LIVRE-ARBÍTRIO

Uma das coisas que me irritam em certas doutrinas (ou do uso que fazem delas) é achar que tudo gira em torno dela. Por exemplo, o Espiritismo. Kardec ficou fascinado ao descobrir este “novo mundo” (e, de fato, é fascinante) e então pensou que tudo o que acontece – até uma topada – deve ter um fundo espiritual. Perguntou então aos espíritos, que trataram de desmistificar isso, no Livro dos Espíritos:

Pergunta: Um homem deve morrer: ele sobe uma escada, a escada se quebra e o homem morre; são os Espíritos que fazem a escada quebrar para cumprir o destino desse homem?

Resposta: No exemplo acima, a escada se rompe porque ela estava carcomida ou não bastante forte para suportar o peso do homem. Se esse homem escolheu como prova perecer dessa maneira, formando uma espécie de destino, eles lhe inspirarão o pensamento de subir por essa escada, que deverá se romper sob o seu peso, e sua morte terá lugar por um efeito natural, sem que seja necessário fazer um milagre para isso.

Kardec era um homem sábio. Seus seguidores é que não procuraram estudar outras fontes nestes mais de 100 anos que separam o estudo de Kardec dos tempos atuais. O problema é achar que tudo é ação dos espíritos, que somos manipulados por espíritos o tempo todo! Não! O ser humano tem livre-arbítrio. Mas só que não conhecemos a extensão dele! Estamos presos numa Matrix, lidando com as limitações daqui e, mesmo fora dela, ainda vamos estar presos a certas Leis que não conhecemos por inteiro.

É muito comum a pessoa se irritar com o Espiritismo quando chega num centro e o médium diz logo: “você está com um encosto, precisa se tratar. Fique vindo aqui toda semana, tome passe e beba essa água fluidificada”.

Ora, que coisa mais generalizante! A pessoa pode até estar com um espírito trevoso do lado dele, mas também pode ser que seja o guia espiritual do cara, podem ser formas-pensamento doentias criadas pelo próprio cara, ou pode ser uma “camada” grosseira de energia densa, criadas pelo pensamento dele ou de outros jogados pra cima dele (o famoso “mau-olhado”).

Mas isso não é explicado! É provável que o médium nem saiba disso tudo (pois são baseadas em informações pós-Kardec, e eles não estudam nada além de Kardec!). É como se o paciente fosse um cachorro que deve ser tosado, vai pra uma sala de passes, entra e sai calado, acha aquilo tudo muito estranho… A sala de passes deveria ser mais como um consultório psiquiátrico, onde o encarnado é que deveria ser doutrinado, não com “leia Kardec e se salve!“, mas sim com uma conversa franca, onde a pessoa seria avaliada por inteiro (seus costumes, que lugares frequenta, como é o ambiente de trabalho, como está o relacionamento em casa…) e só aí é que haveria uma orientação (esse é o “estilo Oráculo” que eu tanto gosto). Se preciso fosse, tomaria passes (remédio paliativo, mas por vezes necessário) mas o que valeria mesmo é a reeducação mental que a pessoa teria de se comprometer a fazer. Só assim a pessoa consegue se livrar de presenças intrusivas extrafísicas. Porque nós fazemos escolhas. E são essas escolhas que determinam o que nós somos e o que seremos.

Nunca mais usei o filme The Matrix como referência, então vamos lá:

Neo chega pra Oráculo (a do filme, claro) e quer uma orientação para o futuro, quer respostas. Mas ele vai aprender (ESSA É A ORÁCULO!) que as respostas estão dentro dele mesmo…

– Você tem que escolher se vai aceitar o que vou te dizer ou rejeitar.
– Você já sabe se vou aceitar?
– Eu não seria um Oráculo se não soubesse.
– Se você já sabe, como eu posso fazer uma escolha?
– Porque você não veio aqui fazer uma escolha, você já fez. Você veio aqui para entender porque você a fez.
(…)
– Você tem a visão Neo. Você está vendo o mundo sem tempo.
– E por que eu não consigo ver o que acontece com ela (Trinity)?
– Nós nunca conseguimos ver as escolhas que não compreendemos.
– Você está dizendo que eu tenho que escolher se Trinity vive ou morre?
– Não. Você já fez a escolha. Agora você tem que compreendê-la.


Vou usar um texto que retirei daqui, que explica melhor do que eu poderia:

Antes de reencarnar o Espírito escolhe a família, o meio social e as provas (moral e/ou física) por que tenha de passar, usando seu livre-arbítrio, baseado nas situações vividas no passado. Segundo a maneira como se comporta diante disso, o Espírito cria um “quadro de resgates” para o futuro: é o determinismo relativo. Esse quadro pode sofrer alterações em função dos próprios méritos do Espírito. Portanto, o livre-arbítrio é relativo – relativo à posição ocupada pelo homem na escala de valores espirituais. O homem não é absolutamente livre, nem determinado por fatores biológicos ou sociais (como produto do meio, e estamos repletos de casos assim); O homem subordina-se ao livre-arbítrio relativo e ao determinismo relativo. Enquanto a escolha está no campo das idéias, o homem é livre; mas, uma vez feita a escolha, mesmo em pensamento, ele se subordina à Lei de Ação e Reação.

A responsabilidade, no entanto, não é igual para todos e em consonância com a justiça divina temos: “ao que mais recebeu, mais será exigido”. Isso equivale a dizer que o homem com menor evolução espiritual (experiência, discernimento) não saberá escolher com segurança entre o bem e o mal.

Nossa liberdade é ditada por nós mesmos, pelas situações que nós criamos no passado. Nossas amarras, também. Quanto mais reincidentes nos erros você for, menos possibilidade de escolhas terá. Se você foi verdadeiramente amigo pra muitas pessoas nas suas outras vidas, então você terá MUITO mais portas abertas aqui na Terra (é o famoso networking!). Nossos guias espirituais fazem projeções baseadas nas vidas de seus afetos e desafetos, e inserem você dentro deste contexto, com TUDO calculado para que você passe por um certo número de experiências que vão lhe amadurecer exatamente no que você precisa para evoluir. Claro que eles não preveem tudo. Temos liberdade para aprender mais um bocado de coisas por fora. É como se fosse o colégio: tem hora das aulas, e hora do recreio. Se você quiser estudar durante o recreio, tudo bem. Ao mesmo tempo, tem gente que brinca até mesmo na hora da aula, e isso é nosso livre-arbítrio em ação.

Com base nas suas amizades, os espíritos fazem acordos entre si, no astral. Amigos se candidatarão a ser seu pai, sua mãe, muitos farão questão de ser seu / sua professor(a), amigo(a), namorado(a). E assim acontecem as “coincidências”. Só que aqui não é bem um parque de diversões. Talvez você tenha de abdicar de uma ótima família pra ter como mãe ou pai o seu pior inimigo, porque é a forma mais eficiente e sincera de reconciliação… ou então de agravar os problemas, e isso vai depender de vocês – e aí está novamente o livre-arbítrio! É como Oráculo falou: Você fez a escolha “lá em cima”; agora que está na Terra, é só uma questão de compreender o porquê da escolha.

Você se pergunta: “Mas, e se eu tivesse a lembrança, não seria mais fácil?

Não… primeiro, que você talvez nem nasceria. Sua mãe não ia querer dar a luz a um inimigo declarado. O que promove a união é exatamente o instinto materno, o lado animal, e é por isso que o espírito é “enjaulado” nesta prisão de carne, submetido ao jogo dos hormônios, que quase sempre é mais forte do que o espírito. Mas, mesmo que o espírito de sua mãe já tivesse lhe perdoado, você é que tentaria matá-la no primeiro NÃO que ela lhe desse. E olha que, mesmo com o véu do esquecimento, isso ainda acontece: abortos sem motivo, rejeição do bebê por parte do organismo, filho(a) que mata ou maltrata os pais…

Um exemplo nerd de missão na Terra pode ser visto em O Senhor dos Anéis, onde Frodo tinha uma missão, que era levar o Um Anel pra Mordor. Pra isso ele contou com a ajuda de amigos que ele anteriormente nem conhecia, mas também conquistou inimigos que ele também não conhecia… mas na história até mesmo os inimigos lhe prestam valioso auxílio, como o Gollum. Vamos imaginar uma versão espírita da história, nos moldes dos romances psicografados que servem de lição das consequências das nossas atitudes: Frodo, que não tinha nada a ver com o anel nessa vida, era na verdade o criador do Um Anel, há muuuuuito tempo atrás. Coube a ele dar um fim ao que começou (porque ninguém carrega a cruz do outro), e essa é a razão da fibra e da certeza que o Hobbit tem de que vai conseguir. Não que alguém mais não possa fazê-lo, mas precisa ser ele, pra que ele sinta todo o mal que desencadeou, e assim aprenda a lição. Para isso, ele veio como o ser mais fraco e pacífico da Terra Média, para que tivesse uma criação pacata e não sucumbisse à tentação de ter o poder pra si de novo. Quando alguém se propõe a seguir o Dharma (o fluxo, o caminho mais curto pra sua rápida evolução) sempre aparece gente disposta a ajudar. Ninguém fica realmente desamparado. São os amigos da Sociedade do Anel. E o Gollum era o melhor amigo de Frodo, em vidas passadas, só que Frodo acabou desgraçando a vida do Gollum quando lhe confiou indiretamente a guarda do anel (numa das “coincidências” da vida), e agora, nessa vida, Frodo quer reparar o erro, resgatando sua alma. E é por isso que a relação dos dois é uma mistura de amor e ódio, que vai contra toda a lógica, uma espécie de compreensão mútua, que pode ser sentida no livro. E, se não fosse o poderoso inimigo Sauron, como um pacato Hobbit descobriria ser detentor de tamanha coragem e força de vontade? Sim, as dificuldades da vida são molas propulsoras que nos impulsionam para além de nossas próprias limitações (que estão todas na nossa mente). Frodo vai aprender que não precisa de uma muleta, o Um Anel, pra poder ser forte.

Isso me lembra o caso de aleijados que voltam a andar. A mente deles criou o próprio corpo (veículo de manifestação da mente), e só quando o espírito vence a matéria (através da fé, ou sei lá o que) é que ele supera as limitações (físicas e mentais) impostas pela própria mente. É um avanço fantástico! Em apenas uma vida ele aprende (na prática) o que poderia levar centenas ou milhares de anos, se ele fosse sempre uma pessoa saudável! Na medida do possível nós escolhemos nossas provas, sim. Quanto menos besteiras você fizer nesta vida mais liberdade terá na outra, pois estamos todos interconectados, e até mesmo um mendigo que você humilhou nesta vida pode vir a ser o diretor do seu colégio (ou seu chefe) na próxima. Se ele for de guardar rancor, vai lhe perseguir sem um bom motivo, e sem mesmo saber porque (é algo que está entranhado na alma). E assim se estabelece um ciclo de perseguição mútua, cada vez com agressões maiores, que só terminarão quando um dos lados ceder e suportar tudo o que fez de errado pra aquela pessoa (a dívida kármica), sem que alimente raiva ou rancor em seu coração. Por outro lado, sabe aquela pessoa que você nem conhecia e ajudou desinteressadamente, sem nem a ver mais? Pode ser na outra vida um desconhecido que faça você perder o avião, avião este que irá cair.

– Vê aquelas aves? Em algum momento um programa é criado para cuidar delas. Outro programa é criado para cuidar das árvores, do vento, do nascer do sol e do pôr do sol. Esses programas funcionam por todo lugar. Uns fazendo seu trabalho, o que deveriam fazer, e que são invisíveis, nunca percebemos que estão aqui.
Mas os outros… bem… Ouvimos sobre eles toda hora.
– Eu nunca ouvi falar deles.
– Claro que ouviu. Toda vez que ouvir alguém dizer que viu um fantasma ou um anjo…


O comentarista Amiko escreveu algo interessante nos comentários, um assunto que é praticamente infinito e que eu gostaria de mostrar só mais um pouco, para que nossa mente ocidental, tão acostumada com o preto-no-branco, possa libertar-se um pouco mais e enxergar o cinza:

“Ninguém vem a esse mundo para o mal. Toda reencarnação é para a evolução, e se a intenção fosse a de voltar apenas para o mal não lhe seria permitido tal dádiva. Quando um espírito reencarna e repetidamente fracassa em sua “missão” ele volta impedido de cometer novamente tal erro, por exemplo: uma pessoa que em várias reencarnações cometera suicídio pode vir na próxima totalmente paraplégica, ficando assim impossibilitada de cometer outro suicídio, portanto ele vem apenas para expiação. Não existe isso de anticristo e sim espíritos ainda sem o conhecimento ou compreensão do amor de Deus”.

Amiko

É mais complexo, Amiko… é bem mais complexo. Se houvesse uma “programação Divina” que impedisse as pessoas de se suicidarem ou serem más em duas encarnações seguidas isso seria um atentado contra o livre-arbítrio, não acha? Além de ser uma punição Divina. As deformações e consequências para o corpo que os suicidas (e não só eles) sofrem advém da séria perturbação mental a que estão submetidos, que não “passa” após a morte (ao contrário, piora, potencializa-se), e como aprendemos no princípio hermético do mentalismo, TUDO é mental. Inclusive a formação de nosso próximo corpo. Isso não quer dizer que toda pessoa que é meio tantã tenha ou vá ter alguma deformidade, e sim que uma planta cuja semente foi bombardeada por radiação não vai crescer do mesmo jeito que outra saudável. E sabemos que a radioatividade é decorrente do caos à nível atômico, da instabilidade que, como um castelo de cartas desabando, cria a aparente desordem, e consequente destruição / transmutação. Mas, voltando ao exemplo da planta, ela pode vir a deformar-se por N outros motivos, portanto, não podemos (nem devemos) julgar as pessoas pelas aparências. Às vezes a pessoa com a consciência mais dilatada PEDE pra vir assim, para que não sucumba à certas provas, como fez no passado. O esforço e mérito desta pessoa é muito maior do que aquele que vai carregando seu “defeito de estimação” em todas as suas encanações, sem se preocupar em melhorar. Por isso não estranhe se aquele deformado do sinal de trânsito, após a morte, esteja em melhor situação que você, como numa certa parábola de Jesus:

Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente. Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras; o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras.

Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado. No Hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio.

E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado. E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós.

Lucas 16:19-26

A mente é tudo. Morra com a mente agitada e você vai ter problemas do lado de lá. Meditação devia ser ensinada nas escolas. No Japão há toda a tradição dos samurais, incorporada na própria cultura popular, onde a morte é encarada como uma passagem, com tranquilidade, inclusive no suicídio. É provável que nunca tenha existido um “vale dos suicidas” no Japão como os descritos por André Luis, que se situava um pouco acima da crosta do Brasil. Não terão problemas de consciência, mas ainda assim terão de arcar com as consequências. Isso porque somente morrer tranquilo não garante a felicidade. Até porque o suicida só se mata porque não está bem (ninguém resolve: “puxa, hoje o dia está bom pra pescar, nadar, brincar com os amigos… ah, mas eu acho que vou me matar”). É quase sempre uma decepção com algo, ou alguém, e este pensamento por si só já vai atraí-lo, por afinidade, para regiões mais densas (e perigosas). Além do que, há o aspecto metafísico: seu perispírito é uma bateria com carga programada. Se você “corta parte da fiação”, a bateria vai continuar gerando energia e te prendendo aqui na Terra. Se acontece um acidente, geralmente há amparadores dispostos a ajudar a liberar essas energias, mas no caso de um suicida isso não ocorre, pois é uma lição a ser aprendida (não quis fazer? agora aguente!).

A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória. Tudo o que fazemos tem uma consequência, uma ressonância não só no mundo, mas fora dele também. Jogue uma pedra num lago escuro. Você verá a pedra sumir, e os efeitos que ela causou na superfície do lago. Não há mais pedra para você. Aparentemente ela sumiu, “morreu”. Mas a jornada da pedra continua, descendo lago abaixo, causando mais perturbação do “lado de dentro” do lago, interagindo com um novo ambiente, uma nova realidade. A pedra não “morreu”, nem deixou de ser pedra por causa disso.

Há um capítulo do Livro dos Espíritos intitulado Desgosto da Vida / Suicídio onde há muitas informações interessantes, do tipo “O suicídio não é sempre voluntário?”; “Os que conduzirem alguém ao suicídio sofrerão as consequências disso?”; ou “O suicídio pode ser desculpável quando tem por objetivo impedir que a vergonha recaia sobre filhos ou sobre a família?”. Curiosos? Espero que sim. Se forem ateus, basta trocar a palavra “Deus”, onde ela aparecer, por “Tao”, “Sistema” ou o que quiser. O sentido não muda.

Ainda sobre o livre-arbítrio: Se fôssemos acreditar nas punições Divinas não existiria ateus no mundo. Afinal, pra que serve esse bando de “filhos ingratos” comendo e bebendo os recursos da terra que Deus nos deu? Bastava cair um raio na cabeça de cada um. Afinal, Ele é Deus, não é? E vingativo, segundo o Velho Testamento! Aliás, segundo essa lógica, os palestinos nem sequer existiriam: cairiam todos fulminados.

Não, Deus não é vingança. É amor. É o meio onde nós crescemos, nos sustentamos, respiramos. Está aqui para todos, sem distinção. Uns “usam” Deus para o bem, outros, para o mal, e a maioria sequer tomou consciência de que dispõem de ilimitados recursos à sua disposição, bastando pra isso se esforçar para aprender a usar.

“Deus” permite que um Hitler use seus recursos para sua política de extermínio, amparado pela legião das trevas. Permite crimes hediondos, permite que pessoas boas sucumbam ao aparente “poder” do mal. Pode soar estranho aos ouvidos cristãos, mas o próprio Jesus não só sabia, como ensinou:

Quem blasfemar contra o Pai receberá a graça; quem blasfemar contra o Filho receberá a graça; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo esse não receberá a graça, nem na terra nem no céu.

Evangelho de Tomé, Nº 44

Enquanto o Pai e o Filho são ícones criados pelo homem, o Espírito Santo permanece um mistério indefinível, imaterial até mesmo na mente das pessoas. É a energia pela qual Jesus atuava, na qual ele foi batizado / iniciado no Rio Jordão. Seria o equivalente aos Siddhas. Jesus dominava essas energias. Outros apenas a manipulam, e mal, como quem aprende um truque. Mesmo um satanista vai respeitar as energias com as quais trabalha. Mal sabe ele que as energias são em essência Divinas (hehehe).

O Reino do Pai é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. De noite, porém, veio o seu inimigo e semeou erva má no meio da semente boa. O senhor do campo não permitiu que se arrancasse a erva má, para evitar que, arrancando esta, também fosse arrancada a erva boa. No dia da colheita se manifestará a erva má. Então será ela arrancada e queimada.

Evangelho de Tomé, Nº 57

As duas ervas se alimentam dos mesmos nutrientes do solo. A diferença está no resultado: o que você se tornou com o solo, adubo e água que lhe foi dado? O “Sistema” permite que coexistamos, que cresçamos juntos, porque enquanto crescemos não dá pra distinguir o que é bom ou mal; e quem já não errou na vida? E quem não continua errando, sem maldade, por ignorância, por toda a vida? Será que este vai ser “queimado” ao cabo de apenas uma encarnação? Parece injusto, não?

Referência:
Intervenção dos espíritos no mundo corporal

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