NIKOLA TESLA

Nikola Tesla, a biografia do maior gênio de todos os tempos

Aquele celeiro com uma torre de 27 metros de altura guardava segredos incríveis. Pouco se sabia sobre o que estava acontecendo lá, mas uma coisa era certa: era algo que beirava o sobrenatural.

Estamos em Colorado Springs, nos Estados Unidos. O ano é 1899. A população de Colorado está curiosa sobre o que este grande inventor está tramando, mas respeita os sinais ao redor do perímetro onde está escrito: “MANTENHA A DISTÂNCIA – GRANDE PERIGO”. Mesmo assim, eles logo sentem os efeitos da experiência. Faíscas saem do chão conforme eles andam pelas ruas, penetrando em seus pés pelos sapatos. A grama ao redor do prédio brilha com uma pálida luz azul. Objetos de metal segurados próximos a hidrantes descarregam raios elétricos em miniatura a vários centímetros de distância. Lâmpadas acendem espontaneamente a quinze metros de sua torre sem nenhum contato com fios e mesmo com interruptores desligados. É uma cena esquisitíssima!

Seus assistentes montaram um laboratório único nos arredores da cidade, que parecia mais com um grande celeiro embaixo de uma torre. Este era o “Transformador Amplificador”, que dizem ser a maior de suas invenções. Naquele momento estavam apenas sintonizando o equipamento. Estes eram os efeitos colaterais do ajuste do transformador amplificador à Terra. Uma vez que ele estava adequadamente calibrado, o cientista estava pronto para conduzir a maior obra de sua carreira, usando todo o planeta como cenário.

Numa noite de 1899, o cientista aciona sua máquina em força total na esperança de produzir um fenômeno que ele chamará de “crescente ressonante”. Sua torre descarrega na Terra dez milhões de volts. A corrente atravessa o planeta na velocidade da luz, forte o bastante para não morrer antes do final. Quando ela chega ao lado oposto do planeta ela é rebatida de volta, como círculos de água voltando à sua origem. Ao voltarem, a corrente está bem fraca, mas o cientista emite uma série de pulsos que se reforçavam um ao outro, resultando em um forte efeito cumulativo.

A crescente ressonante manifesta-se como uma demonstração de raios que ainda estão até hoje catalogados como a maior descarga elétrica da história. A corrente de retorno forma um arco voltaico que eleva-se ao céu por 19 metros. Trovões apocalípticos são ouvidos a 33 km de distância. O cientista, antes preocupado com a possibilidade de haver um limite para a geração de descargas ressonantes, descobre, naquele evento, que o potencial é ilimitado. A experiência faz com que o gerador de força de Colorado Springs incendeie e isso faz com que o fornecimento de energia, antes gratuito para as suas experiências, venha a ser interrompido.

O cientista dessa história é Nikola Tesla, nascido em 9 de julho de 1856, na vila de Smiljan, na Croácia, exatamente à meia noite. Desde o início de sua infância ficou claro que Tesla era uma mente extraordinária. Seu pai, Milutin Tesla, o ajudou a fortalecer sua memória e raciocínio através de uma grande variedade de constantes exercícios mentais. Sua mãe, Djouka Tesla, vinha de uma longa linhagem de inventores. Tesla tornou-se famoso por suas palestras ao demonstrar invenções e conceitos como mágica. Os leigos ficavam encantados pelos raios elétricos que saíam de suas bobinas brilhantes, e lâmpadas sem fio que se acendiam ao entrarem em contato com sua mão. Isso fez com que Tesla ficasse conhecido como um ilusionista, tamanho o espanto que provocava.

A transmissão sem fio de energia elétrica torna-se a maior pesquisa de sua carreira. Descobre que um tubo de vácuo colocado em proximidade com uma bobina Tesla instantaneamente começa a brilhar, sem fios e nem sequer um filamento dentro do tubo brilhante.

Ele tornou-se um cidadão norte-americano em 1891, e sua nova tecnologia seria seu presente de agradecimento para seu país adotivo: Um meio de transmitir energia instantaneamente, através de qualquer distância, pelo ar. Energia grátis para todos. Aqui Tesla comete o seu primeiro e o pior de todos os seus erros. Ser um humanista na terra onde o capitalismo fez sua morada. Os americanos queriam a inteligência de Tesla para ganhar dinheiro, não para fazer solidariedade. J.P. Morgan e Westinghouse detestavam ouvir falar na palavra “grátis”.

O EFEITO DANE

Tesla considerava Dane, seu irmão mais velho, superior em todas as coisas. Tesla era proibido de montar o cavalo branco de Dane por ser muito pequeno. Certo dia, Tesla usou uma zarabatana para atirar uma semente no cavalo enquanto seu irmão montava. Dane caiu e morreu em seguida. O remorso o perseguiu por toda a sua vida, e não importa o tamanho de suas descobertas, ele sempre acreditou que Dane faria melhor.

Tesla sofria particularmente de um mal no qual flashes de luz apareciam diante de seus olhos, acompanhados de alucinações. Na maioria dos casos, as visões estão ligadas a uma palavra ou item que ele poderia vir a encontrar no futuro; simplesmente ao ouvir o nome do item, ele involuntariamente o visualizava em perfeitos detalhes. Quando ele atingiu sua adolescência aprendeu a reprimi-los. Quando eles ocorriam, tinham uma natureza que poderia ser descrita como psicótica.

Uma vez Tesla tentou nadar por debaixo de uma estrutura que se estendia além do que ele havia imaginado. Viu-se preso debaixo d’água, sem sinal da superfície, então um flash apareceu e com ele Tesla viu uma pequena abertura que levava a um bolsão de ar. Sua visão estava correta, e sua doença o salvou de uma morte certa. Quando seus pais morreram, Tesla afirmou ter tido uma premonição detalhada do que aconteceria.

Acometido de cólera, Tesla procurou ocupar sua mente lendo tudo o que era capaz. Nessa época lê “Innocents Abroad“, de Mark Twain, e fica cativado pelo humor e humanidade descritos no livro. Anos mais tarde, nos Estados Unidos, Tesla encontra o autor e o agradece por salvar sua vida. Samuel Clemens (o nome verdadeiro de Mark Twain) torna-se um dos poucos amigos pessoais de Tesla.

Mark Twain (centro) no laboratório de Nikola Tesla (esq)

O inventor passou por outro trauma debilitante poucos anos depois de sua recuperação da cólera. Desta vez, a natureza da doença e suas causas eram um completo mistério. Os sentidos físicos de Tesla, que sempre haviam sido excepcionalmente aguçados, inexplicavelmente tornaram-se hipersensíveis. O tic-tac de um relógio de pulso o ensurdecia, mesmo a vários quartos de distância. Ele usava almofadas de borracha nos pés de sua cama para aliviar as vibrações das pessoas que passavam fora do quarto. Para ele parecia um terremoto. A exposição à luz era dolorosa, não somente a seus olhos, mas também a sua pele. Tempos depois a hipersensibilidade volta ao normal e com isso ele teve um insight que lhe permitiu inventar o motor de corrente alternada.

As dificuldades fisiológicas e emocionais de Tesla o fizeram um homem de mente brilhante e excêntrico. Detestava contato físico com outras pessoas e tinha raiva quando tocavam seu cabelo. Para evitar um aperto de mãos, ele mentia dizendo que havia se acidentado. Ele nunca teve uma relação amorosa de qualquer tipo. Uma mulher certa vez tentou beijá-lo e ele saiu correndo. Ainda assim, Tesla exibia uma clara apreciação por mulheres e exigia que suas secretárias se vestissem bem. Suas empregadas mulheres não podiam usar pérolas, pois ele, por algum motivo desconhecido, as achava repugnantes.

Tesla parecia ter T.O.C. (Transtorno-Obsessivo-Compulsivo). Tudo ele fazia em três partes ou etapas. Quantidades de 27 eram as suas prediletas, pois é 3 ao cubo. Tesla calculava o peso da comida antes de ingeri-la. Media as porções com uma régua e mergulhava pedaços na água para determinar quantos centímetros cúbicos eles tinham. Gostava de bolachas de sal por causa da uniformidade de volume que elas apresentam. Tesla esquecia de comer e trabalhava por dias sem dormir. A certa altura, sua devoção ao laboratório lhe causou tal stress que ele se esqueceu de quem era por vários dias.

JUVENTUDE

Tesla assumia que só tornara-se um inventor ao atingir a maturidade. Ele descontava seus anos de infância e adolescência como uma época de impulsos indisciplinados, completamente fora de foco. Porém, ele chegou a inventar uma série de mecanismos quando criança. O primeiro foi um simples mecanismo com uma linha e gancho para pegar sapos. Todos os seus amigos o imitaram e, de fato, a invenção funcionava tão bem que a população local de sapos foi quase totalmente erradicada. Ele também construiu um moinho a água em miniatura aonde a roda era impulsionada sem pás.

Em sua juventude, Tesla criou uma máquina movida a insetos voadores. Ele os grudava às pás de um mecanismo e estes, ao tentarem sair, moviam o mecanismo. Esta invenção foi especialmente bem sucedida porque os insetos escolhidos não paravam de tentar escapar até que tivessem morrido todos, assim movendo o mecanismo por horas a fio. Tudo correu bem até que uma outra criança, filho de um soldado Austríaco aposentado, veio e comeu a maioria dos insetos vivos. Após presenciar este espetáculo, Tesla adicionou à sua lista de idiossincrasias o fato que ele nunca mais tocou em qualquer inseto.

TESLA ALUNO

Tesla iniciou sua educação superior no instituto politécnico de Graz, perseguindo o estudo no tópico que mais o fascinava: eletricidade. Ele estudava muito, quase durante todo o dia, em uma rotina que ia das 3:00 da manhã às 11:00 da noite todos os dias. Sonhava em ir para a América e conhecer Thomas Edison.

Aluno extraordinário, irritava seus professores, questionando o status quo tecnológico com um insight que por muito superava o de seus instrutores. Ele era contra a idéia de que a corrente contínua era o único meio de distribuir energia elétrica. Essa corrente era ineficiente e incapaz de transmitir energia a longas distâncias. Deveria haver um outro método. A idéia da corrente alternada era vista pela comunidade científica com descaso, em muitos aspectos tal como a fusão a frio é hoje.

A VISÃO

Durante seu curso superior, seu pai teve um ataque cardíaco e Nikola voltou para casa. Seu pai morreu logo após. Tesla nunca retornou à escola politécnica. Sem dinheiro para financiar sua instrução, ele tornou-se um operador de telégrafo. Tesla desesperou-se por sua educação interrompida, mas continuou com seu sonho de ir à América e tornar-se um pioneiro na energia elétrica. Foi nesta ocasião que Tesla passou por seu período de hipersensibilidade, que o reduziu a um inválido. Considerando a depressão pela qual ele estava passando, é quase certo que este mal teve uma origem psicossomática. Qualquer que seja sua causa, porém, ele teve uma poderosa nova visão, de como a corrente alternada finalmente poderia ser atingida.

Sua visão foi: Duas bobinas, posicionadas em ângulo reto e alimentadas com uma corrente alternada à noventa graus de fase entre si poderiam fazer um campo magnético girar, sem a necessidade do comutador utilizado em motores de corrente contínua. Tesla sabia que isto iria funcionar. Construir o aparato em sua mente e fazê-lo funcionar já lhe dava prova suficiente.

Este era o método de Tesla para desenvolver invenções através de toda a sua carreira: sem cadernos, diários ou protótipos. Possuía memória fotográfica, e sua capacidade de transformar idéias em visualizações concretas, que o tinha transtornado durante a juventude, havia finalmente se voltado a seu favor. “No momento em que uma pessoa constrói um aparelho para levar a cabo uma idéia crua, ela se encontra inevitavelmente envolvida com os detalhes deste aparelho”, Tesla escreveu em sua autobiografia. “Conforme ele procede em tentar melhorar e reconstruir o aparelho, sua força de concentração diminui e ele perde de vista o Grande Propósito”.

ENCONTRO COM THOMAS EDISON: O HOMEM QUE IRIA AJUDAR A DESTRUI-LO

Em 1882 ele arrumou um emprego na Companhia Continental Edison em Paris, distinguindo-se como um bom engenheiro. Dois anos mais tarde, transferiu-se para a matriz em Nova York, onde o trabalho de Tesla para Edison começou como simples engenheiro eletricista instalando e reparando lâmpadas incandescentes e rapidamente progrediu para a solução de problemas mais difíceis como remontar geradores de corrente contínua e até projetar vinte e quatro diferentes tipos de máquinas que acabaram se tornando padrões na empresa. Enfim, ele estava pronto para conhecer o presidente da companhia: o próprio Thomas Edison.

Mas este encontro não foi bom como havia sonhado. Edison o observou com desprezo e certamente não tinha intenção em colaborar com qualquer esquema AC (Alternating current, ou Corrente alternada). Edison via AC como uma ameaça a seu império DC (Direct current, ou Corrente direta). Tesla ofereceu-se para aumentar a eficiência de dínamos em 25% em dois meses. Edison disse a ele que, se assim conseguisse, ele lhe pagaria cinqüenta mil dólares. Depois de meses de trabalho intenso Tesla conseguiu cumprir com a promessa, melhorando os dínamos por uma margem maior do que a prometida a Edison. Mas, quando pediu por seu pagamento, Edison recusou-se a honrar o acordo, dizendo que estava apenas “brincando”. Tesla demitiu-se e nunca mais trabalhou com Edison.

Logo após romper com Edson, encontrou Rahway, que o apoiou em sua ideia de arco-iluminação. Mas, assim que o empresário encontrou um método lucrativo, Tesla foi demitido, sendo então obrigado a voltar para Nova York, onde começou a cavar valas para os cabos de conexão da Western Union Telegraph Company, onde seu supervisor, Alfred S. Brown, pôde perceber a capacidade do inventor em relação às correntes e assim formou-se um grupo de investidores que desejavam vender a lâmpada de arco que Tesla havia inventado, e assim nasceu a Companhia Elétrica Tesla. Tesla estava ansioso por esta oportunidade de trazer a corrente alternada ao mundo, mas seus investidores nada queriam com ela. Assim, Tesla foi rejeitado pela companhia que tinha seu próprio nome. Esta empresa logo entrou em dificuldades e suas ações rapidamente perderam o valor, deixando Tesla falido, e sem seus direitos sobre a lâmpada de arco.

SALVO DO SUICÍDIO

Na bancarrota, uma das mentes mais brilhantes do mundo estava reduzida a trabalhos braçais faturando um dólar por dia. Planejou cometer suicídio no seu trigésimo aniversário, à meia noite em ponto, hora do seu nascimento. Antes que isso ocorresse, porém, A. K. Brown, da Western Union, soube da situação de Tesla. Brown, determinado a devolver o gênio a seu lugar no mundo, ofereceu-lhe um laboratório próprio e a chance de pesquisar a corrente alternada.

Salvo, Tesla imediatamente começou a trabalhar em seu dínamo AC. O dínamo funcionou exatamente como previu todos estes anos dentro de sua mente. Tesla demonstrou sua invenção ao público, e logo tornou-se a sensação da comunidade de engenheiros. Dentre os convertidos por suas palestras sobre corrente alternada estava George Westinghouse, que negociou com Tesla a fabricação dos dínamos. A primeira aplicação desta tecnologia: As cataratas do Niágara. Westinghouse venceu a concorrência governamental para a utilização do Niágara, oferecendo metade do que Edison ofereceu para a instalação de um sistema DC. Em 1895, o sistema de energia AC de Niágara foi inaugurado sem uma única falha, transmitindo energia até Buffalo, a aproximadamente 33 km de distância, uma total impossibilidade com a corrente contínua. Nas placas dos geradores, foi gravado o nome de Tesla. Não mais uma comodidade luxuosa reservada aos ricos, a energia elétrica agora era para todos.

Pela primeira vez em sua vida, Nikola Tesla era imbatível. Mas era o início da Guerra das correntes.

A GUERRA DAS CORRENTES

Thomas Edison realizou uma campanha para desestimular o uso da corrente alternada, inclusive divulgando notícias de acidentes fatais e ao pedir votos contra o uso da corrente alternada em legislaturas estaduais. Edison ordenou que seus técnicos comandassem demonstrações públicas nas quais cachorros e gatos vadios, mas também bois e cavalos eram mortos com a corrente alternada. Sob essas ordens, eles foram à imprensa para demonstrar que a corrente alternada era mais perigosa que o sistema de Edison de corrente contínua. Edison também tentou popularizar o termo being electrocuted (ser eletrocutado) como ser “Westinghoused“, pra manchar o nome da concorrente. O espetáculo mais nefasto foi um vídeo que fizeram eletrocutando a elefanta Topsy, que recentemente tinha matado um homem. Eles ainda ganharam dinheiro com o vídeo, que era passado em Cinescópios operados por moeda (invenção dos laboratórios Edison).

Mas não parou por aí. O desejo de Edison de rebaixar o sistema de corrente alternada o levou a financiar secretamente Harold P. Brown, que construiu a primeira cadeira elétrica para o estado de Nova York. Quando a cadeira foi utilizada pela primeira vez, em 1890, os técnicos presentes não souberam calcular a tensão necessária para eletrocutar o preso condenado, William Kemmler. O primeiro choque elétrico não foi suficiente para matá-lo, deixando-o seriamente queimado na cabeça. O processo teve que ser repetido e um repórter presente o descreveu como “um terrível espetáculo, muito pior que enforcamento”. George Westinghouse comentou: “Eles teriam feito melhor se tivessem usado um machado”.

O MÁGICO TESLA

O novo laboratório de Tesla tinha atividade constante, com um pequeno grupo de assistentes trabalhando puramente através dos comandos verbais de seu empregador. Seu desgosto em pôr idéias no papel, adicionado à sua tendência em ficar desinteressado com uma invenção completa, impelido à se mover ao novo desafio, fez com que Tesla deixasse de lado um grande número de criações que ele nem mesmo se importou em patentear. Certa vez, quando a exaustão deixou Tesla em um estado de amnésia temporária, seus assistentes patentearam muitas de suas invenções por ele fazendo com que seu chefe inválido assinasse os papéis. Essa falta de foco foi admitida pelo próprio inventor ao descrever estes anos como “um pouco fracos em continuidade”. Existem hoje 278 patentes conhecidas de Tesla pelo mundo, e imagina-se que há muitas outras que ele não patenteou.

Em 1891, Tesla desenvolveu a invenção pela qual seu nome é mais conhecido hoje: A bobina Tesla. Simples o bastante para qualquer interessado construir, e totalmente funcional em modelos caseiros, ela era uma inovação impressionante que foi a base para o rádio, televisão e outros meios modernos de comunicação sem fio.

Tesla tornou-se famoso por suas palestras nas quais ele demonstrava suas invenções e conceitos com um toque teatral. Muitos espectadores eram leigos que não entendiam nada do que ele estava falando, mas eram encantados pelos raios elétricos que saíam de suas bobinas brilhantes, e lâmpadas sem fio que se acendiam ao entrarem em contato com sua mão. Estas demonstrações espetaculares levaram Tesla a ser conhecido popularmente como uma espécie de mágico, um título não concedido por ridículo, mas por assombro.

A transmissão sem fio de energia elétrica tornar-se-ia a maior pesquisa de sua carreira. Ele descobriu que um tubo de vácuo colocado em proximidade a uma bobina Tesla imediatamente começaria a brilhar, sem fios, ou sem sequer um filamento dentro do tubo brilhante. Ressonância elétrica era a chave desta descoberta. Ao determinar a frequência da corrente elétrica necessária, Tesla era capaz de ligar e desligar séries de lâmpadas diferentes a metros de distância. Ele tornou-se um cidadão americano em 1891, e sua nova tecnologia seria seu presente de agradecimento para seu país adotivo: Um meio de transmitir energia instantaneamente, através de qualquer distância, pelo ar. Energia grátis para todos.

Ele resolveu um dos maiores problemas implícitos em sua primeira teoria, que era a transmissão de energia através de longas distâncias sem a perda significativa de força. Ao invés disso, ele decidiu transmitir a energia através do solo. Isso faz pouco sentido em termos elétricos convencionais, uma vez que a superfície da Terra é literalmente tida como “a terra” – um lugar usado para descarregar energia em excesso de um condutor. Mas Tesla descobriu que, se ela fosse carregada o bastante, a Terra tornaria-se o condutor, e não o inverso. Neste sentido, todo o planeta poderia ser transmitido em um colossal transmissor elétrico.

Em 1899, a logística impediu Tesla de conduzir os experimentos necessários dentro dos arredores da cidade de Nova York. Um advogado do Colorado, chamado Curtis, ofereceu ajuda a Tesla em montar um campo de testes em Colorado Springs. Curtis também era empregado da companhia elétrica local, e fornecia energia a Tesla sem custo. O laboratório parecia mais com um grande celeiro abaixo de uma torre de aproximadamente 27 metros. Este era o “Transformador Amplificador de Tesla“, que ele dizia ser a maior de suas invenções.

A TORRE DE TESLA

A Torre era uma enorme bobina de Tesla, desenhada pra transmitir energia elétrica a longas distâncias.

“Temos que ser capazes de transmitir as coisas de outros lugares em longas distâncias: imagens, a notícia, a energia. Agora, temos que libertar o pensamento, devemos nos livrar das limitações que o espaço e o tempo nos impõe. E ainda manter as suas principais características. Agora e em séculos futuros… A minha torre. Essa é a realidade, vocês verão…”

Nikola Tesla

Certa noite em 1899, Tesla acionou sua máquina em força total, na esperança de produzir um fenômeno que ele chamou de “crescente ressonante”. Sua torre descarregou em terra dez milhões de volts. A corrente atravessou o planeta na velocidade da luz, forte o bastante para não morrer antes do final. Quando ela chegou ao lado oposto do planeta, foi rebatida de volta, como círculos de água voltando à sua origem. Ao voltarem, a corrente estava em muito enfraquecida, mas Tesla estava emitindo uma série de pulsos que se reforçavam um ao outro, resultando em um tremendo efeito cumulativo.

No ponto de onde o cientista e seus assistentes assistem, a crescente ressonante manifestou-se como uma demonstração de raios que ainda estão até hoje catalogados como a maior descarga elétrica da história. A corrente de retorno formou um arco voltaico que elevou-se até o céu por 19 metros. Trovões apocalípticos foram ouvidos a 33 km de distância. Tesla, anteriormente preocupado com a possibilidade de haver um limite para a geração de descargas ressonantes, passou a crer que o potencial era ilimitado. A demonstração teve um fim inesperado, quando as descargas fizeram com que o gerador de força de Colorado Springs se incendiasse. Tesla não mais recebeu energia grátis dos donos da companhia desde então.

Tesla voltou a Nova York procurando apoio para sua idéia de implementar um sistema de energia ressonante global. Já consciente com a inevitável relutância dos executivos em oferecerem energia grátis, Tesla disfarçou seu projeto como uma rede de comunicações, além de fonte de energia elétrica, sonhando, décadas antes do advento da Internet, com um sistema de comunicação global bem mais sofisticado do que o hoje utilizado.

George Westinghouse rejeitou a idéia. Tesla, então, a propôs a J. P. Morgan, que anteriormente havia negado um patrocínio ao inventor. A idéia de monopolizar as comunicações mundiais o intrigou, e ele permitiu a Nikola Tesla construir um novo laboratório em Long Island chamado Wardenclyffe, que deveria ser uma maior e melhor versão de seu laboratório em Colorado.

Enquanto Tesla trabalhou neste projeto, uma série de acidentes e infortúnios atingiram Wardenclyffe, e ele estava começando a necessitar de dinheiro. Os fundos e o entusiasmo de Morgan evaporaram rapidamente. Em uma última tentative de manter seu investidor, Tesla revelou a Morgan que seu plano não era substituir o telégrafo, mas substituir a transmissão convencional de energia. Morgan respondeu retirando seu suporte inteiramente.

Nunca mais Tesla teria outra chance de trazer energia grátis ao mundo.

O RAIO DA MORTE

Uma vez que as invenções de Tesla geralmente continham em si um elemento de consciência social, pode parecer surpreendente que ele tenha criado uma série de dispositivos com aplicações militares, e a noção de Tesla utilizando seu gênio para propósitos bélicos é imensamente assustadora. Afinal, este é o homem que se vangloriava do fato que seu gerador ressonante poderia dividir a Terra ao meio, e ninguém até hoje soube ao certo se ele estava brincando.

A primeira invenção de Tesla com propósito militar foi a de barcos e submarinos controlados remotamente. Ele demonstrou o navio por controle remoto em uma exposição no Madison Square Garden, em 1898. O aparato era tão avançado que até mesmo usava uma espécie de reconhecimento vocal para responder aos comandos verbais de Tesla e voluntários do público. Tesla falou das virtudes humanitárias da invenção: ela iria impedir que vários trabalhadores arriscassem suas vidas. Mas ele realmente estava esperando um contrato com o exército dos Estados Unidos. Em uma apresentação para o departamento de guerra, Tesla argumentou que sua invenção poderia obliterar a armada espanhola, e acabar com a guerra com a Espanha em uma tarde. O governo nunca aceitou a oferta de Tesla.

Tesla, então, decidiu direcionar o submarino automático à industria privada, e procurou a aprovação de J. P. Morgan. Segundo contam, Morgan ofereceu-se para fabricar os barcos de Tesla se este se casasse com sua filha. Tal acordo era um anátema a Tesla, e os dois nunca mais trabalhariam juntos até Wardenclyffe, alguns anos mais tarde.

Nikola Tesla eventualmente conseguiu um contrato militar bem sucedido: com a marinha alemã. O produto não eram seus barcos a controle remoto, mas turbinas sofisticadas que o almirante Von Tirpits usou com grande sucesso em sua armada de navios de guerra. Depois que J. P. Morgan cortou seu apoio a Tesla, este contrato tornou-se sua única fonte de renda. Quando surgiu a 1ª guerra mundial Tesla cancelou seu contrato com os alemães, para não ser acusado de traição.

Quase falido e observando os Estados Unidos à beira da guerra, Tesla sonhou com outra invenção que pudesse interessar os militares: o raio da morte.

O mecanismo por detrás do raio da morte não é bem compreendido até hoje. Ele era aparentemente uma espécie de acelerador de partículas. Tesla disse que era uma melhoria de seu Transformador Amplificador, que concentrava energia em um fino raio tão concentrado que ele não se dispersaria, mesmo a grandes distâncias. Ele o promoveu como uma arma puramente defensiva, com a intenção de impedir ataques, fazendo de seu raio da morte o tataravô da defesa estratégica.

Não se sabe ao certo se Tesla usou seu raio da morte, ou se ele sequer chegou a construí-lo. Mas essa é a história geralmente relatada do que aconteceu naquela noite em 1908, quando Tesla testou sua arma:

Naquela época, Robert Peary estava fazendo sua segunda tentativa em chegar ao Polo Norte. Tesla então notificou a expedição que eles estariam tentando entrar em contato com eles de alguma forma, e eles deveriam relatar qualquer coisa incomum que eles observassem. Na noite de 30 de junho, acompanhado por seu associado, George Scherff, na torre de Wardenclyffe, Tesla apontou seu raio através do Atlântico, em direção ao Ártico, a um ponto calculado como estando a oeste da expedição de Peary.

Tesla ligou o equipamento. De início, era difícil dizer que ele estava funcionando. Sua extremidade emitiu uma luz pálida, dificilmente notável. Então, uma coruja voou de seu ninho no topo da torre, na direção do raio, e foi desintegrada instantaneamente.

Isso concluiu o teste. Nikola Tesla observou os jornais e enviou telegramas para Peary na esperança de confirmar a efetividade do raio da morte. Nada apareceu. Tesla estava pronto para admitir derrota quando recebeu notícias de um estranho evento ocorrido na Sibéria.

Em 30 de junho uma enorme explosão havia devastado Tunguska, uma área remota na floresta da Sibéria. Quinhentos mil acres quadrados de terra foram instantaneamente destruídos, o equivalente a quinze megatons de TNT. O incidente de Tunguska é a mais poderosa explosão ocorrida na história, nem mesmo subsequentes explosões termonucleares ultrapassaram sua força. A explosão foi audível a 930 quilômetros de distância, aproximadamente. Os cientistas crêem que ela foi causada por um meteorito ou fragmento de um cometa, embora nenhum impacto evidente ou restos minerais de tal objeto jamais tenham sido encontrados.

Nikola Tesla tinha uma explicação diferente. Ela claro para ele que seu raio da morte tinha ultrapassado seu alvo calculado e atingido Tunguska. Ele ficou extremamente grato que a explosão, miraculosamente, não matou ninguém. Tesla desmontou o raio da morte imediatamente, crendo-o muito perigoso para continuar existindo.

Seis anos mais tarde, o fim da primeira guerra fez com que Tesla reconsiderasse. Ele escreveu ao presidente Wilson, revelando o segredo do teste do raio da morte e oferecendo-se para reconstruí-lo para o departamento de Guerra. A mera ameaça de tamanha força destrutiva faria com que as nações em guerra concordassem em restabelecer a paz imediatamente. A única resposta de Tesla à sua proposta foi uma carta formal de apreciação da secretária do presidente. O raio da morte nunca foi reconstruído, supondo que ele tenha sido construído, em primeiro lugar.

Tesla fez mais uma tentativa de ajudar seu país na guerra em 1917. Ele concebeu uma estação emissora que emitiria ondas exploratórias de energia, permitindo que seus operadores determinassem com precisão a localização de veículos inimigos distantes. O departamento de guerra riu-se e rejeitou o “raio explorador” de Tesla. Uma geração mais tarde, esta mesma invenção ajudaria os aliados a vencer a 2ª guerra mundial. Ela era chamada radar.

A MÁQUINA DE TERREMOTOS

Incansável, e inabalado por concentos como praticidade ou marketing, a Mente de Nikola Tesla criou uma vasta miscelânea de invenções peculiares, muitas das quais jamais saíram do estágio de conceituação, e as idéias parecem ter ficado cada vez mais estranhas conforme ele envelhecia.

Inventar era geralmente um processo deliberado para Tesla, sua total intenção e objetivo perfeitamente formados em sua mente antes dele e de sua equipe moverem um dedo. Porém, houve momentos em que ele tropeçou em uma descoberta por “acaso”. Tesla realizou suas primeiras experiências com tecnologia ressonante em seu laboratório em Nova York ligando um pequeno oscilador, que fazia com que um espelho vibrasse levemente. Subitamente, o laboratório foi invadido por um esquadrão de policiais, exigindo que Tesla parasse com seus experimentos. A ilha de Manhattan estava vibrando por quilômetros de distância. Tesla não considerou como ondas ressonantes tornam-se mais fortes quanto mais elas viajam e ele, sem perceber, criou o que foi conhecido como a “Máquina de Terremotos de Tesla”.

Tesla também aplicou seus equipamentos ressonantes em formas bizarras de terapia física. Ele criou máquinas que inundavam o corpo humano com cargas elétricas e fortes vibrações, na intenção de aliviar dores e promover a cura. E Tesla não era apenas o inventor de seus equipamentos eletroterapêuticos: era também um forte usuário. Tornou-se viciado no tratamento que inventara, insistindo em dizer que as seções com a máquina o rejuvenesciam enquanto ele ficava horas e horas trabalhando, sem comida ou bebida. Tesla certa vez deixou seu amigo Mark Twain testar a máquina de cura. Ele relatou ter aproveitado a experiência imensamente, até que as vibrações lhe causaram uma diarreia espontânea. Tesla comercializou sua invenção, e a Companhia Eletroterapêutica Tesla foi uma de suas únicas empresas a ter leve sucesso comercial.

Tesla também recebeu outra revelação acidental durante seus testes com o amplificador transformador, em Colorado Springs. Certa noite, durante a construção do aparelho, este começou a ressonar com uma série de “clicks” precisos, similares a código morse. Tesla estava convencido que estes sinais estavam sendo enviados por seres extraterrestres. Tesla expressou seu credo na vida em Marte, e como ele acreditava ter a prova. Ele, mais tarde, concebeu transmissores para a comunicação com os marcianos, expondo sua visão de que manter relações pacíficas com nossos vizinhos espaciais era um dos mais urgentes deveres da humanidade.

Em seus últimos dias, Tesla ficou fascinado com a idéia da Luz como sendo tanto partícula como onda – a proposição fundamental do que se tornaria a física quântica. Este campo de investigação o levou à criação do “Raio da Morte”. Tesla também tinha a idéia de criar uma “parede de luz”, manipulando ondas eletromagnéticas em um certo padrão. Esta misteriosa parede de luz permitiria que o tempo, espaço, matéria e até gravidade fossem manipuladas à vontade do operador, e concebeu uma grande variedade de propostas que parecem hoje sair diretamente da ficção científica, incluindo naves anti-gravidade, teletransporte e viagens no tempo.

Provavelmente a invenção mais estranha que Tesla já propôs foi o fotografador de pensamentos. Ele relacionou que todo o pensamento criado pela Mente cria uma imagem correspondente na retina, e a informação elétrica desta transmissão neural poderia ser processada através de um nervo óptico artificial e visualizada como padrões visuais em uma tela.

“O dia em que descobrirmos exatamente o que é a eletricidade, isso irá marcar um evento provavelmente maior, mais importante que qualquer outro na História da Humanidade. Então, será apenas uma questão de tempo para que o Homem consiga ligar suas máquinas diretamente à própria natureza.
Imagine o que está por vir…”

Nikola Tesla

A CONSPIRAÇÃO ANTI-TESLA

Tesla passou seus últimos 10 anos quebrado financeiramente, vivendo de favor no hotel New Yorker, no quarto 3327 no 33º andar (olha o TOC aí), que dividia com os pombos, a quem ele considerava seus únicos amigos.

As indústrias haviam virado suas costas a ele. A comunidade científica ignorava suas idéias. O público o conhecia como um lunático cujas teorias eram apenas úteis para tablóides sensacionalistas. Em 1942 um desenho animado do Superman, de Max Fleischer, mostrava o herói lutando contra raios da morte e terrores eletromagnéticos criados por um cientista louco que, assim como Tesla, tinha um pássaro como única companhia.

Em uma de suas últimas entrevistas, Tesla disse:

“Venho alimentando os pombos, milhares deles, há anos, mas havia um pombo, um pássaro bonito, branco puro com detalhes cinza claro em suas asas. Aquele era diferente… Não importa onde eu ia, aquele pombo iria me encontrar; quando eu queria ver ela só tinha que desejar e chamá-la para que ela viesse voando até mim… Eu amei aquele pombo… Eu a amava como um homem ama uma mulher, e ela me amava.

Então, uma noite eu estava deitado na minha cama, no escuro, resolvendo problemas, como de costume, ela voou pela janela aberta e ficou na minha mesa. Eu sabia que ela me queria; ela queria me dizer algo importante, então eu me levantei e fui até ela. Quando eu a olhei eu sabia o que ela queria me dizer – ela estava morrendo. E então, eu saquei sua mensagem, vinha uma luz de seus olhos – poderosos feixes de luz… uma luz mais intensa do que eu já tinha produzido pelas lâmpadas mais potentes em meu laboratório.

Quando aquele pombo morreu, algo saiu da minha vida. Até aquele momento, eu sabia com certeza que iria completar meu trabalho, não importa o quão ambicioso fosse, mas quando algo como aquilo saiu da minha convivência eu sabia que o trabalho da minha vida tinha acabado”.

Em 7 de janeiro de 1943, Nikola Tesla morreu sozinho em Nova York, aos 87 anos.

Como isso pode ter acontecido? Existem muitas visões para a questão da queda de Tesla na obscuridade. A primeira, e possivelmente a mais irrefutável, é que Tesla não entrou para os livros de história porque ele falhou como empresário. As pessoas mais bem sucedidas não são necessariamente as mais brilhantes, mas aquelas que conseguem jogar o jogo para chegar ao topo. Tesla era um discípulo da ciência pura, em oposição à ciência aplicada, com pouca ou nenhuma facilidade em imaginar como lucrar com suas idéias. Seus parceiros de negócios frequentemente não agiam em seu melhor interesse, e Tesla tem uma lista de más decisões financeiras.

Por exemplo, no ápice de sua implementação bem sucedida da corrente AC, ele poderia ter coletado uma enorme quantidade de riquezas materiais. Ele tinha um contrato com Westinghouse que poderia facilmente tê-lo posicionado como um dos homens mais ricos da América. Porém, quando George Westinghouse disse a Tesla que os gastos com a instalação do sistema poderiam por sua companhia em perigo no futuro, Tesla rasgou o contrato como gesto de amizade. Se ele não o tivesse feito, ou pelo menos negociado uma fração dele, Tesla teria morrido na luxúria, e preservado sua notoriedade de maneira bem mais apropriada.

Grandes empresários e o governo dos Estados Unidos conspiraram para suprimir seu gênio inventivo. No topo da lista de suspeitos está Thomas Edison, que invejava o sucesso de seu antigo empregado com a corrente alternada, e efetivamente liderou uma campanha para destruir o nome de Tesla. Edison também fez parte da mesa de conselheiros do departamento de guerra que rejeitou as propostas de Tesla para o Raio da Morte e seu radar. J. P. Morgan também está implicado na Teoria da conspiração anti-Tesla. Morgan efetivamente ampliou sua já monumental fortuna explorando as idéias do inventor até que ele descobriu que ele queria a criação de livre energia, uma idéia assustadora a qualquer capitalista respeitável. Morgan imediatamente encerrou seu patrocínio a Tesla, e alguns argumentam que ele ainda tenha usado sua considerável influência para impedir que outros o patrocinassem.

O governo – que sempre rejeitou Tesla quando ele apresentava suas propostas – tornou-se subitamente interessado em seu trabalho depois de sua morte. O FBI ordenou que o escritório de propriedades estrangeiras se apoderasse de todos os documentos de Tesla; um ato ilegal, uma vez que Tesla era cidadão americano desde 1891. Os registros de Tesla foram considerados inofensivos para a segurança nacional, e seu arquivo foi encerrado em 1943. Foi reaberto em 1957, com a notícia de que os russos estariam realizando experiências com sua tecnologia. Muitos estão convencidos que o pentágono realizou várias experiências com projetos baseados na tecnologia de Tesla. Em 2011 e 2017 o governo liberou documentos que mostram algumas das idéias, uma delas a de um “muro de força” que ficaria em volta de toda a fronteira dos EUA e os protegeria de qualquer ataque naval ou aéreo.

Uma última teoria é a de que Tesla arruinou sua própria reputação com suas invenções e propostas fora de época. Alguns dizem que ele começou errando ao propor energia livre para todos; outros crêem que ele ficou louco quando começou a falar em marcianos e Raios da Morte. Tesla nunca aceitou o trabalho de Albert Einstein, criticando a Teoria da Relatividade abertamente como sendo vago e incoerente.

Em termos práticos, estes argumentos estão provavelmente corretos. Um sistema de energia livre, hoje, não seria aceito. Não se sabe de sinais emitidos de Marte, e a Teoria da Relatividade é bastante sólida. Porém, há duas coisas a serem consideradas:

Em primeiro lugar, mesmo que algumas de suas idéias estejam erradas, elas não diminuem a imensa quantidade de idéias corretas que ele teve, e que contribuíram e contribuem para o nosso mundo. Segundo, deve-se lembrar que até mesmo a corrente alternada era considerada irreal e improvável antes de Tesla. Há a possibilidade, ainda, de que os mais bizarros conceitos de Tesla sejam validados em algum ponto no futuro, quando a ciência chegar a seu nível. O tempo dirá.

Por hora, o verdadeiro legado de Tesla está sendo lentamente reconhecido. A corte suprema declarou pouco após sua morte que Tesla era o verdadeiro inventor do rádio, e não Guglielmo Marconi. Tesla foi reconhecido como o inventor da lâmpada fluorescente, o tubo amplificador a vácuo e a máquina de raios X. Livros de história estão lentamente começando a incluir estes fatos.

O destino final do laboratório de Tesla em Wardenclyffe foi coberto de significado. Em 1917, ele foi condenado à demolição. O dinheiro de Tesla para sua manutenção havia acabado, e acreditava-se que ele estivesse sendo espionado por alemães. Inicialmente ele foi dinamitado, mas a torre se manteve intacta. A equipe de demolição detonou o local repetidamente, mas a torre não caiu. Eles retornaram em outra data e a dinamitaram novamente. Ela caiu no chão, mas não explodiu.

“Contra a estupidez os próprios deuses lutam em vão”

Friedrich Schiller

A história de Tesla traz grandes lições que puxam a uma reflexão individual por vezes dolorosa.

O que sabemos é que quanto mais avançamos na tecnologia, mais escutamos falar de Tesla. Como um fantasma cuja energia nunca acaba, Tesla retorna a zombar da nossa pobre capacidade de lidar com o novo e aliado a ele o que chamamos de moderno ou tecnológico. Duas empresas que estão revolucionando o modo como lidamos com a energia levam seus nomes: Tesla, inicialmente uma companhia de carros elétricos fundada por Elon Musk e que hoje virou um guarda-chuva para painéis solares, baterias e outras invenções com energia limpa, e Nikola, que fabrica caminhões elétricos movido a hidrogênio.

“Deixem que o futuro diga a verdade e avalie cada um de acordo com o seu trabalho e realizações. O presente pertence a eles, mas o futuro pelo qual eu sempre trabalhei pertence a mim.”

Nikola Tesla

Tesla continua cada vez mais vivo!

Fontes:
Biografia completa de Tesla;
A Síndrome de Tesla;
Nikola Tesla, o gênio mais injustiçado da história;

Referências:
History Channel – O segredo da Torre de Tesla;
BBC – 5 previsões de Tesla que se tornaram realidade 100 anos depois;
Hypescience – As impressionantes previsões de Tesla para o futuro;
Thomas Edison: O Gênio da Lâmpada;

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