WEIRD SCIENCE (parte 2)

EU VOU BEBER PRA ESQUECER MEUS POBREMAS…

Só a saideira…

Pesquisadores da Universidade de Tóquio estudaram a velha questão de que o álcool ajuda as pessoas a afogar a tristeza, e descobriram que é o contrário, pois as pessoas que se embriagam fortalecem suas memórias ruins.

Foi concluído que o etanol dá mais força às lembranças no cérebro. Em seus experimentos, coordenados pelo farmacologista Norio Matsuki, deram leves choques a ratos de laboratório, para condicionar o medo nos animais. O resultado é que os ratos ficam congelados de medo toda vez que eram colocados em suas gaiolas. Logo depois, os cientistas injetavam álcool ou uma substância inócua (para controle) nos roedores. E descobriram que os ratos com álcool nas veias ficavam mais tempo paralisados de medo do que os que não foram “embriagados”, com a aversão durando duas semanas. “Se aplicarmos esse estudo a seres humanos, as memórias que eles estão tentando eliminar vai continuar mais fortes, mesmo se beberem álcool para tentar esquecer um evento do qual não gostaram e ficar de bom humor por alguns instantes. No dia seguinte, não vão se lembrar do efeito alegre da bebida”, escreveram os pesquisadores.

O conselho de Matsuki aos que bebem para esquecer é este: “Para esquecer algo desagradável, é melhor sobrepor uma memória positiva à memória negativa e deixar o álcool de lado”. O estudo está na revista científica Neuropsychopharmacology.

Fonte: Antidrogas

INALAR INCENSO É PREJUDICIAL À SAÚDE

Usado desde a Antigüidade com sentido de purificação e proteção, o incenso acaba de receber sinal vermelho da Pro Teste, a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Cinco marcas avaliadas mostram que daquela fumacinha, aparentemente inocente, exalam substâncias altamente tóxicas.

Queimando um incenso todos os dias, por exemplo, a pessoa inala a mesma quantidade de benzeno – substância cancerígena – contida em três cigarros, ou seja, em torno de 180 microgramas por metro cúbico. Há também alta concentração de formol, cerca de 20 microgramas por metro cúbico, que pode irritar as mucosas.

As substâncias nem de longe lembram as especiarias aromáticas com as quais o incenso era fabricado no passado, como gálbano, estoraque, onicha e olíbano. Se há uma leve semelhança, ela reside na forma obscura da fabricação. No passado, o incenso era preparado secretamente por sacerdotes. Hoje, o consumidor também não é informado como esses produtos são feitos e quais substâncias está inalando. O motivo é simples: por falta de regulamentação própria, os fabricantes de incenso não são obrigados a fazer isso.

Nas cinco marcas avaliadas (Agni Zen, Big Bran, Golden, Hem e Mahalakshimi), todas indianas, não há sequer o nome do distribuidor brasileiro na embalagem. Muito menos a descrição de quais substâncias compõem o produto. A Folha tentou localizar as empresas, por meio dos nomes dos incensos, mas, assim como a Pro Teste, não teve sucesso. A avaliação foi feita a partir da simulação do uso em ambiente parecido com uma sala. Segundo a Pro Teste, foi medida a emissão de poluentes VOCs (compostos orgânicos voláteis) e de substâncias passíveis de causar alergias, como benzeno e formol. As concentrações foram medidas após meia hora do acendimento.

Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste alerta que os aromatizadores de ambiente, como o incenso, são vendidos sem regulamentação ou fiscalização, o que representa perigo à saúde. “Os consumidores pensam que se trata de produtos inofensivos, que trazem harmonia e, na verdade, estão inalando substâncias altamente tóxicas e até cancerígenas”. A Pro Teste reivindica que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) faça um estudo sobre o impacto dos produtos na saúde e elabore regulamentação para a produção, importação e venda no Brasil.

Clystenes Soares Silva, pneumologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), explica que nem pessoas predispostas a desenvolver quadros alérgicos (como rinite e asma) nem pessoas saudáveis devem se expor aos incensos.

E vocês que achavam que a história da Enya ter morrido de overdose de incensos era só uma lenda…

Fonte: Folha

DOAR DINHEIRO TRAZ FELICIDADE. PORTANTO, DOEM-NO PRA MIM!

Pesquisadores canadenses realizaram um estudo e concluíram que doar dinheiro para caridade ou gastar com os outros pode tornar as pessoas mais felizes.

O estudo foi dividido em três fases: Na primeira fase, perguntaram a 630 pessoas o que as tornava mais felizes. Em seguida pediram dados gerais sobre renda e que fizessem um balanço de seus gastos mensais com contas, presentes que compravam para si mesmas e para os outros, além de doações para caridade. Elizabeth Dunn, que coordenou a pesquisa, disse que os especialistas queriam testar a teoria de que a forma como as pessoas gastam seu dinheiro é tão importante quanto o tamanho do salário:
“Independentemente do tamanho da renda, os que gastaram dinheiro com os outros disseram se sentir mais felizes do que os que gastaram consigo mesmos”.

Em seguida a equipe avaliou o nível de felicidade de 26 funcionários de uma empresa, antes e depois de ganharem seus bônus, que variaram entre US$ 3 mil e US$ 8 mil. Eles perceberam que, para os voluntários, a forma como gastaram o bônus foi mais importante do que seu tamanho. Os que gastaram o dinheiro comprando presentes para os outros ou doando um montante para instituições de caridade afirmaram ter se sentido mais realizados do que os que simplesmente gastaram com si mesmos.

Na última fase do estudo os pesquisadores deram a 46 estudantes envelopes, contendo ou US$ 5 ou US$ 20, e lhes pediram que gastassem o dinheiro ate às 17h daquele dia. Metade dos estudantes tinha de gastar o dinheiro consigo mesmos e a outra metade foi orientada a gastar com outras pessoas. Mais uma vez, os especialistas verificaram que os estudantes que gastaram a verba com os outros se sentiram mais felizes. “Os resultados sugerem que mesmo que se gaste pouco, como US$ 5, já pode ser o suficiente para produzir sentimentos de felicidade”, disse Dunn.

A pesquisa foi publicada na revista Science.

Fonte: BBC Brasil

NEURÔNIOS-ESPELHO

Qual é a semelhança entre um elefante vaidoso, um camundongo camarada e um macaco pidão, e por que nos arrepiamos quando olhamos alquém que se cortou?

Recentemente, foi mostrado que elefantes possuem a curiosa capacidade de se reconhecerem quando em frente a espelhos. Também foi mostrado que camundongos sentem compaixão quando observam companheiros de gaiola sofrendo. Apesar desses estudos parecerem meras curiosidades do mundo animal, eles revelam que certos animais, assim como os humanos, possuem um certo nível de auto-consciência. Mas onde entram o macaco pidão e o arrepio ao vermos alguém que acaba de se cortar?

Graças a uma descoberta feita sem querer por cientistas italianos da Universidade de Parma em 1996, o grupo de neurônios responsável por reconhecer outros indivíduos, interpretar suas ações e expressões e se relacionar com eles – os chamados neurônios-espelho – foi identificado. Giaccomo Rizzolatti e seus colaboradoes em Parma estavam apenas estudando o grupo de neurônios que aumentavam a atividade quando um macaco estendia o braço para pegar uma banana, por exemplo. Eles acreditavam que estavam estudando apenas neurônios envolvidos com a atividade motora do macaco. Durante uma pausa no experimento um dos colaboradores pegou uma banana, com a intenção de comê-la. Para a surpresa de todos os cientistas presentes naquele momento, os mesmos neurônios do macaco aumentaram a atividade, sem que o macaco se mexesse! Ou seja, os neurônios que estão em atividade quando o indivíduo executa uma ação são os mesmos que estão em atividade quando o indivíduo observa outro executando a ação. Esses neurônios foram batizados de neurônios-espelho, pois através deles conseguimos nos projetar em outros indivíduos e experimentar suas sensações.

Os pesquisadores foram ainda mais longe e mostraram que os mesmos neurônios que disparam quando somos espetados por uma agulha disparam quando vemos outra pessoa espetada por uma agulha. Em outras palavras, literalmente experimentamos a dor alheia. Mais interessante ainda, por meio de técnicas de imagem cerebral como eletro-encefalograma (EGG) e ressonância magnética (fMRI), pesquisadores mostraram que conseguimos experimentar as emoções alheias, com a mesma intensidade que vivenciamos as nossas próprias emoções.

Vários cientistas, entre eles Vilayanur Ramachandran, especulam que a descoberta dos neurônios-espelho é o elo perdido que ajuda a explicar por que somente o homem, entre todas as especies conhecidas, teve capacidade cognitiva suficiente para desenvolver linguagem e cultura. Ramachandran acredita que em um momento-chave durante a evolução do homem, neurônios-espelho ficaram muito melhores (mais rápidos e mais numerosos) do que os presentes em outros animais, fazendo com que o aprendizado via observação e repetição se tornasse mais eficiente, promovendo a passagem de qualquer conhecimento adquirido diretamente de uma geração para outra (dita herança cultural), sem a necessidade de aguardar o lento processo de seleção natural darwiniana. Como já observado por Rizzolatti, esses neurônios possivelmente foram responsáveis pela imitação dos movimentos de lábio e língua que possivelmente produziu a oportunidade da linguagem se desenvolver (é por isso que, quando você mostra a língua para um recém-nascido, ele provavelmente mostrará a língua de volta).

E o que acontece quando os neurônios-espelho não funcionam como o previsto? Há indícios de que podem causar problemas de socialização, com o autismo. Em trabalhos cientificos publicados por Vilayanur Ramachandran e Marco Iacoboni, crianças com autismo apresentam uma disfunção no sistema de neurônios-espelho. O teste realizado pelos pesquisadores para confirmar a deficiência de neurônios-espelho nas crianças autistas foi simples e direto, e as medidas de atividade cerebral foram feitas como uso do encefalograma. Primeiramente, os pesquisadores pediram para a criança abrir e fechar a mão direita em forma de pinça e mediram a atividade de um grupo específico de neurônios. O próximo experimento foi mostrar um filme em que uma pessoa executava exatamente o mesmo movimento com a mão. Em uma criança normal, os mesmos neurônios-espelho seriam reativados. Em crianças autistas, não aconteceu a ativação. Ou seja, em crianças autistas “os espelhos estariam quebrados”.

Fonte: G1: Espiral

MASSAGEANDO A MÃO FANTASMA

Membros fantasmas ocorrem quando um amputado sente muitas vezes a dolorosa a sensação de toque decorrentes de um membro que não está mais presente. Trabalhando com veteranos de guerra, Vilayanur Ramachandran (o mesmo do artigo acima), do Centro de Cérebro e Cognição da Universidade da Califórnia, San Diego, já descobriu uma cura em potencial.

Seu tratamento faz uso das recém-descobertas propriedades dos neurônios-espelho. Tais neurônios se ativam quando uma pessoa desempenha uma ação intencional – como acenar – e também quando ela OBSERVA alguém executando a mesma ação. Eles existem para nos ajudar a prever as intenções dos outros, criando uma “realidade virtual”, uma simulação da ação nas nossas mentes. “Você também encontrará células como estas no toque”, diz Ramachandran. “Elas se ativam quando você toca em si mesmo e quando você assiste alguém sendo tocado no mesmo local”. Mas isto levanta a questão: Por que é que nós não sentimos o toque em nós mesmos quando o vemos em outra pessoa?

Ramachandran propôs que mensagens das células sensoriais do toque poderia parcialmente inibir a atividade dos neurônios-espelho, impedindo a mensagem de ir para os mais elevados centros do cérebro. “Eles estão dizendo que o cérebro: Eu sinto seu toque em alguma forma abstrata, mas não num sentido literal”, diz ele. “Este mecanismo permite que você simultaneamente tenha empatia e reconheça que alguém está sendo tocado, mas que não pense que você mesmo esteja sendo tocado”.

Caixa espelhada

Para testar esta teoria, Ramachandran e sua colega e esposa Diane Rogers-Ramachandran utilizaram uma caixa espelhada – uma ferramenta que cria a ilusão visual de duas mãos em pessoas que realmente têm apenas uma. Ao colocar a mão boa em um dos lados da caixa, o amputado vê o reflexo dela sobreposta sobre a localização da mão que está faltando. Assim, dois amputados assistiram suas mãos normais sendo espetadas, e ambos sentiram a notável sensação de também ter suas “mãos fantasmas” sendo espetadas. Em outro experimento, quando os amputados assistiram um voluntário tendo sua mão acariciada, eles também começaram a experimentar uma sensação de carícia nas suas mãos ausentes. Os amputados “sentem” as ações dos outros porque os seus membros desaparecidos não oferecem nenhum feedback sensorial para inibir parcialmente seus neurônios-espelho, ou seja, não podem dizer ao cérebro que não estão realmente sendo tocados.

Outra experiência também revelou que assistir um voluntário massagear a própria mão fez a dor do membro fantasma cessar por 10 a 15 minutos. “Se você fizer isso com freqüência suficiente talvez esta dor desapareça de vez”, sugere Ramachandran. “Massagear a pele alivia a sensação dolorosa ao restaurar a circulação do sangue e ativando as fibras sensoriais, que inibem mensagens de dor ao cérebro. Prestando atenção a uma outra pessoa massagear sua mão, estes amputados estão aparentemente ativando este último mecanismo”, diz o pesquisador.

Ramachandran diz que pode haver aplicações maiores do que ajudar amputados: “se executada cedo o bastante, este tipo de terapia pode também ser usada pra ajudar pacientes a recuperar seus movimentos, apenas prestando atenção a outra pessoa que execute tais movimentos perdidos”.

Fonte: New Scientist

SINESTESIA

Sinestesia é uma condição em que dois ou mais sentidos corporais estão acoplados ou interconectados (embora não haja provas de uma “conexão” real). A forma mais comum de sinestesia é aquela em que as pessoas “vêem” cores relacionadas com letras, números, palavras ou outros conceitos, como os dias da semana ou os meses.

Dr. Ramachandran
(Golimar, mar, mar…)

A primeira contribuição do Vilayanur Ramachandran (ainda ele) ao estudo da sinestesia foi, sem dúvida alguma, a demonstração de que era uma condição fisiológica real e não uma ilusão ou alucinação puramente psicológica. O que fez Ramachandran foi desenvolver uma prova similar à empregada para detectar a cegueira a cor ou daltonismo, na qual uma pessoa comum não encontraria certos patrões que se fariam rapidamente evidentes para alguém que tivesse realmente sinestesia. Em uma destas provas, apresenta-se um quadro no que há uma série de números “5” de traços quadrados dispostos ao acaso em um espaço em branco. Entre eles, algo que para um “não-sinesteta” é muito difícil de ver, há uma série de números “2” igualmente quadrados, imagens em espelho dos “5”, mas que formam um triângulo. Um verdadeiro sinesteta que vê cores nos números identifica de uma só olhada um triângulo de símbolos de certa cor em um espaço formado por símbolos de outra cor. Com esta e outras provas, Ramachandran demonstrou de uma vez por todas que havia um substrato física e neurologicamente real nos relatos de sinestesia, abrindo a porta ao estudo sério desta condição e o muito que pode nos ensinar com relação ao cérebro “comum” (para não chamá-lo “normal”). A partir desta demonstração, Ramachandran continuou, levando nos anos mais recentes o estudo da sinestesia a estudos de neuroimagens funcionais para aprender sobre as diferenças na ativação cerebral que têm os sinestetas e os não-sinestetas ao ver-se expostos aos mesmos estímulos.

A partir de seus estudos, o doutor Ramachandran sugeriu que muitas de nossas metáforas verbais são, de certo modo, “sinestésicas”. Assim, uma “cor gritante” em realidade não grita, mas evoca em nós a mesma sensação que um agudo alarido, enquanto que um “frio cortante” em realidade não corta, ou a inveja pode ser um “sentimento azedo”. Ramachandran considera que todos temos algum nível de sinestesia e que provavelmente a sinestesia é um componente fundamental de muitas formas artísticas, e que muitos artistas são – saibam-no ou não – sinestetas. Mais ainda, ele assinala: “Nossos estudos das bases neurobiológicas da sinestesia sugerem que a capacidade de realizar metáforas, de ver vínculos profundos entre coisas superficialmente distintas e sem relação entre si, proporcionam uma semente chave para o surgimento do idioma”.

Fonte: Ceticismo Aberto

(Veja também a parte 1)

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