É PROIBIDO CRITICAR O VATICANO

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O Saindo da Matrix dá início a cobertura da visita do Papa Bento XVI ao Brasil. Sim, um blog que é referência no meio esotérico e religioso não poderia ficar de fora de um assunto de tamanha importância. Com o know-how obtido na cobertura da visita do Dalai Lama, esperamos ser a melhor e mais confiável fonte de informação da blogsfera brasileira! Começando com um babado quente, direto do Vaticano:

Por Vera Gonçalves de Araújo

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Nos cursos das faculdades de jornalismo italianas, quando um estudante escreve um daqueles artigos quadradinhos, com adjetivos bem escolhidos e a preocupação evidente de não incomodar ninguém, os professores costumam liquidar a questão dizendo “parece escrito para o Osservatore Romano“. O Osservatore Romano é o jornal oficial da Santa Sé, e seu estilo não é um exemplo de jornalismo arrojado e despojado. Qual não foi a surpresa de todos, na quarta-feira passada, ao descobrir que o Osservatore publicou um artigo violentíssimo contra um comediante da TV! A manchete e o texto do artigo chamam de terrorista o ator Andrea Rivera, 41 anos, apresentador do grande show de rock que todos os anos os sindicatos organizam na praça São João de Latrão, em Roma, no dia primeiro de maio.

Terrorista, porque ousou criticar o papa e a igreja diante de um público de 700 mil jovens reunidos para o show, transmitido ao vivo pela Rai. Rivera fez piada sobre a posição de Bento XVI a respeito do evolucionismo: “O papa nega o evolucionismo. Tem razão, em 2000 anos a igreja não evoluiu nada mesmo”. E acrescentou: “Não posso tolerar que a igreja tenha recusado o funeral católico para Piergiorgio Welby” (poeta e pintor que pediu para morrer por eutanásia depois de doze anos de paralisia total devida à distrofia muscular). “Mas eles não negaram os funerais católicos a Pinochet, a Franco e a outros bandidos”. A frase foi recebida pelo público com aplausos e gritos.

O artigo do Osservatore criticando Rivera foi tão violento e sectário, que o próprio diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé tentou acalmar os ânimos com uma entrevista em que diz que “é melhor que essa bobagem não se transforme numa tragédia”. Em 24 horas, o “ato de terrorismo” virou “bobagem”.

Todos os jornais italianos comentaram, com editoriais indignados ou com tons de turma do deixa-disso, o artigo do jornal vaticano. A frase “é terrorismo lançar ataques contra a Igreja” foi citada, segundo a tendência política do comentarista, para demonstrar o exagero vaticano ou a gravidade da piada de Rivera. Segundo o Osservatore, as palavras do humorista são um ataque covarde ao papa num momento particularmente delicado. E citam as várias pichações nos muros de Gênova contra o novo presidente da Conferência Episcopal Italiana, o arcebispo genovês Angelo Bagnasco, com ameaças de morte assinadas com a estrela de cinco pontas que é símbolo dos terroristas (estes sim, de verdade) das Brigadas Vermelhas. Dom Angelo recebeu também cartas com ameaças e balas de revólver.

O vilão da história não renega suas piadas antipapais. Pouco conhecido pelo público, ele fez pequeno sucesso num programa da Rai em que organiza entrevistas e trotes malucos tocando no interfone dos edifícios romanos. A pergunta clássica das entrevistas interfônicas é: “a senhora já votou?” – pergunta que geralmente provoca um susto no entrevistado, porque nos últimos anos na Itália votou-se até demais.

Nos próximos meses, vamos descobrir se a ira do Vaticano vai transformar o desconhecido Andrea Rivera numa vedete ou se ele será punido pela sua ousadia com o ostracismo televisivo. O primeiro caso já aconteceu com Roberto Benigni, que num esquete no festival de Sanremo de 1980 chamava João Paulo II de “Wojtilaccio”, provocando reações escandalizadas da Igreja e da Democracia Cristã. O segundo caso – a cassação dos direitos televisivos – também virou prática frequente, principalmente nos cinco anos de governo do mais perigoso contador de piadas da Itália, Silvio Berlusconi.

Em vista da visita do papa ao Brasil, é bom saber que o sense of humour do novo grupo dirigente da Santa Sé é muito, muito limitado.

Fonte:
Terra

VISITA DO PAPA BENTO XVI:

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