A ARTE IMITA A vida, QUE IMITA A VIDA

Imita mesmo? Isso nos remete à velha discussão do mundo das idéias, iniciada com Sócrates em 250 a.C. Segundo Platão, em sua Alegoria da Caverna (do livro A República), o que vivemos aqui (neste plano) nada mais é do que uma veste grosseira para algo que está situado em outro plano, no mundo das idéias. Para Sócrates, a “idéia cavalo” existe antes do cavalo como o vemos. Se sim, quem o concebeu? A criação se processa primeiro no campo mental (idéia) e só depois é transformado em físico (isso quando alguém faz o que imaginou). E se esse “campo mental” for, na verdade, um plano físico mais sutil, mais maleável, moldável pelo poder da mente? O registro mental ficaria lá, como se fosse uma maquete, para quem pudesse acessá-lo e transformá-lo em “realidade”, aqui na Terra. Não teria sido, então, mera coincidência que os primeiros experimentos com o avião, com o cinema e o rádio tenham acontecido em pontos diferentes do mundo ao mesmo tempo…

O pensamento é o que molda essa matéria mais sutil, agregando seus “átomos sutis” através da energia da mente (que não é pouca). Enquanto a mente mantiver o pensamento haverá energia para alimentar esta forma. É assim que essas idéias, que têm nome de “formas-pensamento“, são criadas. Casas, roupas, armas e até mesmo as formas das pessoas do “lado de lá” são moldadas com a mente (assim como no livro O Segredo de Shambhala, de James Redfield). Mas, se as regras Divinas são perfeitas (“Assim no céu, como na Terra“, “O que está em cima é o que está embaixo“), então o que vale pra lá vale pra aqui, certo?

Certo, e Criamos coisas o tempo todo. Mas nem sempre executamos nossas idéias mirabolantes. Mas no cinema sim, vemos a Criação humana em todo o seu potencial, e por isso vamos usar como analogia o diretor de cinema. Mas, pra funcionar, nossa analogia não pode ser com um diretor qualquer, sujeito às mais diversas limitações. Por isso usaremos George Lucas, o Criador de Star Wars, que possui dinheiro pra bancar qualquer coisa, imaginação pra escrever, técnica pra dirigir e uma empresa de efeitos visuais inteirinha para transformar em algo factível / crível / real (nas telas) qualquer coisa que ele imaginar. Ele é um Criador e um empreendedor, porque possui os recursos necessários para CRIAR (do Latim Creare, “produzir, erguer“) e o conhecimento para gerenciar os recursos disponíveis. Mas, sem dinheiro e sem sua equipe, George Lucas não é mais do que um sonhador.

Making of da Criação

Consideremos um Diretor / produtor / roteirista como ele no processo de criação do seu próximo filme. Primeiro, o filme existe tão-somente na sua mente. Então ele escreve uma cena. Nela há total liberdade imaginativa quanto ao visual. Cada pessoa que ler vai imaginar a cena de um jeito diferente.

Então o Diretor orienta artistas para que desenhem em papel (storyboard), sem muitos detalhes, como ele quer as cenas. Não há movimento, não há cores, mas ainda há essência, liberdade, idealização. O Storyboard é a Bíblia do filme, sempre consultado e usado como referência. Com base nele, uma equipe fica responsável por desenhar os cenários, outra por definir uma paleta de cores harmoniosa para todo o filme, outra desenha as roupas. Tudo e todos dependem da aprovação do Diretor pra seguir adiante com o seu talento. Isso é necessário para que o Diretor se concentre no seu papel sem ter que pensar em como vai ser a roupa do figurante, assim como um maestro não precisa tocar todos os instrumentos da sinfonia para ter em mente a música que quer ouvir.

Então se passa ao estágio de pré-visualização (Previs), desta vez no computador. Novos especialistas são empregados para adicionar movimento, dinâmica, e Leis da física, como a gravidade. A imagem ainda não possui muitos detalhes, apenas bonequinhos 3D sem textura se movendo na tela. Aparecem as limitações, confinamentos em ambientes 3D que obrigam o Diretor a ajustar a sua idealização a esses limites, mas há ainda a possibilidade de alterar, de experimentar, de ter a mesma cena com possibilidades diferentes (futuros diferentes), cenários diferentes, bastando pra isso dar ordens aos funcionários, ou ajustar alguns parâmetros pré-definidos. Problemas que nunca foram imaginados aparecem. Como o personagem anda? Como será sua voz? São novas questões, que ficam a cargo do Criador resolvê-las em sua mente, mas sua execução cabe ao departamento competente (animação/som). O personagem fica bem diferente de quando era apenas um esboço. É a evolução de uma raça.

Vamos então para a filmagem. A equipe de produção (que coordena os times de cenário, carpintaria e iluminação) tenta recriar o ambiente o mais próximo possível do que o Diretor imaginou e a equipe de design retratou em papel e depois no computador. Contratempos surgem, e devem ser contornados da melhor forma possível. Alterações e até mesmo melhorias são feitas aqui e ali. Entram os atores. Quanto melhor forem, com maior perfeição farão o seu papel. Não só farão o que o Diretor pediu, mas ainda farão MELHOR, o que vai surpreender e alegrar a todos da equipe, do carpinteiro ao Diretor.

Um bom Diretor deixa o artista se expressar em todo o seu potencial, sem impor muitas limitações de roteiro ou emoções. Ele é silencioso, prepara a cena com exatidão e, na hora em que os atores entram, são eles que mandam. O Diretor dá margem a improvisação, deixa o ator mergulhar no personagem sem interrupções, buscando assim extrair o sentimento verdadeiro. Exerce sua autoridade na Pré e Pós-produção, e se uma cena não ficou muito boa, ele faz os atores refazerem a cena da forma mais correta para o bom andamento do filme. É paciente e tolerante com seus atores. Sabe o quanto eles são sensíveis a críticas. Eleonora Duse, lendária atriz de teatro, confirma: “Eu não gosto de julgar o trabalho de outras pessoas, seja da minha terra natal ou de alguma outra. Deixe cada amante do teatro tirar o melhor da sua própria alma e seguir esse ideal com fé. Deste modo a evolução artística irá inevitavelmente se realizar. Atuar é o essencial”. Um conhecido Superstar disse certa vez algo semelhante: “Não julgueis para não serdes julgados”.

A vida pode ser um palco, mas o elenco é um horror.

(Oscar Wilde)

A vida pode ser comparada a um grande filme, cujos atores somos nós, mas estamos tão imersos em nossos personagens que não distinguimos mais o ator do personagem. Os holofotes são tão intensos que não permitem ver o Diretor, nem a equipe de produção. Mas quem for atento vai perceber que tudo ao seu redor obedece a uma Direção segura e atenta. Vai notar algumas marcações pelo chão, objetos e pessoas necessárias para a realização da cena aparecerem na hora certa, etc. Tudo obedece a uma ordem, que não sabemos de onde vem nem como vem, mas é o tipo de coisa que não interfere no nosso trabalho. “Atuar é o essencial”.

Mas, se temos um Diretor, por que não ouvimos sua voz diretamente, sua orientação segura? Bem, nem todo ator precisa do feedback do diretor pra fazer seu papel. Já outros precisam. E ouvem, através dos seus pontos eletrônicos – invisíveis para a platéia – atrás do ouvido. E vêem, nos monitores de pré-visualização – enquanto descansam de seus personagens em seus trailers – como deveria ser a cena. Mas nem sempre entendem o recado. Alguns fingem não entender de propósito. Afinal, vocês sabem… os artistas são muito vaidosos, não gostam que se metam em seu trabalho.

Em contrapartida temos os atores iniciantes ou deslumbrados, que acham que o Diretor é Deus. Se atuam mal, a culpa é deles mesmos, mas se atuam bem, o mérito é todo do Diretor. Não conseguem mais nem atuar por conta própria, de tão dependentes que ficam. Vivem questionando o Diretor que tipo de expressão devem usar, como fazer cada cena, e até mesmo se perguntam “o que DEVO sentir nesta cena em particular?” Pra que o filme continue, o Diretor, que já está P da vida, despacha o assistente de direção (ou contrata um coach de atores) pra orientá-lo, alguém mais perto e presente do lado do ator. Então o ator ouve as instruções que acredita ser a vontade do diretor, todos ficam satisfeitos e o filme continua.

Por outro lado temos os atores vaidosos que, se pudessem, dirigiriam o filme eles mesmos. Mas não podem, nem têm competência. Não aceitam dividir o filme com outra estrela, por insegurança e medo de ser ofuscado. De tanto ler, possuem muito conhecimento técnico de como fazer filmes, mas nenhuma CAPACIDADE para botar em prática o que aprenderam. Ficam assim recalcados; atores frustrados que queriam ser logo Diretores. Acabam não sendo nem um nem outro. Querem saber mais que o diretor/produtor/roteirista, que é quem tem uma visão global do projeto. Interrompem a cena pra reclamar com o carpinteiro porque a porta rangeu na hora de abrir. Dão pitaco na luz, no som. Gritam até mesmo com o Diretor porque querem fazer prevalecer SUA visão do filme.

Mas aí veio um ator lá da Galileia que mudou os parâmetros de se fazer cinema. Falava que o importante não era o Diretor, produtor, ator ou roteirista, mas sim O FILME. De nada adianta termos um bom Diretor quando sua equipe trabalha com má vontade e desunida: O filme sai uma porcaria! Ensinou que um bom filme se faz com AMOR, com o trabalho dedicado de carpinteiros, eletricistas, TODOS do departamento de arte, TODOS do departamento de som, etc., harmoniosamente sob a batuta do Diretor. É respeitar uma hierarquia, mas não é ser um inútil submisso que baba o Diretor e que não faz nada pra melhorar o filme! Desse jeito o filme não sai! Um filme se faz com pessoas criativas, pessoas que amam o seu trabalho, que são uma EXTENSÃO do Diretor no setor em que elas se encontram. “Sois Diretores” em seu campo de atuação, por que não?

Mas a Indústria Cinematográfica não gostou nada disso, pois acharam que essa metodologia de trabalho seria mal interpretada, e tiraria a liderança e o brilho do Diretor / produtor (como se Ele precisasse de um decreto da Indústria pra ter liderança e brilho), e então deturparam a declaração do Superstar de Nazaré para que parecesse que ele era um Co-Produtor, alguém do topo da Indústria, e que o importante era todos trabalharem sob a supervisão dele e do Diretor. Mas foi exatamente o contrário! Enquanto esteve aqui, ele fez questão de mostrar que era um ator, como nós. E que GRANDE ator ele foi, mostrando com humildade que, com amor e dedicação, poderíamos inclusive alcançar interpretações melhores que as dele!

Vamos resgatar um pouco do sentido original do que esse ator famoso falou. Está tudo publicado na imprensa, mas as pessoas têm preguiça de ler, então vou fazer um resumo:

A unicidade:

Eu e o Pai somos um. Não está escrito na Lei de vocês: “Eu disse: Sois Deus, todos vocês são crianças do Altíssimo“? Se eu não realizo as obras do meu Pai, não creiam em mim. Mas se as realizo, mesmo que não creiam em mim, creiam nas obras, para que possam saber e entender que o Pai está em mim, e eu no Pai.
(João 10:34-38)

O Pai / Deus / TODO não é apenas a figura do diretor / produtor / roteirista:

Eu sou o TODO. De mim surgiu o Todo e de mim o Todo se estendeu. Rachai um pedaço de madeira, e eu estou lá. Levantai a pedra e me encontrareis lá. Se seus líderes vos dizem: “Vejam, o Reino está no céu”, então saibam que os pássaros do céu os precederão, pois já vivem no céu. Se lhes disserem: “Está no mar”, então o peixe os precederá pelo mesmo motivo. Antes, descubram que o Reino está dentro de vocês, e também fora de vocês. Apenas quando vocês se conhecerem, poderão ser conhecidos, e então compreenderão que todos vocês são filhos do Pai vivo. Mas, se vocês não conhecerem a si mesmos, então vocês vivem na pobreza e são a pobreza.
(Evangelho de São Tomé)

Mas há uma hierarquia de forças, pro filme funcionar:

Eu lhes garanto: Quem receber aquele que eu enviar, estará recebendo a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Mas digo-lhes verdadeiramente que nenhum escravo é maior do que o seu senhor, como também nenhum mensageiro é maior do que aquele que o enviou.
(João 13:16-20)

A sintonia estabelecida através do amor:

Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros, como eu vos amei. Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço. Amem os seus inimigos, faça o bem a quem lhe faz o mal, e orem por aqueles que os perseguem. Se vocês amarem apenas aqueles que os amam, que recompensa receberão? Até os transgressores fazem isso!
(João 15)

A produção de um filme não é fácil:

Eu lhes disse estas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver.
(João 14)

Ele, então, roga ao Pai por quem fica:

Não ficarei mais no mundo, mas eles ainda estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, protege-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como somos um. Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, pois eles não são do mundo, como eu também não sou. Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Mal. Eles não são do mundo, como eu também não sou. Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Dei-lhes a glória que me deste, para que eles sejam UM, assim como nós somos UM: eu neles e tu em mim. Que eles sejam levados à plena Unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste como igualmente me amaste. Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.
(João 14 e 17)

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