EXISTENZ

O que me amargura é a consciência de que poderia e posso fazer mais do que estou fazendo, só não sei COMO. Tive a idéia no meio da noite de fazer algo por crianças autistas, mas antes consultei Oráculo, e ela disse que o problema deles é kármico. Minha abordagem não surtiria muito efeito. Então me disse: “Comece treinando em casa.”

Muito sábia… Mas ainda assim me sinto péssimo quando entregue aos meus pensamentos, e queria me ocupar com os outros… Acho que nada mais é do que uma técnica de fuga, afinal estou me defrontando com meus problemas e (às vezes) vencendo-os. Pode ser uma tentativa desesperada do meu lado negro dizendo “ei, já existem problemas suficientes pra você resolver lá fora, me deixa aqui com meus defeitinhos!”. Considerando que todos nós viemos não para salvar o mundo, mas primeiramente a nós mesmos, acho que o equilíbrio seria a solução (parece ser a solução pra tudo, não é mesmo?).

Isso me lembra a passagem do Evangelho:

Deixai-os; são condutores cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.

Mateus 15:14

Todos os grandes Mestres cuidaram por anos da sua reforma interior antes de ir ensinar. Isso é alcançar a esfera de Binah (entendimento), da Cabalá.

Li isso hoje no livro Na próxima dimensão, de Inácio Ferreira e Carlos A. Baccelli:

“A fórmula está em sabermos conciliar o cultivo de nós mesmos, que nos requisita momentos de introspecção, e o trabalho em benefício aos outros… Uma centração e uma descentração, como nos ensinava Teilhard de Chardin. Não podemos nos isolar e não podemos deixar de nos recolher à nossa própria intimidade; carecemos de imitar o movimento das ondas do mar, que se retraem e, de novo, se lançam à praia, como se estivessem num eterno movimento de expansão.”

Até mesmo o Universo, segundo os Vedas hindus, tem seu movimento cíclico de expansão e contração, que chamam eufemisticamente de “a respiração e a expiração de Brahman”. Segundo Stephen Hawking, ainda estamos vivendo a expansão do Big Bang, mas no futuro (alguns bilhões de anos) uma das possibilidades é a de termos o Big Crunch, que seria a contração, até um momento em que todo o universo se concentraria num único ponto, e novamente ocorreria o Big Bang. Pura doutrina Védica, hein?

Putz… Agora que caiu a ficha: Eu estava deprimidíssimo quando comecei a escrever e agora estou outro! Eu finalmente ENTENDI o que eu tão somente SABIA. Eu estou sendo o maior beneficiário deste blog, pois, se eu não resolvesse publicar, não estaria encadeando as idéias com cuidado, justamente o que me faz ver e entender a questão por inteiro! Ou seja, se eu não me propusesse a passar adiante meus conhecimentos, eu mesmo não os entenderia. Mecanismo fantástico, não?

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