ANO NOVO PERSA

Hoje, 20 de março, se comemora o Nowruz, o Ano Novo Persa. Essa comemoração advém do antigo império Persa (do Rei Xerxes, aquele do filme 300), quando a religião era o Zoroastrismo. Atualmente, a região onde era a Pérsia é o Irã, e o Ano Novo ainda é comemorado lá, mas meio discretamente, pois o Irã é hoje muçulmano e o Zoroastrismo (assim como a língua persa) ficou em segundo plano (o Zoroastrismo é visto lá também como uma forma de resistência psicológica contra o Islamismo, que muito da população da capital Teerã detesta).

O Nowruz é comemorado com um grande peixe defumado, e petits gâteaux (bolinhos), e todos dançam em uma grande roda de ciranda. O mais interessante é que o Ano Novo deles, ao contrário do nosso, tem base lógica e científica. Isso mesmo, porque ao contrário da nossa convenção artificial, em que comemoramos na meia-noite de um determinado dia de um calendário inventado, no deles o ano é solar, ou seja, leva o tempo que a Terra leva pra completar a volta em torno do Sol, e por isso mesmo pode ser comemorado no dia 20 ou 21 de março, e num horário que todo ano muda (coincidentemente esse ano foi 23:30, quase meia-noite, mas acontece de ser de manhã, também). Como um círculo não tem começou ou fim, não existe um dia em que a Terra começou a girar em torno do Sol, então por que escolherem essa data? Por conta do Equinócio de março, quando o planeta Terra recebe luz do Sol de forma igual, e por isso o dia e a noite possuem quase a mesma duração. É quando o Inverno acaba e o Sol reaparece (na parte Norte do globo, que é de onde vieram todas essas civilizações antigas) e as árvores secas começam a brotar suas folhas e florzinhas. A vida começa a ressugir na Terra. Realmente faz TODO o sentido começar o ano agora, pra quem vive no hemisfério Norte.

Os padres Zoroastrianos são chamados de Magha. Os gregos os chamavam de Magi (Magus, no singular). Os Zoroastrianos passaram a ser chamados de Magians, então vem daí o nome “Mago” e “Magia“, pois os gregos, ao verem o quanto os persas eram bons em ciências e medicina, associavam as curas e previsões astrológicas à feitiçaria. Os três Reis Magos que deram presentes a Jesus eram na verdade padres Zoroastrianos. O estudo da astronomia é essencial para o Zoroastrismo porque é assim que eles calculam os anos, e com base nisso a época da plantação e colheita. O “papa” dos Zoroastrianos é o “Arquimago“. Os Iranianos ficam putos de ver sua religião associada à magia / feitiçaria, e mais putos ainda em ver o antigo Rei deles, o Xerxes, representado pelo Rodrigo Santoro de tanguinha dourada (o primeiro “Boy Magia” da história).

ANO NOVO PERSA Xerxes
Desculpa

Zoroastro (ou Zaratustra) é o fundador da religião persa. Os próprios persas não cultuam a pessoa de Zoroastro, tanto que chamam a sua religião de Mazdayasni (em referência ao Deus Mazda). Foram os gregos que deram o nome de Zoroastrismo. Os textos gregos dizem que foram “bons espíritos” que deram as Leis aos persas.

“Os persas dizem que Zoroastro, por sua paixão pela sabedoria e justiça, deixou seus companheiros e se isolou em uma certa montanha; e então a montanha pegou fogo, através de uma chama gigante que desceu do céu e que queimava incessantemente. O Rei e os mais nobres persas se prostraram aos pés da montanha para orar à Deus, e então viram Zoroastro sair de dentro do fogo ileso, e ele os convidou a ficarem felizes e agradecer ao fato de que Deus tenha se manifestado neste lugar. E após isso Zoroastro se associou a eles, mas não todos, apenas aos que ele considerava mais voltados à Verdade, os mais capazes de compreender Deus, homens que os persas chamaram de Magi, que significa pessoas que sabem como cultivar o poder divino, e não o que os gregos, em sua ignorância, utilizam no sentido de denominar feiticeiros.”

Lucius Cassius Dio Cocceianus; 163-229 d.C

Uma história interessante, que guarda GRANDES semelhanças com a história de Moisés e uma leve semelhança a do criador do Reiki, Mikao Usui. Sem falar que todo o relato mais parece uma ocorrência ufológica.

De acordo com Porfírio (Neoplatonista do 3º século a.C), foi Zoroastro o primeiro a instituir o culto a Mitra, o Deus do Sol, da sabedoria e da guerra, numa caverna natural. Mitra viria a se tornar popular na Índia e Roma, e incorporado na mitologia cristã até hoje.

Os Zoroastrianos também tinham conhecimento da forma esférica da Terra e do Universo, representados na “Esfera celestial”. Também conheciam o conceito de atmosfera terrestre e traçaram o movimento das estrelas, especialmente de 12 constelações, que eles apelidaram como animais, pessoas e objetos (e assim formaram o Zodíaco).

Zoroastro
No quadro A Escola de Atenas, de Rafael Sanzio, Ptolomeu é visto de costas, segurando o planeta Terra, enquanto Zoroastro está à frente dele, aparentemente numa animada conversa com os pintores Perugio e o próprio Rafael, enquanto segura uma esfera celestial.

Ah, e hoje também é primeiro dia do ano no Calendário nacional indiano e para os Rosacruzes.

Referência:
Introduction: Zoroastrianism & Astrology;
Greek Perceptions of Zoroaster, Zoroastrianism & the Magi;
Zoroastrian (Persian) Astrology & Cosmology

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