CONTROLANDO SEU AVATAR

Era – Avatar

Avatar é o boneco de Deus na Terra. Do sânscrito Avatara (que significa “Descida“, no sentido “do céu para a terra”), esse nome se refere a manifestação de uma deidade em nosso mundo. Há duas formas de Avatar: O direto e o indireto. Direto (Sakshat) é quando o Deus aparece diretamente, seja como Vishnu, seja como o arbusto flamejante pra Moisés. Indireto (Avesa) quando investe de poderes uma uma pessoa, como ocorre com Jesus, Krishna, Buda, Vasudeva, etc.

Com a popularização da Internet e suas redes sociais, passamos a usar o nome “Avatar” pra representar nossa imagem (e personalidade) online. Ao criamos um personagem para nós no Orkut, Facebook ou jogos on-line, agimos como deuses dentro de um mundo (seja ele um novo mundo social, como o Orkut, ou um mundo virtual, como The Sims) e interagimos com seus habitantes através de um veículo e suas limitações (no caso, o que esse personagem pode fazer no mundo). Estamos criando realidades e nos tornando um pouco deuses, assim como antigamente em muitas culturas o patriarca era o deus em sua casa.

Mas Avatar será conhecido de agora em diante como o filme mais imersivo e espetacular já criado para o cinema. Graças ao avanço feito na técnica de exibir imagens em 3D, James Cameron nos presenteou com um filme que vai ficar na mente de toda uma geração, assim como Star Wars ficou na mente de James Cameron. Se você nunca viu um filme em 3D, ESSE é o filme que você deve ver em primeiro lugar. Levem seus filhos, família – todos que pensam que já viram de tudo no cinema e estão confortáveis com TVs de 50 polegadas pra não ter que sair de casa e ver mais do mesmo – leve-os para serem DESAFIADOS a repensar o conceito de entretenimento, leve-os a uma experiência visual que, de tão intensa, se torna visceral. Suas crianças herdarão uma mensagem de proteção ambiental e a luta contra a ganância humana. E ao dormir desejarão acordar em Pandora, como eu desejei.

Mas este post não é uma crítica sobre o filme. Isso eu já fiz aqui. O que venho lhes mostrar é que a proposta tecnológica do filme – a de que poderemos no futuro estar controlando o corpo de outros seres – não é tão ficção científica assim. Pra isso precisamos saber a premissa básica da história, que é: no futuro (2150), o ser humano (leia-se “grandes corporações”) estará em busca de novos planetas. Não pra colonizar, não pra conhecer novas raças, mas pra explorar seus recursos naturais, como fazemos aqui na Terra. E a bola da vez é Pandora, um planeta habitado pelos Na’vis (criaturas azuis com o avanço tecnológico de nossos indígenas de outrora). Debaixo de onde eles moram há uma reserva enorme de um minério que vale bilhões para os humanos, então as corporações mandam cientistas para o planeta pra fazer amizade com os Na’vis, dentro de corpos Na’vi geneticamente modificados (os Avatares), que eles podem controlar remotamente, utilizando o pensamento.

Viagem na maionese? Não mesmo

Pierpaolo Petruzziello é um brasileiro que sofreu um acidente de carro em 2006 e perdeu a mão. Seu pai resolveu inscrevê-lo num projeto que visa utilizar uma mão biônica movimentada pelo pensamento, assim como nossa mão orgânica o é. Microeletrodos foram implantados nos músculos de Petruzziello, que transformam os sinais enviados pelo cérebro para o músculo em movimentos da mão e dedos. Pierpaolo conseguiu fazer movimentos complexos com a mão usando apenas o pensamento, como segurar uma bola com a ponta dos dedos. Notem que não há um implante real, uma ligação física entre a mão e os músculos. Os eletrodos é que captam os dados e retransmitem para a máquina. Ou seja, ele poderia movimentar a mão pela internet, se os cientistas assim o quisessem.

Apesar de ser excelente para quem perdeu a mão, traduzir a intenção de se mover para uma contração muscular exige esforço consciente. O próximo passo é desenvolver uma prótese que possa ser controlada pelo pensamento direto. E isso já está sendo desenvolvido na Universidade John’s Hopkins, em Baltimore, nos Estados Unidos. Pesquisadores gravaram a atividade cerebral de macacos enquanto eles moviam os dedos em formas diferentes. Então criaram algoritmos para decodificar esses sinais enviados pelo cérebro, identificando cada padrão específico. Conseguiram que a mão robótica se movesse como previsto em 95% dos casos. Movimentos simples, mas promissores.

Petruzziello explica o processo pelo qual ele move a mão, que é um tanto quanto metafísico: “Eu fecho meus olhos e repito pra mim mesmo: minha mão existe“. E ele consegue. Na verdade, segundo os cientistas, ele foi o primeiro a conseguir fazer movimentos complexos com essa mão biônica. O que nos leva ao filme Avatar. Nele a criatura Na’vi que a pessoa vai controlar é “moldada” num nível genético de acordo com as características do DNA do controlador. Isso pra haver uma “resposta” das células da criatura com o pensamento do controlador. Muito viajado? Não mesmo. Cientistas já reconhecem que as moléculas do corpo são controladas por frequências de energia vibracional, seja luz, som ou eletromagnetismo, que é o próprio pensamento. Mas já vimos isso acontecer há mais tempo ainda na mediunidade, onde supostamente um espírito (de alguém desencarnado) controla (total ou em parte) um médium (alguém encarnado e sensitivo) a longa distância (vindo de diferentes vibrações, quiçá outros mundos, se formos acreditar nos livros espíritas!) através de uma afinidade vibracional. Aprendemos muito por meio de Chico Xavier sobre a mediunidade. Há toda uma preparação do receptor, pra que ele se afinize com o espírito em um nível de pensamento/vibração. Isso pode levar anos de treinamento pra receber com clareza os “comandos” (pensamento) do espírito (levou anos com o Chico, que foi um dos mais completos médiuns do mundo!!). Após o processo estar “otimizado”, vemos uma simbiose entre o “comandante” e o “comandado”. Pode-se até mudar o rosto, a postura, o olhar, dependendo das partes que o espírito controla. Aprendemos que todos somos médiuns, em algum nível, mas o organismo dos médiuns mais “ativos” possuem uma característica que vem sendo mapeada pelo Dr. Sérgio Felipe de Oliveira, que fez tomografia computadorizada em pacientes com mediunidade “alta” e percebeu que a pineal deles possui mais cristais de apatita que o normal. É como se eles fossem um rádio ou sintonizador de melhor qualidade (leia mais aqui).

O tema tem tudo a ver (filme Avatar, medicina e espiritismo) com o que vínhamos tratando nos posts mais recentes, que é o avanço na descoberta das maravilhas da mente, do quanto ela é responsável por nosso “eu” não só a nível psíquico, mas biológico, mesmo nos menores detalhes a nível celular. E aonde está essa “mente”? Ela desafia neurocientistas a mapeá-la; eles simplesmente não podem localizar suas funções em lugares específicos no cérebro! É isso que nos diz o neurocientista paulista Miguel Nicolelis, neste vídeo. As funções do corpo não são determinadas “pela geografia”, mas sim “pelas demandas que se impõem ao cérebro”. “Se a pessoa perde a função visual, a função táctil se distribui para todo o córtex cerebral – inclusive para o córtex visual”. Segundo o neurocientista, o cérebro tem a função de “remapear o mundo”. “A plasticidade é inerente à dinâmica do cérebro, misturando múltiplas visões”,

Nicolelis chefia um grupo de 30 pesquisadores no Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA). Ele pesquisa as possibilidades de integrar o cérebro às máquinas, abrindo a possibilidade para que alguém “pense” em um lugar e uma ação seja desencadeada por um instrumento em um localidade distante. No ano passado, a equipe conseguiu fazer um robô de 80 quilos e um metro e meio de altura andar usando apenas a força do pensamento de uma macaca. Detalhe: o animal estava em um laboratório na Carolina do Norte e o robô estava no Japão. Ou fazer um macaco mexer um braço robô. Os experimentos são avanços na criação de uma interface entre cérebro e máquina que permita a pacientes paralisados andarem ou se movimentarem, guiando membros mecânicos apenas por meio de ondas cerebrais, e recebendo a resposta táctil por meio dessa mesma interface. “O nosso alcance vai mudar, no longo prazo, nossa noção de ambiente, de presença física”, afirmou. “É como se houvesse uma incorporação ao corpo”, afirma. Segundo ele, isso será possível por meio da interação entre as máquinas e o cérebro humano – que passaria a considerar aparelhos, mesmo que estivessem distantes, como se fossem parte do ser humano. Para isso, é preciso que o cérebro receba e “entenda” os sinais emitidos pelos aparelhos e vice-versa. Segundo ele, isso não está muito longe: “No caso de um tenista, já é como se o cérebro entendesse a raquete como uma parte do corpo”, diz.

Fantástico, não?

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