ZION

Quem assistiu Animatrix sabe que, se não fosse a arrogância e dominação dos humanos, não teria acontecido a rebelião das máquinas (e consequente dominação da humanidade). Neo agora está lutando a boa luta, mas está pagando por algo que seus antepassados fizeram. Consequência de uma ação passada, uma tecla digitada que se tornou um “A”. No nosso caso, não podemos pôr a culpa nos nossos antepassados. Eles eram nós mesmos. O que destruímos ontem, hoje teremos de reparar, para restabelecer a harmonia.

Isso não quer dizer que todos nós tenhamos de ser iguais. As abelhas são “iguais” mas são diferentes, e trabalham em harmonia. A palavra harmonia quer dizer ordem. Não uma ordem externa e repressora, como a submetida aos personagens de 1984, de Orwell. É sim uma ordem interna, de compreensão. A partir daí você não precisará ter uma lei escrita que lhe diga que sua liberdade termina onde começa a do outro. Foi isso que Jesus tentou explicar quando disse que não veio destruir a Lei de Moisés, e sim cumpri-la (Mateus 5:17). Jesus certamente não tentou impô-la pela força.

Nós somos de fato as tais anomalias que O Arquiteto menciona em Matrix Reloaded. E por isso estamos confinados aqui, nesta mistura de Matrix e Zion. Primeiro, fomos todos colocados na Matrix, e a maioria de nós ainda vive no mais básico nível nela, onde representamos um papel. Trocamos de “nick” a cada encarnação, e com isso esquecemos do que fomos e podemos ter uma nova chance de aprendizado. Só que faz parte da nossa natureza transgredir, questionar, quebrar pra ver como funciona, enfim, hackear o sistema. Então alguns descobrem a suposta “saída”: Zion! Que maravilha! O visual não é dos melhores, a comida também não… mas acreditamos estar fora do sistema, das regras, e isso é o que vale!! Não existe bem ou mal, não existe Deus pra nos dar ordens, tudo o que você acreditava ser era uma ilusão. Há a tendência a se negar e a negar tudo o que aprendeu, inclusive esse “papo” de responsabilidade… viva a sociedade alternativa! Tudo é da Lei!

E então as pessoas vivem felizes nesse mundo criado para e por elas. Alguns conseguem achar Zion aqui na Terra mesmo. Outros, só após a morte. Estes últimos vão, por afinidade, aos planos dimensionais que ficam mais próximos à crosta da Terra (que, no espiritismo, são chamados de umbrais). Quem adora rituais iniciáticos, vestes sacerdotais, hierarquias baseadas tão-somente na sua capacidade de adquirir poderes (siddhis) provavelmente vai se extasiar com os umbrais. Lá temos muitos místicos, crentes, padres e espíritas que se deslumbraram com os poderes e conhecimentos que lhe foram dados aqui na Terra e esqueceram do que deveriam ter feito com eles. O mais interessante disso tudo é que provavelmente não encontrarão (muitos) ateus nos umbrais, já que eles não têm com o que se deslumbrar e, se tiverem caráter, terão tido uma vida bem mais digna e proveitosa. É por isso que Jesus dizia “Eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento.” (Lucas 5:32).

Engraçado… estão apenas sendo eles mesmos. Grande esforço evolutivo, não? Mas então o sentido da vida é nos tornarmos algo que não somos? Bem, se você for reparar, todos os Mestres nos exortam a um ESFORÇO no sentido de uma mudança interior. Mas nem todas as doutrinas pedem isso, e é fácil perceber aonde elas querem chegar: “Compre já o livro e o CD tal e mude sua vida!” ou “Entre para a Igreja tal e seja salvo! Quanto mais você doar, mais chances tem de se salvar!!“…

Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.

Allan Kardec

Se o Evangelho Apócrifo da Infância de Jesus segundo Pedro estiver correto, até mesmo Jesus andou aprontando com seus poderes quando criança:

Jesus foi até a praça e, vendo as crianças que se haviam reunido para brincar, juntou-se a elas. Essas, tendo-o visto, esconderam-se e Jesus foi até uma casa e perguntou às mulheres que estavam à porta, onde as crianças haviam ido. Como elas responderam que não havia nenhuma delas na casa, o Senhor Jesus disse-lhes:
– Que vocês estão vendo sob este arco?
Elas responderam que eram carneiros com três anos de idade, e então Jesus gritou:
– Saiam daí, carneiros, e vinde em direção ao vosso pastor.
Imediatamente as crianças saíram, transformadas em carneiros, e saltavam ao seu redor.
As mulheres, tendo visto isso, foram tomadas de pavor e adoraram o Senhor Jesus, dizendo:
– Jesus, filho de Maria, nosso Senhor, tu és verdadeiramente o bom Pastor de Israel. Tem piedade de tuas servas que estão em tua presença e que não duvidam, Senhor, que tu vieste para curar e não para perder.
Jesus respondeu que as crianças de Israel estavam entre os povos como os Etíopes.
As mulheres disseram:
– Senhor, conheces as coisas e nada escapa à tua infinita sabedoria. Pedimos e esperamos a tua misericórdia. Devolve a essas crianças sua antiga forma.
Jesus disse, então:
– Vinde, crianças, para que possamos brincar.
Imediatamente, na presença das mulheres, os carneiros retomaram a aparência de crianças.

Evangelho Apócrifo de Pedro, cap 39

Por que a Igreja tenta esconder isso? As tentativas de Buda estão todas lá, fazem parte do aprendizado até de quem o segue, saber o que ele fez e não deu certo. Errar é humano. Não continuar errando é divino.

Nos livros espíritas André Luiz nos traz notícias de localidades espirituais, compostas tanto de espíritos medianos, elevados, ou francamente inferiores. Neste último, não só o “sacerdote” Gregório se fez apresentar em grande estilo – como os Papas de outrora, carregado por serviçais submissos – como também comandava o julgamento de espíritos que faliram na Crosta. Aliás, é no livro Libertação que é narrado o drama da mulher que provocara vários abortos em si e é transformada por Gregório em loba, perante uma multidão apavorada.

Tem também aqueles que não estão nem aí pra sua condição de “mortos” e continuam enclausurados na sua rotina de quando vivos (geralmente ficam vagando pela crosta da Terra). Ou os que se decepcionam com o que encontram do “lado de lá” e se fecham em uma “concha”: No livro Missionários da Luz, André Luiz fala-nos de uma igreja de construção antiga e habitada por padres desencarnados que prosseguem, ali, a exercer sua condição, muito embora entregues a revolta profunda, pelo fato de não terem recebido no plano espiritual as honras e privilégios dos quais se julgavam merecedores.

Por fim, no livro Os Mensageiros temos os “espíritos que dormem” no Posto de Socorro de Campo da Paz, entre “Nosso Lar” e a crosta da Terra, mergulhados em pesadelos indescritíveis. O interessante é que alguns deles, após receber o passe e despertarem do sono, em vendo os benfeitores, fogem apavorados, julgando-os fantasmas ou algo assim.

Mas, pra eles, isso é Zion? Sim, é. É o que eles encontram do “outro lado” e tomam isso por realidade (e não deixa de ser, assim como a nossa realidade aqui é uma realidade). Mas, como Matrix Reloaded sugere, há tanta ilusão em Zion como existia na Matrix. Então estamos vivendo em várias “Matrixes” sucessivas, algo que já havia sido abordado na antiguidade, por exemplo: Nos Vedas, quando tratam dos três planos de existência, que se desdobram em sete; na Cabalá, quando vemos que as três esferas de baixo da árvore da vida representam o plano material (matéria, tempo e espaço formando o nosso plano existencial: Malkuth) e as 7 restantes (inclui-se aí a esfera invisível) formando a parcela espiritual; e na mitologia Persa o céu de Mitra é composto de três planos (que se desdobram em outros 7 níveis) onde irão transitar as almas; Três e sete, dois números sagrados… coincidência?

Referência:
Pluralidade dos mundos, segundo o espiritismo

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