explorada não tem cabimento. Achei a conversão de Anakin pro lado negro muito rápida e simplista. Ele apenas ajoelhou diante de Darth Sidious e… bem, a cena cortou, mas imagino que o treinamento não seja nada que vocês estão pensando. Bastava matar crianças que ele se sentia mais forte, mais animado… nada de treinamento em artes ocultas, ou um duelo com sua sombra, como aconteceu com Luke em O Império Contra-Ataca, ou mesmo o mergulho na própria alma, que ocorreu com Anakin na ótima cena da caverna, do desenho Clone Wars. O problema é que Lucas não tem o menor interesse em dirigir atores ou desenvolver personagens, preferindo cuidar da estética e da ação. Hayden Christensen, que faz o Anakin, confirmou que ele faz um papel que chega a ser irritante para a platéia – especialmente para os fãs – mas que ele tem feito exatamente o que Lucas pediu pra ele fazer. Em compensação os diálogos estão muito melhores, e os conseguem atuar mais naturalmente diante da tela azul do que nos dois filmes anteriores.

Algo que não notei durante o filme mas que me revoltou quando me disseram foi que mudaram a legenda do que seria “Lado Negro da Força” para o politicamente correto “Lado sombrio da Força”… argh…

O Yoda digital andando é simplesmente perfeito. Parece uma criatura velha, limitada, mas com a Força circulando em suas veias. Bem diferente daquele tísico que andava se arrastando no Ep. II. Só que, nos closes, eu ainda prefiro o velho e bom Yoda de borracha. 🙂

Em resumo, eu gostei muito do filme, foi um final digno para Guerra nas Estrelas, e desta vez Lucas conseguiu fazer um filme muito bom (depois de Episódios I e II, esperar algo excelente seria querer demais). As cenas finais são nostalgia pura, com os temas dos bebês Skywalker tocando ao fundo, e uma cena clássica do filme 4 sendo reproduzida. Não dá pra chorar, mas confesso que me arrepiei todo.

Ah, a Millenium Falcom faz uma ponta no filme!

Abaixo deixo um trecho da história original do episódio III, escrita em 1983 por Lucas e adaptada por John L. Flynn. Vemos a luta de Anakin com Obiwan e a origem do temível Darth Vader. Em alguns aspectos, é BEM mais interessante que o que está no filme. Mas a culpa também foi do tempo. Simplesmente não dava pra mostrar tudo em um filme! Se Lucas não tivesse perdido tempo contando a história do irritante pirralha Anakin no Ep. I e do romance açucarado com a Amidala no Ep. II, teríamos material suficiente pra três filmes sombrios e interessantíssimos!

STAR WARS III: FALL OF THE REPUBLIC

SCENE 1: Sigma Vulcanus: a new, evolving world, that is con-stantly being shook by violent earthquakes and volcanic eruptions, and which is devoid of sentient life-forms.

Anakin Skywalker, as if controlled by another force, strikes swiftly in rage, but Obi-Wan Kenobi, the more experienced Jedi, easily deflects the furious blows of his young opponent. “Let go of the Crystal, my friend! Its power will consume you and turn you against the Jedi Knights,” Kenobi explains. But the words are un-heeded by the young Jedi, and the conflict continues. (…) The young Jedi struggles to regain his lightsabre, but loses his footing and plunges, still in possession of the Crys-tal, into a pit of molten lava.

(…)

Four shadowy figures – adorned only in dark, hooded robes (which conceal their identity) – approach the charred, motionless body of Anakin Skywalker and lift him from his fiery grave. Skywalker’s flesh is torn and scabbed, his hair is missing and clumped in disgusting patches. Deep scars trace his face, and his body and limbs are without life. They place him on the ground with great reverence and begin to administer to his injuries in an attempt to bring him back to life. One robed figure motions to the other: “Bring me the herbs and remedies.” He actually says nothing but is instantly understood by the others. A third figure sprinkles the body with a powder, while a fourth looks toward the stars and begins to chant in a deep, rumbling voice. In a matter of moments, the lifeless body of Anakin Skywalker stirs.

SCENE 4: Dagobah

Far across the galaxy, on the bog world of Dagobah, Obi-Wan Kenobi walks through the dense fog and pauses, unhappy and dejected because he has been forced by circumstances to kill his friend. He turns to Yoda, his eight hundred year-old teacher and says: “I have failed, Master Yoda.”

Yoda gives him a contemptuous stare, then closes his eyes: “No good is it to teach you when you have not yet learned patience! Humility!” Obi-Wan shakes his head and offers an excuse as his reply: “But Anakin was my friend. The Force was with him very strongly, and I thought that I could be as good a teacher as you were with me.” He pauses and breathes a deep sigh: “I fear my mistake may have terrible consequences for the galaxy!” The Jedi Master points a crooked finger at him: “Most important lesson have you learned! Now a great burden you carry.”

(…)

SCENE 7: Sigma Vulcanus – The Monastic Order of the Sith – a spartan-like retreat, high atop a mountain ridge.

Anakin Skywalker remains in a coma, while the silent, robed figures minister to his in-juries. Their task is an awesome one: First, in a most sophisticated furnace, they forge battle armour and a metal breath-screen (skull-like in appearance) that will cover his demolished visage. Next, they amputate his arms and limbs that no longer function, repair vital organs, and encase the torso – forever – in the dreaded armour and artificial respirator. Finally, they restore the severed limbs with intricate computer circuitry and revive him from his comatose state. Anakin Skywalker becomes Darth Vader, more machine than man!

Following his repairs, the monk-like figures (still hidden under their hooded robes) begin to instruct Vader in a dark, evil parody of Luke’s apprenticeship under Yoda. Darth Vader is taught many sorceror’s skills; he is lectured on the sinister machinations of the Force and is shown how to construct an even more lethal sabre using fragments of the shattered Kaiburr Crystal. But with each new challenge, and skill accomplished, Vader is doubtful of purpose. He knows he is being trained as a power weapon – and yet, he cannot conceive why.

Angered by this confusion, and the fear that his humanity (and manhood) has been stripped away, Darth Vader strikes out in rage at one of his hooded teachers only to discover an empty robe. He is momentarily terror-stricken and then mystified as, one by one, the hooded figures vanish – in a strangely, compelling way – to reveal a 3-D holographic image of Palpatine.

“Yes, yes,” Palpatine taunts him, “Only now do you conceive that is was my force of will that saved you – that kept you alive – and that gave you life again!”

Darth Vader extends a courtly bow to Palpatine and thanks him for his life. But Palpatine is not interested in gratitude. He is in need of a powerful weapon and an obedient servant, and he reminds the former Jedi that he has the power to crush him should he desire. He then forces Vader to his knees and commands: “Now come to me, my servant. I have an important task that will complete your training!”

Referência:
Seria Star Wars um filme de vampiro moderno?

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