A MOLA

Irei diminuir as notícias envolvendo espíritos nesse blog. Se a espiritualidade quisesse mesmo provar cientificamente que esse “mundo espiritual” existe, o teriam feito com muito mais competência na pessoa de Chico Xavier. Certa feita ele foi convidado por cientistas russos a morar lá, com tudo pago, onde seria estudado meticulosamente. Os Russos são ateus e rigorosíssimos em suas investigações, sem ter o rabo preso com ninguém. Uma comprovação dessas seria a glória do espiritismo científico! Mas Emmanuel (mentor espiritual dele) foi categórico: “Você pode ir, Chico. Eu não vou.”

Chico cumpriu seu papel de divulgador do espiritismo para aqueles que realmente se interessaram, os que fariam qualquer coisa (até mesmo vencer suas próprias inclinações negativas) por amor a alguém, seja um parente, ou uma esposa… Centenas, talvez milhares, abraçam os ideais cristãos ao terem a SUA confirmação pessoal da vida pós morte, através da carta manuscrita de um filho, ou da visita de um parente desencarnado (e não através de uma confirmação fria, científica e impessoal). A carga emocional contida em tais “revelações” é a mola propulsora para um conhecimento mais profundo dos ensinamentos de Jesus, que propicia uma reforma interior que, talvez, não seria conseguida de outro modo. É a mesma coisa das Igrejas que conquistam fiéis através das “graças obtidas”. É a mesma espiritualidade que está operando nos bastidores, como um pai que diz ao filho: “eu lhe dei um carro. Agora passe no vestibular”. Foi a mesma ferramenta que Jesus usou nos milagres e nos ensinamentos: “Eis que já estás são; não pequeis mais, para que não te suceda alguma coisa pior” (João 5:14) e “Nem eu também te condeno; vai-te, e não pequeis mais” (João 8:11).

Funciona? Funciona. O ideal seria que a humanidade prescindisse desse toma-cá-dá-lá, mas sabemos muito bem que não é assim que a banda toca. Até mesmo o budismo tem a sua oferta: “Quer libertar-se do sofrimento? Elimine o desejo. Seja verdadeiro consigo e com os outros, mantenha pensamentos corretos, etc.” Isso é o mesmo que Jesus disse (e Buda disse ANTES), com outras palavras. É muito raro não precisar de uma mola propulsora.

O Espiritismo (e toda a estrutura montada ao redor dele) é “apenas” um veículo para fazer as pessoas praticarem o que Jesus nos aconselhou a fazer há mais de 2.000 anos (o que já é uma tarefa Hérculea e digna de toda a minha admiração). A partir do momento em que o espiritismo virasse apenas uma ciência, a parte filosófica e doutrinária iria ser obscurecida e veríamos uma banalização no contato com os mortos (“Compre aqui uma filmadora com Ghost Shot, que capta fantasmas!” ou “Não seja vista nua no banheiro por espíritos safados: Compre já sua gaiola Faraday para banheiros!”) e não haveria motivo algum para as pessoas lerem O evangelho segundo o Espiritismo (assim como a imensa maioria das pessoas que não lêem a Bíblia), ou deixariam de procurar saber mais sobre esse mundo através dos romances espíritas, que são cheios de lições morais (causa e efeito, caridade, humildade) inseridas propositalmente nas falas dos personagens, para que a pessoa as assimile enquanto lê (ou você acha que uma pessoa fala normalmente pra outra em metáforas como “Não olvideis que o mérito não é patrimônio comum, embora seja a glória do cume, a desafiar todos os caminheiros da vida para a suprema elevação…” só porque morreu?), e não há a mínima obrigação da pessoa entrar na doutrina espírita (ela não é intrusiva, e não há “conversão”). É um veículo para algo muito mais nobre do que falar com mortos. Assim como este blog, que usa Matrix e outras coisas do cotidiano pra mostrar (e não impor) valores espirituais das mais diversas correntes de pensamento da humanidade a pessoas que normalmente nunca teriam contato com esse mundo (E TEM GENTE QUE NÃO PERCEBE e acha que é alguma nova religião baseada em Matrix, e que eu pretendo ser algum Neo com aspirações de libertar a humanidade que é controlada pelas MÁQUINAS(?)!!!!) Argh…

Se serei condenado por isso? Claro. Os espíritas não vão achar o blog doutrinário (e nem será), os crentes me detestarão porque falo de e com espíritos (demônios, na visão deles), os budistas não gostarão porque ainda considero o ego uma mola propulsora, e os Kaslusianos reclamam porque não botei o nome de Kaslu na citação do “patrulheiro espacial”. Não estou aqui pra agradar A ou B, estou sim expondo o que aprendi (na teoria e na prática) e pretendendo aprender ainda mais, com a colaboração dos leitores. Se não acham o conteúdo interessante, simplesmente NÃO ENTREM AQUI. Não ganho um tostão com as visitas das pessoas e vivia muito bem (e escrevendo todo dia) quando tinha apenas 15 visitantes diários. Não impeço (e até estimulo) as pessoas a externarem opiniões diferentes, desde que o façam com respeito e educação (coisinhas básicas que dizem MUITO sobre as pessoas). Não vou entrar em picuinhas nem em bate-bocas infantis que não levarão ninguém a lugar algum (se o cara diz que vai virar poeira cósmica ao morrer, só posso desejar boa sorte, embora meu conhecimento, que não tem base científica, mas sim histórica e empírica, diga o contrário!).

Todo mal, ainda que perdure milênios, é transitório.
Achamo-nos apenas em luta pela vitória imortal de Deus, contra a inferioridade do “eu” em nossas vidas.
Toda expressão de ignorância é fictícia.
Somente a sabedoria é eterna.

André Luiz / Chico Xavier; Obreiros da Vida Eterna
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