O HINO A ÍSIS

Sábado último o mundo assistiu a um evento que só acontece uma vez na Vida: The Pharaoh’s Golden Parade (Desfile Dourado dos Faraós). 21 Faraós do Egito foram transportados do antigo Museu do Cairo para um novo, o Museu Nacional da Civilização Egípcia, na cidade de Fustat (agora Cairo).

Entre os 21 Faraós estavam Ramses II, um dos mais famosos, e a única Faraó mulher, Hatshepsut (que usava uma barba falsa pra poder passar por cima das tradições patriarcais da hierarquia real). As múmias viajaram por ordem de antiguidade: O primeiro foi Seqenenre Tao II, “o Bravo”, que reinou sobre o Sul do Egito em 1600 antes de Cristo. Ramses IX, que reinou no século 12 antes de Cristo, foi o último. Todos foram em carros individuais, que simulavam barcas e com o Sol Alado pintado ao lado. Um desfile de carruagens iguais a que os próprios Faraós usavam em batalhas abriu a Parada, e dezenas de vestais segurando luzes caminharam à frente dos primeiros 500 metros. Foram recebidos no novo Museu com uma salva de tiros de canhão, como qualquer autoridade que se preze.

Mas o ponto alto pra mim foi a música. Conduzida pelo mais importante maestro egípcio, Nader Abbassi, a Sinfonia que o compositor Hesham Nazeh criou envolveu mais de 100 músicos que usaram instrumentos de música clássica misturado a instrumentos tradicionais egípcios para criar uma sonoridade única. As músicas foram cantadas em árabe e na língua antiga egípcia. As letras foram baseadas no Livro dos Mortos (do Egito, claro), em textos nas Pirâmides e em hinos à Deusa Ísis. Professores de Arqueologia do Cairo ensinaram as pronúncias corretas às cantoras e ao coral, para garantir que as palavras saíssem perfeitas.

Enquanto assistia eu obviamente não sabia nada disso, e quando chegou numa certa música eu percebi que a língua havia mudado, e imaginei se seria egípcio antigo. E era. O que eu não sabia era que essa música, tocada com Harpas, Nai (flauta de bambu) e Rebab (uma espécie de berimbau) era um Hino à Deusa Ísis. Mas eu não precisava saber: Já estava todo arrepiado.

A música ficou na minha cabeça até agora, por isso resolvi pesquisá-la e fazer este post pra compartilhar com vocês.

Letra:

ramat ntru
‘ana baju
nats hunut waet
sanaj ‘ana ‘iist bgh ‘ana ‘iis jt af
sanaj ‘ana ‘iist ants hunawt amanat tawaa ‘am asybwaa
sanaj ‘ana ‘iist ayrt re wr husut ‘am sabat
sanaj ‘ana ‘iist radaa ns eat ‘ana nysw bitaa

Tradução (português):

Ó povo e deuses que estão na montanha
Ela é a única Dama
O medo de Aissa, pois ela dá à luz o dia
O prestígio de Aisa, ela é a Senhora do Oeste e das duas terras juntas
Laas é temida, pois ela é um grande olho de Rá nas províncias
O prestígio de Aisa, pois é ela quem dá muito ao Rei do Alto e Baixo Egito

Tradução (inglês):

O people and gods who are on the mountain
She is the only lady
The fear of Aissa, for she gives birth to the day
The prestige of Aisa, she is the lady of the West and the two lands together
Laas is feared, for she is a great eye of Ra in the provinces
Aisa’s prestige, for she is the one who gives a lot to the king of Upper and Lower Egypt

Hymn of the Might of Isis
Tradução e supervisão histórica: Dra. Maysara Abdullah Hussein
Performance de canto e ópera: Amira Selim
Melodias de: Hisham Nazih
Maestro: Nader Abbasi
Orquestra: Philharmonic Union orchestra and choir
Os participantes mais proeminentes:
Al-Tambani: Radwa Al-Buhairi
Flauta: Hani Al-Badri
Rababa: Ahmed Munib
Violino: Salma Sorour

O vídeo completo de todo o Desfile Dourado dos Faraós está aqui:

The Official Youtube channel of the Egyptian Presidency

O Desfile em si começa às 1h24m, mas antes tem uma apresentação do Governo do Egito sobre os monumentos históricos que eles restauraram, como a pirâmide mais antiga do mundo (a de Dsojer), uma Sinagoga, uma Igreja Católica, uma Ortodoxa e uma Mesquita. Claramente eles querem mostrar que estão deixando de lado qualquer radicalismo religioso e se abrindo ao mundo em termos de turismo.

Se quiserem saber mais sobre os Faraós e tumbas, recomendo Os Segredos de Tutancâmon (2018) e Vale dos Reis: Tesouros do Egito, na Disney Plus, e Os segredos de Saqqara, na Netflix. Esse último é simplesmente maravilhoso ao dar o devido ao dia-a-dia dos arqueólogos.

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