JESUS É DEUS?

Há confusão até hoje sobre se Jesus é Deus. Afinal, ele disse que era UM com Deus, depois trata Deus como pai, e também se denomina Filho do Homem (Adão). Afinal, quem era Jesus?

Pra quem vem acompanhando o blog, creio que esta dúvida, além de inócua (não acrescenta nada a esta figura que foi excepcional pelos seus ATOS e não pelos seus títulos) não existe para quem já possui uma visão dilatada o suficiente pra perceber que a vida não é claro/escuro, mas sim um imenso degradê, onde por vezes temos elementos de um dentro do outro, como no símbolo Yin / Yang. As relações espirituais não são “Deus ali e eu aqui” e nem mesmo entre as relações humanas podemos afirmar que seja “eu aqui e você ali”.

No livro O Consolador, de Emmanuel e Chico Xavier, vemos o seguinte:

Pergunta 283: Com referência a Jesus, como interpretar o sentido das palavras de João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade”?

R: Antes de tudo, precisamos compreender que Jesus não foi um filósofo e nem poderá ser classificado entre os valores propriamente humanos, tendo-se em conta os valores divinos da sua hierarquia espiritual, na direção das coletividades terrícolas. Enviado de Deus, Ele foi a representação do Pai junto do rebanho de filhos transviados do seu amor e da sua sabedoria, cuja tutela lhe foi confiada nas ordenações sagradas da vida no Infinito.

Assim como a pedra que vêm do espaço entra na atmosfera e se consome, transformando-se em luz e calor, Jesus veio à Terra para se deixar consumir, deixando no processo sua luz e calor para toda a humanidade.

Os Avatares são almas tão avançadas em seu entendimento que pode-se dizer que são o pensamento Divino manifestado, cristalino, sem tantas interferências do ego e da ignorância, como acontece conosco (sim, somos o pensamento Divino também!). Mas tal grau de pureza não se consegue do dia para a noite, nem de uma encarnação pra outra. É preciso a vivência nas escalas vibratórias (ou “dimensões”) mais adequadas àquela consciência específica. Sobre isso Mikhaël Aïvanhov nos fala:

Existe o hábito de separar o plano físico do plano espiritual, mas na verdade, não existe nenhuma separação. Não há interrupção entre os dois planos: se passa progressivamente do plano físico para o plano etérico, para o plano astral, mental, causal, búdico e átmico. Essa passagem acontece entre alguns centros e órgãos que se encontram no plano sutil, e que são uma espécie de prolongamento dos centros e órgãos físicos. Podemos considerar esses centros (o plexo solar, o centro hara, a aura, os chakras) como transformadores que permitem o homem viver harmoniosamente tanto no plano físico como no plano psíquico e espiritual, pois se passa continuamente de um para outro. Essa é, na realidade, a verdadeira alquimia espiritual: a transformação progressiva da matéria bruta em matéria fluida, etérica, espiritual e, inversamente, a difusão dessa matéria espiritual no corpo físico que é vivificado, animado e regenerado.

Omraam Mikhaël Aïvanhov

Em João 8 vemos como se dá o pensamento de um Avatar em relação a Deus (onde não há separação), infelizmente incompreendido pelas pessoas de sua época (acho até que incompreendido pela maioria até hoje):

Disse Jesus à multidão no Monte das Oliveiras: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida.
Perguntavam-lhe, pois, os judeus: Onde está teu pai?
Jesus: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai. Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. Mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele ouvi, isso falo ao mundo. Quando tiverdes levantado o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço de mim mesmo; mas como o Pai me ensinou, assim falo. E aquele que me enviou está comigo; não me tem deixado só; porque faço sempre o que é do seu agrado. Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Eu falo do que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que também ouvistes de vosso pai.
Judeus: Nosso pai é Abraão.
Jesus: Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão. Mas agora procurais matar-me, a mim que vos falei a verdade que de Deus ouvi; isso Abraão não fez. Vós fazeis as obras de vosso pai.
Judeus: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus.
Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí e vim de Deus; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra. Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus.
Judeus: Não dizemos com razão que és Samaritano, e que tens demônio?
Jesus: Eu não tenho demônio; antes honro a meu Pai, e vós me desonrais. Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e julgue. Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.
Judeus: Agora sabemos que tens demônios. Abraão morreu, e também os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte! Porventura és tu maior do que nosso pai Abraão, que morreu? Também os profetas morreram; quem pretendes tu ser?
Jesus: Se eu me glorificar a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, do qual vós dizeis que é o vosso Deus; e vós não o conheceis; mas eu o conheço; e se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós; mas eu o conheço, e guardo a sua palavra. Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia; viu-o, e alegrou-se.
Judeus: Ainda não tens cinquenta anos, e viste Abraão?
Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.
Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo.

Em uma entrevista para a Revista Espírita Allan Kardec, em dezembro de 2000, Divaldo Pereira Franco nos dá sua visão de Jesus:

Pergunta: O Espírito de Jesus alcançou a Sua evolução, sujeitando-se às mesmas Leis a que se sujeitaram os demais Espíritos? Há espiritualistas que afirmam que Jesus evoluiu em linha reta. Como entender essa afirmativa?
Divaldo: “Estudar Jesus e sua personalidade para defini-los em breves linhas parece-me uma ousadia sem limite a que não me atrevo. Podemos, no entanto, apresentar algumas considerações, dentro do espírito de liberdade de pensar. Acredito que todos os Espíritos foram criados em igualdade de condições, convidados a crescer de forma equivalente. Se Jesus evoluiu em linha reta é porque, certamente, as suas foram sempre opções corretas, não necessitando de re-aprender, reparar ou reencarnar, pelo menos, na Terra.

Acredito que Ele é o Guia Espiritual do Planeta, como bem acentua Leon Denis, e confesso que, para mim, a sua foi uma evolução em outra esfera que me escapa, porquanto ele o disse, e aceito-o sem discussão: “E antes que vós fosseis, Eu já era.” O certo é que, ao vir ter conosco, no mundo, ele já sintetizava a perfeição relativa que nos é dado contemplar, sendo, por isso mesmo, o Espírito mais perfeito que Deus ofereceu aos homens para servir-lhes de modelo e guia, conforme questão 625, de O Livro dos Espíritos.”

Pergunta: Por que o enorme contingente de pessoas que não aceitam a existência de Deus? Essa aceitação virá através das conquistas da Ciência ou da evolução do sentimento?
Divaldo: “Se considerarmos as propostas teológicas do passado, o Deus que nos era apresentado, não resistia à mínima investigação da lógica nem da cultura de cada época. Para o período medieval ele representava o absolutismo do poder dominante na ocasião, e assim, sucessivamente.

Hoje, diante da Física Quântica, da Biologia Molecular, da Astrofísica e de outras Ciências que devassam o macro e o microcosmo, a existência de Deus sai dos limites religiosos para os arquipélagos universais.

David Bhom, o grande físico quântico, dizia: “Acredito em uma Ordem Intrínseca, que gerou a ordem Extrínseca”. Interrogado que teria feito a Ordem Intrínseca, redarguiu: “Uma Ordem Super Intrínseca”… e assim por diante. Einstein afirmava: “… há no Universo um Poder Pensante e Atuante que independe dele”. Logo, as pessoas que negam a sua existência apenas reagem contra a apresentação tradicional, qual ocorreu com Voltaire, ao declarar, na Loja Maçônica Nove Irmãs, em Paris, ao receber o Grau 33: “Eu não creio no Deus que os homens fizeram, mas creio no Deus que fez os homens”, o que é bem diferente porque os homens O fizeram à própria imagem e semelhança…”

Acredito que a evolução / sabedoria será o resultado do conhecimento conjugado com o sentimento. Naquele momento, os que relutam em aceitar-Lhe a existência, curvar-se-ão nobremente ante ela e a adotarão.

Referência:
A harmonia entre a unicidade de Deus e a Divindade do Messias, para os judeus

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