REMÉDIO AMARGO

Nem sempre uma coisa que nos parece ruim é para o mal. Quando uma mãe força o filho a tomar o remédio amargo, ela está fazendo um bem, pois sabe que ele ficará curado com aquilo. O pirralho não tem ainda o discernimento pra aprender que é melhor ficar com um amargor na boca agora do que conviver com uma doença incapacitadora depois.

Um exemplo na minha família dá-se agora: meu avô de mais de 97 anos está internado há quase 2 semanas, num quadro grave, e toda a família já se conformou com sua partida (afinal, nesta idade é mais do que natural), então fiquei me questionando “o que mais o prende ao corpo?” Sei que meu avô era muito apegado à vida, mas de uns tempos pra cá a idéia de morrer já não o assustava. Sei também que ele preferiria mil vezes desencarnar em casa, em sua caminha, do que no quarto de um hospital, então me questionava mentalmente “por que meu avô ainda está nesse sofrimento, já que ele tem mais do que merecimento pra uma morte tranquila?”

A resposta veio através do irmão Bernardo, que falou que meu avô estava ali para uma “desintoxicação” espiritual. Irmãos estão trabalhando na aura dele para eliminar paulatinamente traços grosseiros que, se deixados, o levariam automaticamente a seguir – após o desencarne – espíritos grosseiros (por afinidade vibracional, quisesse ele ou não). Considerando que meu avô sempre foi mulherengo (o apelido que botei nele foi Mestre Kami) isso fez um sentido enorme, e já não achei tão terrível ele estar no hospital. Mas perguntei se ele sofria com os procedimentos, e Bernardo disse que não, que a consciência (alma) dele estava sendo mantida em repouso.

Interessante como o conhecimento do mundo espiritual muda todo o enfoque de um quadro aparentemente triste. Eu poderia simplesmente me revoltar com Oráculo e Bernardo, que aparentemente não estavam abreviado a dor do meu avô, mas sei que “não não cai uma folha (da árvore) sem que Ele disso tenha ciência” e que nada acontece por acaso ou para o mal sem que haja com isso aprendizado. O que parecia ser uma sacanagem da espiritualidade com o meu avô mostrou ser na verdade um favor. E tem gente que defende a eutanásia, sem saber que, na melhor das intenções, pode-se estar condenando seu ente querido a uma viagem sem escalas ao umbral, com privações ainda mais terríveis do que a de uma cama de hospital.

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