18/11/2006: O DIA EM QUE JESUS NÃO VEIO

Uma pena que mais um espiritualista tenha naufragado nas ondas geradas por suas próprias palavras… Jan Val Ellam era um cara que gozava de certo prestígio nos círculos esotérico e ufológico (da parte mística da ufologia, pelo menos), e quando ele surgiu com esse negócio de datas – coisa que não era do feitio dele até então – pra uma aparição em massa de discos voadores todo mundo ficou com a orelha em pé, inclusive este que vos escreve. A época predita era de novembro de 2006 até maio de 2007.

Foi com ainda mais surpresa que recebi a notícia de que ele não só delimitou os meses para o primeiro contato, como revelou também o DIA. E esse dia era – com 100% de certeza, segundo telefonema que ele deu para o editor da revista UFO, Gevaerd – 18 de novembro de 2006, às 17:30 (horário de Brasília).

Não custava nada dar um voto de confiança a ele, e dei, a ponto de me deslocar com uns amigos pra minha “base de observação”: a casa da minha mãe, no Janga. Às 16:30 aqui (17:30 no horário de Brasília) o céu começou a fechar… não de naves, mas de nuvens de chuva, mesmo. Ainda assim, nas áreas abertas, nem sinal de naves, e as únicas coisas que cruzavam o céu eram os passarinhóvnis (como apelidamos os passarinhos de lá). Otimistas, ainda pensamos: Essas nuvens são para posicionar as imensas naves-mãe sobre pontos estratégicos da Terra, sem serem vistos… meia-hora se passa, e nada. A TV continua com sua programação normal, ninguém ligou pra gente em pânico, nada… que frustrante, não? Qualquer pessoa ficaria desanimada, abatida, mas não nosso grupo!! Ainda pensamos na possibilidade dos ETs terem confundido o horário de Brasília com o de Pernambuco! (Afinal, estávamos no horário de verão, e imprevistos assim acontecem em grandes operações… aconteceu com o desembarque da Normandia, por que não aconteceria com a invasão da Terra?

Sempre com nosso melhor sorriso no rosto (para recepcionar os visitantes) e com a camiseta do Arquivo-X (we want to believe!), aguardamos a chegada das 17:30, apenas para nos frustrar mais uma vez… , e poderíamos ter ficado chateados, desmotivados e sem vontade de cantar uma bela canção, mas, por Deus, não nosso grupo!! Ainda tínhamos a esperança de que o céu se abrisse e, como estávamos no Janga, víssemos da nossa safra particular de OVNIs que se aventuram por aquelas bandas… Mas a vida… A vida, esta sim, é uma caixinha de surpresas. As nuvens continuaram a encobrir o céu por toda a noite, sem ventar, e nada pudemos ver.

O que nos leva de volta a Jan Val Ellam. Ele disse em várias ocasiões pra que não acreditássemos nele, que ele era só um mensageiro dos seres, e só faltou dizer a famosa frase: “mensageiro não merece pancada”. De fato, não merece. Mas não pode se eximir da responsabilidade. Em seu site, o Projeto Orbum, Jan Val Ellam diz: “É importante que possamos perceber o seguinte: o que eu tenho feito nos últimos meses, eu tenho agido conforme a solicitação dos amigos do outro lado”. Ele realmente acredita nas suas comunicações, é ponderado, equilibrado, em uma palestra que deu (e que pode ser ouvida no site), onde ele supostamente repete o que um espírito lhe diz, tem uma hora em que ele pára e diz “olha, é o espírito que está dizendo, não sou eu”. Ou seja, existe o potiguar Rogério de Almeida Freitas e a “entidade comunicante” Jan Val Ellam, onde o papel do Rogério é ser meramente um “rádio” de outros mundos.

Mas, até onde essa separação existe? Não “somos todos um“? Não existe a Lei da Afinidade? Por que só Jan Val Ellam surgiu com essa coisa de visita dos ETs? Será que ele, ao permitir-se ser o veículo desses mentores, ao entrar em afinidade com eles, não assumiu a responsabilidade kármica por TUDO o que seja dito através dele? Será que não seria o momento do Rogério ponderar se esses mentores – que o botaram numa fogueira e destruíram qualquer traço de credibilidade que ele possa ter tido – são realmente o que dizem ser? E será que isso não vale pra TODOS os que recebem comunicação “de fora” (seja através de mediunidade, canalização, contatos astrais, etc)? Até onde as pessoas de fora são mais inteligentes que nós? Será que não estamos repetindo o erro dos indígenas – que se deslumbraram com os colonizadores – ao valorizar o que é de fora, em detrimento do que é nosso?

Se Jan Val Ellam tivesse acertado, e tivesse aparecido mesmo uma enxurrada de naves no céu, ele estaria com certeza no Hall da fama ufológica mundial. Ele arcaria com os louros da vitória, independente de ter sido um ET ou um espírito brincalhão que lhe passou a informação. “Ao vencedor, as batatas”, como dizia Machado de Assis. Ora, nada mais justo que, na derrota, ele também deva levar os créditos, e entrar para o Hall of Shame da Ufologia.

Posts relacionados:
A volta de Jesus;
O “Caso Ellam” analisado pelo espiritismo

0 0 vote
Avaliação
Subscribe
Notify of
guest
115 Comentários
Newest
Oldest Most Voted
Inline Feedbacks
Veja todos os comentários

Posts Relacionados

Comece a digitar sua pesquisa acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione ESC para cancelar.