VALEI-ME, MEU SUPER NES!

Vocês já tiveram um daqueles momentos onde o tempo pára e você pode controlar o que vai fazer como se estivessem em câmera lenta? É incrível como o tempo é relativo! Já passei por isso duas vezes, e nas duas eu atribuo minha salvação ao que aprendi jogando videogames.

Sim, desde pequeno que eu adoro jogos de corrida, e com o avanço da tecnologia, os jogos foram ficando mais e mais realistas. Aprendi muito de física e dinâmica nos games, e o lugar onde aplico mais esse conhecimento é no trânsito. Não é difícil me imaginar dirigindo em terceira pessoa (observando o carro por trás e de cima, como num jogo) e premeditar todos os movimentos que eu poderia fazer em caso de um imprevisto, a cada segundo (típico de quem joga games de corrida… os pais deveriam incentivar os filhos a jogarem, porque exercita o cérebro e ativa as sinapses).

Mas devo confessar que me envolvi numa situação de risco por causa da minha paixão por games de corrida. Ano passado eu estava na Av. Domingos Ferreira, empolgado por estar escutando a música do nível 1 de Top Gear. No final da avenida tem um leve aclive que termina numa curva, com um belo poste bem de esquina. Meu carro estava tão rápido que descolou do chão. Neste momento o tempo parou, e eu pude perceber no que tinha me metido: sabia que, após os amortecedores absorverem o choque com o chão (o que me daria controle real sobre o carro) teria no máximo dois segundos pra tirar o carro da direção do poste, e sabia que, se eu virasse as rodas com ele no ar, o carro rodaria (e iria bater no poste do mesmo jeito). Aquela fração de segundo pareceu um minuto, enquanto exercia sangue-frio pra não virar o volante até o último segundo, quando estaria totalmente no controle.

No final deu tudo certo, e agradeci às minhas aulas de direção no F1-Roc, Top Gear e, principalmente, Mario Kart.

Em 2001 aconteceu algo semelhante. Estava na Av. Norte, em velocidade constante (70km/h) quando, ao me distrair com um guarda de trânsito, não percebi que um carro estava o tempo todo ao meu lado, na mesma velocidade, no ponto cego do retrovisor. À minha frente estava um ônibus parado e, ao virar o volante pra mudar de faixa, foi que eu percebi o bico do carro ao meu lado. Ora, a avenida é dividida por imensos “gelos baianos” de concreto. Neste momento o tempo congelou e durante menos de um segundo eu tive de decidir se empurrava o carro ao lado contra o “gelo” pra me salvar ou permanecia na faixa e me jogava contra o ônibus (já que não dava pra simplesmente frear). Decidi que não deveria envolver um inocente nisso, então virei o volante de volta pra minha faixa, depois girei totalmente no sentido oposto enquanto freava, dando um cavalo-de-pau que, pelos meus cálculos, faria o carro ao lado passar antes que o bico do meu carro girasse para a outra faixa, além de, no caso de bater no ônibus, seria com a lateral. Funcionou! O que eu não sabia é que o Gol, por ser um carro muito leve, deslizou por uns 4 metros e foi bater com o vidro no para-choque traseiro do ônibus, estilhaçando-o. O momento seguinte foi hilário: várias pessoas do ônibus assustadas, se debruçando na janela pra ver meu carro atravessado, e eu olhando para elas com um sorriso largo e com um ar de triunfo (neste momento eu estava pensando “consegui! que manobra fantástica!”). No final deu tudo certo, e estou aqui para contar a história.

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