ONTEM ESCAPEI DE MORRER 2

Parece que a turma da espiritualidade tá pegando pesado com o velho Acid aqui… Mas tudo bem, como grande apreciador que sou do humor negro (mesmo que seja comigo) eu tenho levado tudo na esportiva. Especialmente o assalto do qual fui vítima ontem à noite.

Velhas lembranças me acodem à mente, quando no dia 20 de junho de 2002, iniciei o blog com um emocionante relato de assalto à mão armada. Mais uma vez enveredo no mundo do crime (sempre no papel de vítima) para contar em sórdidos detalhes todo o ocorrido.

19 horas. Engarrafamento na Ponte do Limoeiro, no Bairro do Recife Antigo. Chovia fino lá fora, mas isso não impediu que cara sem camisa e com uma blusa nas mãos chegasse perto do meu carro, vindo por trás. Preso no trânsito, pude apenas lembrar de meu lema nessa situações: “relaxe e goze”. Desembrulhou a camisa para me mostrar a arma (que não era de plástico), e calmamente (desta vez meu cérebro não entrou em pane) levantei as mãos. Ele mandou abaixar o vidro, o que fiz, e pediu carteira e celular. Eu dei a carteira, dizendo que não uso celular. Obviamente, o mala não acreditou que o mauricinho que anda de Peugeot 206 não use celular, e vociferou, enquanto ameaçava tirar a arma do embrulho: “tais mentindo, seu…” (não deu pra ouvir, pois nessa hora eu gritava mais alto que ele “EU NÃO USO MESMO NÃO! SÉRIO!” e tirava do meu bolso todas as minhas contas a pagar). Parece que ele se convenceu, pois olhou para a carteira e foi indo embora, quando o sonso aqui ainda perguntou: “posso ficar com os documentos?”. O rapaz parou, e me dirigiu um olhar que era um misto de compaixão e surpresa, como se pensasse: ou esse cara é muito corajoso, ou muito idiota mesmo…

Se virou, e foi embora na noite chuvosa, sob o olhar atento do comparsa na bicicleta, logo à frente. Ainda gritou “tem dinheiro aqui?” ao que gritei em resposta “TEM SIM!”, com a inflexão de voz como se lá dentro tivesse uma fortuna.

Mas espere! Nossa aventura não termina por aqui! Me evadi do local em alta velocidade, procurando desesperadamente uma viatura da polícia. Achei um posto policial 1km à frente e relatei tudo aos PMs, que decidiram emboscar os meliantes utilizando-se para isso do meu carro. E fomos eu e dois PMs, um com um 38 e outro com uma sub-metralhadora (parecida com a MP-5) à caça dos bandidos!

Voltamos o percurso, e eles ainda estavam na esquina!!!!!!!!!!!!!

Não tinha muita certeza se eram eles, mas por ordem dos PMs, tive de arrodear, pois era contramão, movimento intenso do trânsito, e tal, e nisso eles viram meu carro com os dois policiais. Ao sair da vista deles, pra fazer o retorno, dei de cara com outro engarrafamento. Então fiz eu mesmo meu próprio retorno, passando por cima da calçada divisória. Mas, quando voltei, eles já não estavam mais lá, óbvio…

Ainda ficamos meia hora procurando-os nas redondezas… Fiquei pensando: se os policiais resolvessem descer do carro naquela hora em que viram eles, ia rolar um tiroteio besta na MINHA direção… e graças ao meu senso de justiça (ou falta de senso de preservação) agora irritei dois assaltantes, que estão com meu endereço, telefone, local de trabalho, etc.

Cenas dos próximos capítulos:
E o velório de Acid foi um acontecimento marcante. Milhares de internautas participaram do primeiro enterro virtual da internet. Centenas de GIFs de flores e velas inundaram os comentários do blog, ao som da funesta música de Demon’s Crest.


Mas a moral da história vem agora. Hoje eu fui resolver a documentação, sustar cheque, e tal. Ao pedir uma segunda via da carteira de identidade lá no trabalho (é, nós possuímos carteira própria, válida em todo o Brasil!) ouvi a mulher do Recursos Humanos dizer que estavam sem o modelo de documento, aguardando licitação, e que não havia previsão. Nesse momento (e só nesse momento) me veio à cabeça uma certa conversa que tive com uma senhorita do Setor de Compras há apenas 3 dias, quando ela chegou no meu setor perguntando se tínhamos o modelo da carteira de identidade que EU havia gasto meses criando, elaborando e desenhando, e confiado o CD a ela (com a recomendação de que cuidasse muito bem dele). Pois ela havia perdido!!! E eu, emputecido da vida com o descaso dela para com o documento, fiz questão de esquecer o pedido dela de que eu procurasse em casa ou nos arquivos se ainda tinha o modelo, “afinal” – pensei – “eu já tenho minha carteira, eles que se virem pra fazer outra”.

Tcharãããããããã!!! Pois é, e desde essa “súbita lembrança” que eu estou com um sorriso bobo na cara. É, eu realmente aprecio a fina ironia da vida…

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