ORÁCULO E A ESCOLA

Oráculo é como uma professora do primário. Ela é formada, e tal, mas ensina no primário, pra crianças nessa faixa. E nós, nesse planeta, estamos numa espécie de primário / colegial, onde temos que aprender os fundamentos e aplicá-los em nossa vida, e o maior deles é amar. Amar não só o semelhante, como o não-semelhante, pois todos provêm de uma só fonte. Respeito, caridade, compreensão, paciência, tudo isso é amor. E é isso que Oráculo vem nos lembrar, pois ela quer que nós passemos pra Universidade. Acontece que muitos de nós já repetiram de ano tantas vezes que já estão adentrando em assuntos do colegial, só que ainda empacando (por teimosia, ou preguiça) em algumas matérias do primário. E outros que fizeram tanta besteira quando chegaram na Universidade que foram mandados de volta pro primário pra reaprender.

É por isso que, ao lado de pessoas completamente “verdes”, leigas quanto a espiritualidade, temos pessoas altamente evoluídas, o que não quer dizer que estas últimas sejam melhores que as primeiras nem que sejam mais espiritualizadas. Lembre-se: afinal, o que estas pessoas tão espiritualizadas estão fazendo aqui no primário/colegial, compartilhando de muitas de nossas burrices? Se não são almas caridosas que vieram só pra ajudar mais efetivamente (Bodhisattvas), então em alguma coisa elas reprovaram que precisam aprender só aqui. O interessante desse sistema kármico é que estas pessoas, enquanto aprendem (ou tentam), também ensinam, queiram ou não, pois trazem conhecimento (que pra eles é banal) pra pessoas que nunca viram isso. O grande risco são essas pessoas mais simples endeusarem aquelas que detêm conhecimento, assim como as alunas do colegial ficam apaixonadas pelos professores. Só que o conhecimento não é a chave para a evolução, e sim a transformação interior, que possibilita a aplicação do conhecimento. De que adianta saber tudo sobre os mundos espirituais, Devas, Querubim, Seraphim e não se harmonizar com as pessoas da própria família? Ou não compreender e perdoar aqueles que lhe atiram pedras?

É por isso que Oráculo não tem (nem nunca quis ter) a pretensão de trazer grandes conhecimentos do plano espiritual pra nós. Eu que sou curioso e fico insistindo pra ela falar mais sobre isso. Ela sorri, e consulta mentalmente alguém (provavelmente os “diretores do colégio”) pra ver se tem permissão pra falar ou não, e ainda assim fala muito pouco, e de forma bem simples. Daí eu vou atrás do conhecimento esotérico de outras fontes (afinal, veio muita gente de outras Universidades que deixaram valiosos conhecimentos pra nós) e faço esses posts, porque eu sim tenho uma pretensão bem pretensiosa desde pequeno: fazer convergir todo o pensamento religioso, esotérico e científico pra um ponto que seja simples e compreensível (não quero nada, né?). Mas não estou sozinho nisso. Vejam que até mesmo as revistas informativas (Galileu, Superinteressante, Época) têm tocado bastante no assunto religião, desmistificando-o e trazendo-o à luz da ciência. E, com a ajuda dos outros blogueiros que buscam o conhecimento e a boa aplicação do conhecimento, vamos todos aprendendo que não existe nada de novo sob o Sol, nem um só caminho, nem uma só Verdade.

Acho que estamos diante do alvorecer de uma época onde a pessoa não terá uma religião, e sim um conjunto de valores religiosos, extraídos de onde a pessoa mais se identificar (Tao, Budismo, Cristianismo, Judaísmo, ou mesmo uma mistura de todos). O cristianismo poderia então se desvincular dos dogmas que são impostos pelas igrejas a quem quiser ser cristão, e que não estão abertos à discussão (como o monoteísmo, a virgindade de Maria e a ressurreição, que não influem em nada na beleza do ensinamento de Jesus); o budismo se desvincularia de Buda (e todo a mística hindu que veio de carona, as estátuas, os mantras e os mudrás, que são muito úteis para os iniciados, mas inúteis pra aplicação prática do básico do Budismo); e o judaísmo desvinculado da figura dos Judeus (e todos os seus ritos vinculados a apenas um povo e uma crença. Afinal, por que guardar tanta sabedoria cifrada somente para o entendimento de alguns “escolhidos”?).

O que vai sobrar é a mensagem. Tão simples, e ainda assim tão difícil de pôr em prática…

Me lembro que sempre discutia com os professores de religião e com as professoras da escola dominical, e a resposta deles era sempre que “fora de Jesus não há salvação” e isso foi me irritando ao ponto que eu fiquei com raiva de Jesus e da Bíblia (porque esses professores eram meus intermediários entre o cristianismo e eu). Mas aí eu assisti a Jesus Cristo Superstar e vi um Jesus leve, dinâmico, um hippie, em comunhão com Deus e com a natureza, e aquilo me encantou. Era de fato alguém que encontrou Deus, e não um professor rígido e com olhos tristes, como a Igreja vende até hoje. Ou mesmo aquele Jesus sangrando e pregado na cruz, sofrendo pra dedéu. Dá até vontade de arrancar ele de lá, que nem o INRI Cristo fez. “Cristo sofreu e morreu por você” é o argumento (chantagem) que usam pra nos convencer. Nos inserem uma culpa, um remorso, pra poder aceitar o cristianismo. A pessoa acaba aceitando pro forma, mas não na prática. Quantos católicos cuja aceitação foi tácita temos pelo Brasil? E quantos podem ser definidos verdadeiramente como cristãos?

Jesus legal
Meu herói!

Fui amadurecendo, e vi A última tentação de Cristo, e percebi o quanto de responsabilidade estava nas costas dele, e o quanto o caminho pra iluminação pode ser penoso. Depois li Operação Cavalo de Tróia e aí então Jesus virou meu herói. O livro me deu a profundidade histórica necessária pra que eu pudesse entender o contexto em que Jesus estava inserido, e isso enriqueceu infinitamente todos os ensinamentos de Jesus, permitindo ver o quanto de perspicácia, bom humor, diplomacia, liberdade, amor e compaixão (além de uma visão muuuuuuito à frente de seu tempo) ele veio trazer ao mundo, numa época onde só os “doutores da lei” é que podiam falar de (e com) Deus. Jesus era totalmente outsider, avesso às convenções religiosas dogmáticas; um cara desses não poderia ser fundador da Igreja Católica nem aqui nem na China!

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