JUNG E A MEDIUNIDADE

O livro Jung e a mediunidade, de autoria de Djalma Argollo, se dedica a uma abordagem da vida de Jung a partir de um olhar espírita. Trata das experiências e opiniões de Jung no que diz respeito aos fenômenos mediúnicos, cuja ação sentiu em si em sua família, além de, em vários de seus pacientes – foram por ele estudada. É de suas experiências e opiniões, neste último campo, de que trata este livro. Aceitou ele a imortalidade da alma, a comunicação dos mortos e a reencarnação? Está à venda na Fundação Lar Harmonia, mas também pode ser lido gratuitamente em versão PDF.

“Folheando” a versão online vi uma historinha interessante, onde Jung narra sua estadia numa casa com fama de mal-assombrada. No quarto, ele ouvia vários ruídos e pingos de água caindo a um metro dele, embora não visse nada, e a casa não tivesse água corrente ou estivesse chovendo.

Outra é engraçada: Em plena crise psicológica, depois do rompimento com Freud, Jung resolveu entregar-se a um mergulho interior, ou, como ele diz, às suas “fantasias”. Acontece que tais fantasias se corporificaram. Primeiro se apresentaram como um casal, que se denominam Elias e Salomé. Salomé era uma mulher bonita, porém cega. Ambos demonstram independência e sabedoria, orientando e esclarecendo muitos problemas existenciais de Jung. Ele aproveita pra ficar “se analisando”, e os identifica como as figuras bíblicas tão conhecidas: “Naturalmente, tentei tornar plausível a aparição dos personagens bíblicos em minha fantasia, uma vez que meu pai fora pastor” (Jung, 1997, p. 161). Essa tentativa de racionalizar sua fantasia como recordações da infância soa um tanto quanto forçada, e o próprio Jung reconhece: “Mas isso não esclarecia coisa alguma” (Jung, 1997, p. 161).

Jung declarou, no final da sua vida, que o seu trabalho mais maduro durante toda a sua carreira cresceu com as experiências transpessoais que fez e relatou isto no seu livro Os Sete Sermões aos Mortos, publicado primeiramente em 1916. Neste livro Jung descreve a sua descoberta do mundo transpessoal quando rompeu as barreiras do estado de consciência comum, penetrando num mundo que ele nem sequer imaginava. Neste mundo ele encontrou uma entidade que lhe disse chamar-se Basilides. Basilides, perguntado por Jung, esclareceu-lhe que vivera em Alexandria, muitos séculos antes do nascimento do psicólogo. Basilides transmitiu a Jung o conhecimento do Pleroma, um conceito transpessoal que mais tarde influenciaria o psicólogo na descoberta do Inconsciente coletivo da humanidade:

“O Pleroma é, ao mesmo tempo, o princípio e o fim dos seres criados. Ele os penetra, como a luz do sol penetra em qualquer lugar, penetra o ar… Somos, entretanto, o próprio Pleroma porque somos parte do eterno e do infinito. Mesmo no seu ponto o mais insignificante o Pleroma não tem fim, é inteiro, desde que pequeno e grande são qualidades contidas nele. Ele é este nada o qual é tudo e é continuidade!”

Carl Jung

A segunda entidade encontrada por Jung no mundo transpessoal foi Philemon, que influenciou profundamente o seu trabalho. Philemon lhe aparecia como sendo uma “figura espiritual”. Jung atribuiu a Philemon muito do sucesso do seu trabalho e da sua obra.

Como curiosidade: Jung foi a primeira pessoa a conhecer e divulgar a cor azul do planeta Terra. Na sua autobiografia ele relata que, após um ataque do coração, teve uma experiência de quase-morte (obtendo, assim, uma expansão de consciência semelhante a uma saída fora do corpo) e constatou, deslumbrado, a coloração azul da Terra, o vermelho-amarelado do deserto do Saara e o verde-ferrugem dos continentes. Tudo isso em 1944, 17 anos antes do primeiro homem ir ao espaço!

Referência:
Jornal Infinito: A Natureza Transpessoal da Consiência;
Um Mundo Povoado de Espíritos

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