A CULPA É DE DEUS?

José Saramago escreveu um texto em que bota a culpa das coisas ruins que acontecem à humanidade em Deus. Ora, a idéia do texto é pensar que o fato do homem acreditar em Deus é a culpa por todas as nossas desgraças, e cita pra isso a conquista da Índia pela Inglaterra e os atentados ao World Trade Center (que, como sabemos, nada teve a ver com religião). Poder-se-ia dizer até que ele está correto, pois os homens USAM Deus pra justificar seus desatinos. Desde que a civilização floresceu que o ser humano procura uma desculpa pra justificar seus atos, e a melhor (e mais infalível) é dizer que “Deus quis assim”. É tiro e queda! Quem vai discordar de Deus? Especialmente quando o “enviado de Deus” conta com o poder militar e judiciário do seu lado.

SÓ QUE Saramago usa Deus como desculpa pra justificar seu ateísmo, já que o texto é claramente dirigido à idéia que “se as pessoas não acreditassem em Deus, não teria havido isso”. Que ingênuo… como se todo ateu fosse um pacifista… se ele é ateu – ou seja, cínico e inquisidor quanto às crenças – deveria ser mais cínico e inquisidor para com a história e procurar descobrir as reais motivações pra tanta atrocidade. Dizer que a maior orquestração terrorista da história, envolvendo mais de 30 homens e QUATRO aviões de passageiros foi uma idéia surgida “porque Deus disse pra fazer” é sim um atentado terrorista contra a inteligência humana!! Nem o Papa cai mais nessa: Quando Bush declarou guerra ao Afeganistão, ele tentou invocar o nome de Deus pra justificar o bombardeio, ressuscitando o espírito das cruzadas. O Papa cortou logo com um “deixe Deus fora de suas guerrinhas”. Bush acredita em Deus, e Saddam Hussein é ateu. Qual deles é melhor? Logo, percebe-se que todo o texto de Saramago é baseado numa premissa furada.

Saramago faria um bem à humanidade se usasse de ironia e lembrasse aos crentes que, se Deus existisse, teria de ser um Deus de Amor, e não de guerra. E que a maior “prova” de que Deus não existe residiria no fato de que a humanidade está mergulhada na barbárie desde os primórdios, só que agora conta com recursos mais sofisticados. Essa sim é uma idéia mais difícil de rebater pra quem crê num Deus “coisificado”, que protege certas etnias em detrimento de outras. Saramago faz uma salada religiosa e mistura a idéia desse Deus com o “fator Deus”, que é justamente a idéia que permeia a humanidade ANTES que as pessoas dessem um nome a Deus. O “fator Deus” é uma Unidade Criadora, que está em tudo que nos cerca, e se manifesta em todas as coisas visíveis e invisíveis, justamente aonde a ciência pára e olha estupefata para a inteligência da Criação. É um arquétipo que está presente em toda mente humana, do selvagem ao homem civilizado, e se manifesta (de formas inusitadas) até mesmo na cabecinha de Saramago (provavelmente como Sombra).

O ser humano é tão arrogante… Chamamos de “história” o período compreendido entre os primeiros escritos e o tempo atual. E sabe-se que, se o meio bilhão de anos que compreende toda a evolução do planeta Terra fosse equacionado em termos de 24 horas de um dia, toda a evolução do ser humano só aconteceria no último segundo antes da meia-noite!! Quanta coisa nós “perdemos”, hein? E quanta “história” poderia ser aprendida, SE soubéssemos ouvir os mais velhos, que costumavam ouvir as histórias de seus avós, e assim por sucessivas gerações, até tempos imemoriais… mas não, a “história” é feita pelo lado mais forte, e não importam os motivos, afinal, vai tudo ser reescrito mesmo… como dizimar os astecas e queimar todos os seus manuscritos, porque DEUS QUIS ASSIM, pois eram povos bárbaros que não tinham “salvação” (ou pelo menos foi a desculpa da Espanha. Claro que nem me passou pela cabeça que o motivo poderia ser o ouro que foi tirado de lá e que enchiam os galeões de volta pra Espanha). E os árabes assassinados nas cruzadas? E as “bruxas” queimadas por toda a Europa? Foi uma questão de justiça Divina aplicada pelos homens? Hoje em dia nem uma criança acredita mais nisso! Quer um exemplo mais recente? A guerra dos Palestinos contra Israel. Todo mundo sabe que é uma guerra política e social, contra a opressão vergonhosa imposta aos palestinos. Mas o povo pobre palestino precisa ser incentivado, precisam de fanáticos dispostos a fazer sacrifícios por um “ideal”, que na mente deles é pagar sangue com sangue (mesmo que isso estrague qualquer plano de paz que possa beneficiá-los). Então botam conceitos religiosos deturpados na cabeça deles, embora não haja sequer um ponto de apoio no Alcorão (conjunto de Leis de caráter Divino) pra justificar suicídio ou matar mulheres e idosos, como habitualmente fazem aqueles homens-bomba retardados. Mas mesmo um néscio precisa de uma motivação mais palpável para “cumprir a vontade de Deus”, e é por isso que os grupos terroristas dão dinheiro às famílias dos suicidas, ou pelo menos dava, até Israel descobrir o esquema e passar a ameaçar as famílias com prisão. Foi Deus que mandou isso? Não, nem mesmo Maomé. E aí ficamos tão somente com a mentalidade doentia humana e a trindade sexo / dinheiro / poder.

Quando Saramago, do alto do seu prêmio Nobel de Literatura, diz que o “fator Deus” foi o responsável pela ação destruidora dos homens não posso deixar de achar isso uma ingenuidade, pois Deus foi a última coisa em que essas pessoas pensaram. É justamente a FALTA do “fator Deus” no coração dos homens a responsável pelas desgraças que vemos na humanidade. Porque uma pessoa que CRÊ estar em comunhão com esta energia Criadora, independente de religião, não vai praticar um ato desumano pelo simples motivo de que ele vai estar atentando contra Deus, e consequentemente, ele mesmo! Essa era a filosofia por trás dos atos de Mahatma Gandhi. Os que praticam a iniquidade em nome de Deus obviamente não O conhecem de fato.

Ok, então Deus está fora disso. Aliás, para os ateus, Ele está fora de tudo, pois NÃO EXISTE. Por mim tudo bem, se a pessoa acha que o Universo, com sua precisão matemática e auto-gerenciamento, é todo obra do acaso (já que não apitamos em nada, ao contrário, só fizemos destruir a harmonia do nosso planeta) isso é problema pessoal. Acreditar ou não acreditar não vai alterar nada. O importante é RESPEITAR seu semelhante, e não fazer com os outros o que não gostaria que fizessem com você. E isso é uma regrinha de civilidade, sendo você ateu ou não. E se um cara chamado Jesus (ou Joselito, não importa) deixou lições preciosíssimas de cunho social e humanístico pra que todos possam viver em paz, esse cara merece ser ouvido, e não importa se as pessoas acreditam que ele é Deus, Avatar, Sananda ou Drag Queen, desde que elas abram seu coração para a mensagem. Só não acho certo aparecerem pessoas que se acham muito espertas e autônomas usando seu prestígio para desacreditar a FÉ de outras pessoas, que buscam num Poder Superior a FORÇA para se tornarem pessoas melhores.

Porque DEUS está em todos nós… mas isto Saramago nunca poderia entender…

Referência:
Stephen Hawking, The Big Bang, and God;
Em nome de Deus (A Espanha islâmica)

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