O CAMINHO DO MEIO

O comentarista SuperSimpson me lembrou bem no post anterior algo que aparentemente contradiz a minha filosofia de vida, que é a do “caminho do meio”. É que nestas duas semanas têm acontecido tanta coisa que me fez reforçar uma idéia que estava germinando: a de que o caminho do meio só pode existir baseado nas experiências, e não no que você ACHA que é o meio-termo. Ele é pendular. Se você não conhece direito nem a escuridão nem a luz intensa, como vai saber que está na penumbra?

Foi isso que Buda fez para atingir a iluminação: ele percorreu os extremos para conhecer o ponto de equilíbrio. Seu método de ensino não era diferente: Primeiramente ele ensinou que o único meio de escapar dos sofrimentos era extinguir sua fonte – o desejo (e isto se tornou a base do Budismo Hinayana). Assim que seus discípulos começaram a compreender os seus ensinamentos, ele ensinou-lhes que existia um reino longe deste mundo transitório e mundano, e seus discípulos desejaram renascer em tal paraíso celeste. Estes ensinos passaram a ser chamado de doutrina provisória do Budismo Mahayana. Quando Buda revelou o que mais tarde seria conhecido como Sutra de Lótus, houve uma mudança radical. Ele incentivou os seus discípulos a examinarem suas próprias vidas ao invés de ficarem ansiando por um outro mundo. Notem que Buda não disse pra eles o que era o meio termo, e sim deu a eles metas opostas, de acordo com a maturidade de seus discípulos.

Acho que foi isso que eu fiz nesses 2 anos. Vivi intensamente o lado material sem pensar no espiritual, depois mergulhei de cabeça no espiritual, ignorando por completo o material, e agora, com alguma experiência, venho tentando equilibrar um pouco esses dois lados. Não me arrependo de ter passado por tudo isso. Foi essencial para que eu tenha o discernimento que tenho agora. Mas o mais importante de tudo isso foi saber que o que eu fiz foi de comum acordo entre o cérebro e o coração. Por isso mesmo, não tinha como fazer diferente. Notem que o caminho pendular não é um FIM, e sim um MEIO para atingir o caminho do meio.

Sim, Ka, eu postei aquilo pensando no Apocalipse 3:15-16, que nos diz: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca“. A diplomacia é importante, mas está a um passo da hipocrisia. Mas isso não quer dizer que a pessoa vá sair por aí fazendo qualquer coisa que der na telha, como passar a mão na bunda do guarda. Lembrem-se de Eclesiastes: “Anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e alegram aos teus olhos; sabe, porém, que em todas estas coisas és responsável“. É a Lei do Karma. Antes de mover uma pedra do lugar assegura-te que ainda tenha forças para colocá-la de volta, se necessário. Também não é pra fazer tudo intensamente, como encher a cara de cana ou se entupir de comida. Isso é MUITO diferente de viver intensamente. Na sabedoria de Provérbios 25:16 vemos “Achaste mel? Come só o que te basta; para que porventura não te fartes dele, e o venhas a vomitar“. Preferem Buda? Ele diz o mesmo: “Quer quando comeis coisas deliciosas, quer quando comeis coisas desagradáveis, jamais deveis sair da proporção certa. Comei o suficiente para vos manterdes“.

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