I SEE DEAD PEOPLE

Hoje estava saindo do trabalho quando, me ajeitando dentro do elevador apertado, noto uma mulher me olhando feio. Pensei “acho que pisei no pé dela, só pode”. Então exteriorizei um escudo de luz ao meu redor, para rebater os pensamentos negativos direcionados a mim. Na mesma hora a mulher começou a gemer “Socorro, Jesus, não faz isso comigo não! De novo não. Valei-me” e a mulher do lado dela falando “não começa não”. Eu me segurei pra não rir (o cara do lado não se segurou) e quando o elevador abriu a mulher saiu correndo, estalando os dedos como os pais de santo fazem pra tirar espírito.

A mulher com certeza não era lá muito boa do juízo, mas acho que ela viu algo. Só não sei se algum espírito acompanhante meu ou meu escudo de energia… Não é raro algumas (ou muitas) pessoas andarem com espíritos à tira-colo. Geralmente doadores espontâneos de energia (conhecidos como médiuns de efeitos físicos) atraem naturalmente espíritos dos mais diversos, que se sentem bem perto dessa pessoa. A consequência disso é que as pessoas que só vêem espíritos em momentos especiais acabam vendo por conta da baixa vibração em que o espírito mergulha após tomar um porre de energia animal.

Desconfio ainda que a mulher seja crente, e que tenha buscado a religião justamente pra afastar os “demônios” que ela vê. Não me admira que ela tenha entrado em pânico dentro do elevador… eu teria feito o mesmo se visse alguém morto.

Agora, que o conhecimento da vida após a morte ajuda a superar esse fardo de ser médium vidente, ajuda. Um exemplo vivo disso é uma ascensorista (também conhecida como piloto de elevador) que conheci: ela vê gente morta naturalmente, andando pra lá e pra . Aliás, só descobri esse dom dela porque ela me ajudou em um momento crítico em minha vida, em 2001: quando eu vi alguém morrer bem na minha frente, e o espírito do recém-falecido me seguiu até o trabalho.

Eu venho tentando contar essa história desde o começo do blog, em 2002, mas na hora H não consigo teclar… agora abro um enorme parêntese pra contar esse fato:

Começou assim: estava dirigindo para o trabalho quando, ao estar estacionado no sinal com vários outros carros, uma caminhonete passou correndo (voando!) pelo acostamento. Olhei para a faixa de pedestres e não pude fazer nada além de olhar um rapaz na bicicleta que atravessava despreocupadamente, não olhando para os lados. A caminhonete o acertou em cheio na cabeça, e ele rodou no ar. O motorista freou, desceu do carro tranquilamente, arrastou o corpo do rapaz pelas pernas e o jogou como um saco de batatas na parte traseira. Enquanto isso todo tipo de emoção passava pela minha cabeça: primeiro o horror de ver o acidente; depois a vontade de ajudar (cheguei a abrir a porta do carro, mas minha perna tremia); depois a revolta com a despreocupação do motorista; a vontade de descer para esmurrá-lo, e por fim a certeza de que o rapaz estava morto ao ver a imensa faixa de sangue que ficou no asfalto enquanto o assassino o puxava.

Só me restava o sentimento de justiça. Peguei a placa do carro e tentei segui-lo para denunciá-lo na hora em que fosse ao hospital, mas o carro dele corria demais e acabou sumindo. Então fui ao trabalho e liguei para a polícia. Achava que isso aliviaria minha consciência, mas não resolveu. Estava nervoso. Gritei com todo mundo lá no trabalho e não conseguia tirar a imagem daquela morte da minha cabeça (ficava como em looping) e a palavra “justiça” ecoando em minha mente. Tentava justificar a mim mesmo dizendo “fiz tudo o que podia”, mas algo me cobrava mais. Tentei mantra, mudrás, meditação, respiração, tudo. Fiquei por 1 hora no estacionamento em contato com a natureza e acabei melhorando. Resolvi que o melhor jeito de esquecer isso era me absorvendo no trabalho, e assim o fiz.

Aí começaram as sincronicidades: eu trabalhava prestando suporte de informática, e peguei o primeiro papel de uma pilha de chamados. Era o único local da empresa onde tinha um espírita (que eu sabia), e o chamado era exatamente dele. Fui até lá, ele não estava. Então decidi esperá-lo. Sentei na mesa dele e vi perto do computador o Evangelho segundo o espiritismo. Peguei-o e comecei a ler, calmamente. Não lembro qual trecho era, porque a essa altura já estava achando estranho a faxineira, que estava limpando o corredor e entrou na sala assim que eu entrei. Agora ela me olhava com curiosidade, como se eu fosse um ET. Continuei na minha, lendo.

Então ela se aproximou e tirou do bolso um daqueles textos que os espíritas dão no sinal, com alguma mensagem. Ela entregou e disse: “tome, você vai precisar.” E o texto era algo sobre o perdão. Nesse momento eu desabei: comecei a chorar assustadoramente, praticamente urrando (até hoje não sei como fiz isso na frente das outras pessoas da sala… acho que não era eu). As lágrimas saltavam, enquanto ela segurou minha mão e então começamos a orar o Pai Nosso. Ao terminar, já estava bem novamente, e ela falou que vieram irmãos de luz e levaram o rapaz (A partir daí não fiquei mais com aquela angústia interna que me atormentava). A parte engraçada é que, quando olhei pra trás vi o pessoal que trabalhava na sala, todos estavam amontoados no extremo oposto, com os olhos esbugalhados. Saí de lá calado. Não adiantava explicar mesmo…

Não preciso dizer que a faxineira se tornou minha amiga. Só no outro dia é que perguntei a ela COMO que ela sabia. Ela me disse então que, quando eu entrei na sala, ela viu um rapaz chorando entrar atrás de mim. Ele ficou o tempo todo perto, sem saber o que fazer, enquanto eu lia.

Ela também me contou algumas histórias curiosas do local onde trabalho, e certo dia, quando ela já estava trabalhando como ascensorista, ela me saudou como “está feliz hoje, hein?”. Falei “sim, como sabe?” e ela “Tem um lindo espírito luminoso de mulher do seu lado”. Imaginei na hora se seria a minha avó (que disse uma vez que estava sempre comigo) mas não tive coragem de perguntar o nome a ela.

Por falar em minha avó, o neto de 7 anos da secretária da minha mãe (e de minha avó, enquanto viva) também vê espíritos normalmente, e reage com a naturalidade de quem já nasceu com esse dom. Já viu diversas vezes minha avó (que ele também chama de vó, já que ele foi criado com ela) e quando perguntado se não tem medo respondeu: “e eu lá vou ter medo da minha vó?”. A avó verdadeira dele é evangélica, e ambos vão aos cultos. Numa sessão pra “tirar demônio” ele observava o “demônio” ao redor da pessoa. Após muito trabalho do pastor, quando ele “livrou pela palavra de Deus” a mulher do demônio, o menino falou pra avó: “o homem mau saiu de perto dela, mas está só esperando ela sair, lá na porta. Mas não fala isso pro pastor não, que ele vai ficar tão triste…”

Espero que quando o garoto crescer ele vá ajudar lá no culto… pessoas que vêm à Terra com essa habilidade não nascem assim por acaso (não existe acaso). Pode ser uma medida desesperada dos mentores para que a pessoa deixe de ser tão materialista, ou um incentivo aos estudos do espírito, ou ser um ajudante da família, ou mesmo de espíritos estranhos (um socorrista, como a ascensorista).

Deixei de lado o medo do ridículo e contei minha história toda. Tal realidade deve ser de conhecimento de todas as pessoas. É o medo do ridículo que faz a pessoa com algum tipo de mediunidade se isolar, por vezes até enlouquecer, sem alguém que a apoie e entenda. Certa vez fui a uma clínica de repouso para gente com boas condições financeiras e o que vi foram apenas médiuns. Num estado de loucura, certamente, mas todos com mediunidade auditiva, visual ou de intuição aguçada (energética). É preciso carinho e compreensão com pessoas mais sensíveis. Elas devem ser tratadas de forma especial, pois até mesmo o simples fato de ir a um lugar não muito bom energeticamente (motel, danceteria) pode ser terrível para elas. Hoje em dia as pessoas “normais” olham pra elas como uma criança que olha pela primeira vez um peixe se debatendo fora d’água, com um misto de espanto, curiosidade e morbidez (pensando “o quanto ele aguenta?”), e só depois que ele morre é que a criança aprende que os peixes não devem ser tirados da água. Espero que um dia a mediunidade seja comprovada cientificamente e essa ignorância possa ser dissipada globalmente. Existem milhares (talvez milhões) de pessoas com alguma capacidade de ver ou sentir “além da Matrix” e que não dizem isso a ninguém por medo de não serem compreendidas, ou até mesmo de se acharem loucas! Isso não é loucura! Loucura é mandar milhares de pessoas para a morte somente pra conquistar uma grande reserva de Petróleo…

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