SARA KALI, MADALENA E JESUS

Neste último sábado tive a oportunidade de conversar com José Roldão sobre as descobertas históricas e culturais que sugerem que Jesus teve um filho com Maria Madalena. No rastro do sucesso de Código Da Vinci muita gente vem cascavilhando esse assunto e botando na Internet suas descobertas. Há rumores de que a matança dos primogênitos teria sido depois da morte de Jesus, e não no nascimento. Isso seria para evitar que houvesse um descendente das duas famílias de Reis de Israel (a casa de David, representada por Jesus, e a de Benjamim, por parte de Madalena).

E que então Maria Madalena teria fugido para o Egito com José de Arimatéia, vindo a ter lá uma menina, que ficou conhecida como Sarah Kali, que depois foi para a França, onde há evidências de um grupo cristão anterior aos anos 70 d.C., quando começou a ser difundido o Evangelho. Esquisito que essa Sara Kali (que depois foi santificada).

Registros históricos

Muitos registros dão conta das primeiras missões evangélicas na Bretanha, creditando sempre essa iniciativa a São Felipe, apóstolo, e a José de Arimatéia. O eminente clérico Eusébio (260-340), bispo de Cesaréia, e Santo Hilário de Poitiers (300-367) escreveram sobre as primeiras visitas apostólicas à Grã-Bretanha. O cronista Gildas III (516-570) em seu De Excidio Britanniae, afirmava que os preceitos do Cristianismo foram levados à Grã-Bretanha pouco antes da morte de Tibério César, que morreu em 37 d.C. O arcebispo Isidoro de Sevilha (600-636) escreveu que “Felipe da cidade de Bethsaida, de onde também veio Pedro, pregou o Cristo aos galeses, e trouxe às nações bárbaras e seus vizinhos a luz do conhecimento…”, no que está de acordo com o que escreveu Freculfo, bispo de Lisieux, no século IX. Segundo Freculfo, São Felipe enviou uma missão da Gália para a Inglaterra para propagar a boa nova sobre a vinda de Jesus. No livro De Sancto Joseph ab Arimathea há a afirmação de que em 63 d.C, José de Arimatéia foi até Felipe, o apóstolo, que vivia entre os galeses.

Sarah Kali – em Saintes Maries-de-la-Mer

Parece não haver qualquer dúvida, entre os pesquisadores, quanto a presença de José de Arimatéia na Bretanha já a partir de 35-37 d.C., isto é, apenas dois a quatro anos após a partida de Jesus. É creditado a José de Arimatéia a construção da primeira capela acima do solo, a Capela de Glastonbury, na Bretanha, pois durante muitos anos (em outras partes) os cristãos ainda se reuniriam escondidos em cavernas, túneis e construções subterrâneas, o que só viria a mudar após a junção entre a comunidade dos primeiros cristãos e o Império de Roma.

O Vaticano inclusive, desde muito tempo, reconhece essa presença naquela região, como atesta o Annales Ecclesiasticae, escrito em 1601 pelo Cardeal Barônio, que afirma ter José de Arimatéia chegado à Marselha em 35 d.C., de onde seguiu com sua comitiva até a Inglaterra.

Há uma forte tradição na região de Provença, que reconhece a chegada de Maria Madalena, acompanhada de seus irmãos Marta e Lázaro, de José de Arimatéia e outras pessoas. Esta visão da história está em perfeita consonância com os registros reconhecidos e aceitos. Existe esse conhecimento, baseado na tradição local, de que Maria Madalena, vindo do Egito, chegou também acompanhada de uma menina, cuja tez morena, bronzeada pelo sol do escaldante Vale do Nilo, logo despertara a atenção de todos. Ao chegar em Provença, Maria Madalena trouxe consigo essa menina chamada Sara Kali. Muitos pesquisadores acham que essa menina era a filha que Madalena tivera no Egito.

Há, ainda hoje, uma forte adoração a Sara no Sul da França, que era especialmente significativa nos primeiros séculos da Era Cristã. Sara era retratada pelos artistas como tendo a pele escura, por isso o apelido Kali (negra) tomado emprestado do Sânscrito. Tornou-se muito adorada pelos ciganos desde então, pois estes são originários da Índia, e seu culto sempre foi proibido e seus devotos perseguidos pela Inquisição. A Inquisição sempre foi muito forte na Espanha e Portugal e, por extensão, tinha influência no Brasil.

Suspeitamos, inclusive, que a imagem de Sarah Kali tenha chegado ao Brasil, via Sul da França e Norte da Península Ibérica (Espanha e Portugal) e seu culto desencorajado por algum padre local que obrigou que se lançasse a imagem ao rio. Mais tarde, foi encontrada por pescadores, e adorada como Nossa Senhora da Aparecida, padroeira do Brasil.

Nossa Senhora da Aparecida

Da descendência de Maria Madalena na região do Languedoc (Provença) pouco se soube até bem pouco tempo, pois a Igreja engendrou uma verdadeira campanha para que os Reis Merovíngios (descendentes da Linhagem Sagrada) fossem riscados da História. Os reis Merovíngios eram conhecidos como Reis-Santos. Eram judeus, usavam cabelos e barbas compridos, ao estilo dos nazarenos e viviam em constante oração, praticando a virtude. Procuravam governar o povo na esfera espiritual apenas, e delegavam a administração dos afazeres políticos e mundanos a um oficial do governo. Apesar de reinarem no plano físico, a ênfase era colocada no “reinado espiritual” como o verdadeiro reino, seguindo, pois, os passos de Jesus. Adotaram como símbolos o Leão de Judá e a Flor-de-Lis, a qual viria a se tornar um símbolo da França.

Roldão estava coletando esse material pra colocar no seu site Idearium perpétuo, mas enquanto conversava, pensei: “bem que Irmão Bernardo podia dar uma mãozinha e trazer luz a esse assunto”. Pois bem: uma hora depois ele deu sua opinião, e foi um baita puxão de orelha em todos nós. Segue abaixo a transcrição:

Jesus Senhor Mestre Divino
Trazei laboratório espiritual para a cura do corpo e da mente

O Deus Todo-Poderoso veio ensinar, veio ficar do lado dos necessitados, dos pobres de espírito, dos cegos dos evangelhos, dos que têm sede de justiça. Lembrem que Jesus, quando veio à Terra, trouxe dentro dele a missão de renovar.

Não se preocupem com o que foi o Jesus, mas com o que é o Cristo. Jesus é o filho da verdade. O Cristo é a doutrina da espiritualidade. Jesus foi o discípulo do Cristo, pregando a Verdade e demonstrando a ressurreição. Tantos livros e sempre se preocupam com Madalena, com Judas, com Pedro, mas e com o Cristo?

E os outros filhos de Maria? Ela casou com um viúvo, e continuou tendo filhos. Quando Jesus disse “Mulher, olha para os outros filhos” estava se referindo aos irmãos dele. João Evangelista, que estava ao lado de Maria na cruz, era irmão de Jesus com o mesmo pai (José). Era quem Jesus mais amava da família, por ser puro, simples, o que tocara o seu coração. Mas quando uma mãe vê um filho sofrendo ela só olha para ele. Quando desencarnou, continuou a cuidar de seus filhos, desta vez os espirituais, como o são todos os brasileiros.

Sobre Maria Madalena, a inquisição mandou deturpar a palavra do Cristo na ceia larga, pois Madalena estava ao lado de Jesus, fazia parte do estudo evangélico de Jesus. Era abençoada pelo espírito e inteligência que ela tinha. Ela era uma mulher normal, mas não pecou contra a castidade. Não teve filhos com ele, era ela sua discípula, os dois andavam juntos, ela sendo como uma sacerdotisa. Os homens, na maldade, na deturpação da mente, dizem que Jesus era um homem igual aos outros. Mas não era. Só uma mente pervertida acreditaria que Jesus teria de ser igual a ele, sentir igual a ele.

Eu vos digo: dentro do estudo evangélico católico queimaram Maria Madalena. Só depois fizeram dela a Santa Madalena. O sofrimento de Jesus foi casto e puro. Os livros e pergaminhos dos séculos passados em que se baseiam as suposições contrárias não podem ser tomados por verdade absoluta. Se daqui a alguns séculos pegarem os livros que vocês lêem hoje, dirão que esta era uma geração de loucos.

A Verdade é uma só. É a força de Deus. A força da luz. Que se planta dentro de cada um de vocês e que pode se tornar fadas, bruxas, magos ou demônios.
Quando Cristo veio, expulsou os demônios. Ele não ditou normas nem leis. Nos ditou amor ao próximo. Ele disse que no dia do julgamento haverá os que se sentarão do lado direito do Pai e outros no lado esquerdo. Os da direita foram o que deram o prato de comida, que atenderam ao semelhante. Os da esquerda ouvirão “negaste o prato de comida”.

Respeitem o que é escrito pela inspiração da espiritualidade. Sejam discípulos de Deus, de Jesus, de Buda, de Krishna, de Chico Xavier. Quando chegar a hora certa, só ficarão os escolhidos. Os que respeitarem. Os que amarem. Os que sentam no lado direito são os que treinam a paciência e perseverança no Evangelho de Cristo.

Eu deixo a minha paz e dou a minha paz.

Abram o seu coração e sorriam, que o sorriso afasta o obsessor.

Irmão Bernardo

Confesso que senti uma certa associação do sexo com algo ruim, mas o que se poderia esperar de alguém que foi um padre inteiramente devotado de corpo e alma à causa católica? Mas gosto muito de Bernardo, porque ele sempre alerta que se deve dar prioridade ao espírito, e não ficar perdendo tempo discutindo bobagens materialistas, mesmo em se tratando de uma figura como Jesus. Já foi falado aqui nos comentários que, se Jesus tivesse arrotado durante o sermão da montanha, isso não teria alterado em nada a beleza espiritual do que ele falou. É nisso que precisamos nos concentrar, aprender e, principalmente, apreender.

Jesus histórico

Sei que o “normal” para a época em que Jesus viveu seria ser casado, mas definitivamente Jesus não era um homem normal, nem muito afeito a seguir os costumes de sua época (era como um hippie dos anos 60, questionador, agitador e lutando por um ideal de paz). Diversos homens tidos como “santos” escolhem o celibato independente de pressões externas ou costumes do país onde nasceram. Foi assim com Francisco de Assis, Buda, Gandhi, Chico Xavier e Sai Baba, entre outros.

Há uma tendência a, por meio destas “revelações históricas”, diminuir o papel espiritual de Jesus e realçar seu aspecto político, de Rei de Israel, onde ele teria usado seu carisma para se autodenominar Messias e assim liderar o povo para conseguir apoio político para destronar Herodes. Isso é difícil de afirmar ou negar completamente, porque vemos na Bíblia que seus próprios discípulos acreditavam que ele seria o Rei de Israel, que iriam pegar em armas contra Roma, e todo aquele povo que o recebeu com ramos dentro do Templo de Jerusalém também acreditava nisso: aquilo era uma recepção de Rei, e não de um salvador espiritual. Mas Jesus o tempo todo deixou bem claro (e isto está na Bíblia) que seu Reino não era deste mundo, e que a liberdade que ele veio trazer era a liberdade espiritual. Mas como convencer disso um povo cansado de ser escravizado e humilhado, e que vê na figura altiva de Jesus um líder arrebatador? O resultado disso é que o mataram, não porque ele se proclamou filho de Deus, mas porque era um perigo tanto para a elite judaica (Caifás e os sacerdotes, que iriam perder o posto – e a cabeça – caso Herodes perdesse o trono num levante popular) como para os romanos, que (de fato) evitaram um imenso banho de sangue ao abafar um possível levante logo no começo matando o que eles achavam ser o seu líder, porque eles não iriam perder o território de Israel mesmo que isso custasse a morte de todos os judeus (os Celtas, Visigodos e Saxões que o digam). Ao ser preso Jesus, a situação deve ter ficado muito tensa, mais ou menos como está no Iraque agora, com a tropa de ocupação romana cercada numa área da cidade controlada pela força, e grande parte da população revoltada com aquilo mas sem coragem (e condições) de agir, com apenas uma minoria (os Zelotes) cometendo “atentados terroristas”. Deixar Jesus vivo era perigoso, mas matá-lo também poderia causar comoção e revolta. Daí surgiu aquele jogo de empurra entre romanos e o Sinédrio judeu, e foi preciso criar a desculpa da “blasfêmia contra Deus” para que ele fosse “julgado” pelos próprios judeus. Mas, se assim fosse, ele teria de ser apedrejado, segundo as leis judaicas, e não morto na cruz (que é uma pena romana). Ou seja, essa encenação toda de Pilatos (lavando as mãos e soltando Barrabás) foi para tentar limpar um pouco a barra romana com o povo, e poder ao mesmo tempo cometer todas as perversidades que fizeram com Jesus para que ele servisse de exemplo para futuros pretendentes ao trono de Israel.

Não resisti a falar do Jesus histórico… mas é que para mim essa aproximação do Jesus de carne-e-osso só faz minha admiração por esse Homem espiritual aumentar mais e mais. NADA diminuiria a grandiosidade que foi este espelho de Deus na face da Terra, e que dividiu os séculos entre antes e depois de Jesus…

Referência:
Superinteressante – A lenda do Santo Graal é real?;
Santa Sara: A filha de Jesus Cristo e Maria Madalena
Idearium Perpétuo – A linhagem sagrada

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