FINAL FANTASY 7: ADVENT CHILDREN

Advent Children é simplesmente o melhor filme já feito a partir de um game, porque dessa vez eles FINALMENTE seguiram a fórmula do ’em time que está ganhando não se mexe!’

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Capa do jogo do primeiro Final Fantasy, para NES

Final Fantasy é o nome de uma série de jogos pra videogames que iniciou-se em 1987 no Nintendo 8-bit. Foi criado pela Square, uma produtora de games que estava à beira da falência e resolveu apostar tudo neste último jogo (cujo nome já anunciava: A fantasia final). A aposta foi um sucesso. Na verdade, um dos maiores sucessos do mundo dos videogames (só perdendo pra Mario Bros) e que já possui 12 continuações, fora as séries paralelas (como a FF Tactics e FF Online) e merchandise de todo tipo. O tema de abertura é provavelmente o mais popular de um jogo de videogame (talvez empate com o de Streets of Rage) e concertos são realizados a céu aberto e em teatros no Japão e EUA, especialmente para tocar a trilha desses jogos.

Ironicamente, a série que tirou a Square da falência quase a leva à destruição, em 2001, quando ela investiu tudo no filme Final Fantasy: The Spirits Within. Quatro anos foram gastos e investimentos altíssimos em computadores e mão-de-obra não se pagaram devido ao fracasso do filme, que não encontrou abrigo entre os fãs da série nem com o público que vai ao cinema para comer pipoca (que achou o filme cabeça demais). Final Fantasy: The Spirits Within foi um marco tecnológico no cinema em termos de realismo da computação gráfica, mas sua história foi formatada para tentar agradar o público ocidental, o que acabou resultando em algo tão falso quanto um japonês tentando se passar por um inglês. A Square escapou novamente da falência lançando vários jogos “Final Fantasy caça-níquel” e juntando-se à produtora de jogos Enix.

Mas, desta vez a Square aprendeu a lição e resolveu pegar seus personagens mais cativantes e mais queridos pelos fãs de toda a série Final Fantasy (o jogo de nº 7) para fazer um curta-metragem em computação gráfica de 20 minutos. Ficou tão bom, e o projeto foi tão comentado pelos fãs que, antes mesmo de lançar a público, eles resolveram que deveriam fazer disso um longa de 100 minutos em computação gráfica com uma história mais complexa, que se passa 2 anos após o fim do jogo. Surgiu daí Final Fantasy VII: Advent Children.

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Graças ao filme-fracasso e à larga experiência aplicada nos filminhos de abertura, final e intervalo dos jogos pra Playstation 1 & 2, a Square pegou um know-how em computação gráfica que (até então) não podia ser superado nem pela Disney ou Pixar. Em vez de usar animadores dos EUA, como no filme anterior, aproveitaram todo o time japonês, a começar pelo diretor Tetsuya Nomura e o co-diretor Moto Sakakibara, que dirigiu os filminhos em CG de FF7 e FF8 e também co-dirigiu o primeiro longa Final Fantasy: The Spirits Within. O design dos personagens segue o do jogo, e a abordagem, dessa vez, foi usar personagens em CG que não pareçam tão reais assim, mantendo as características do traço japonês, como cabelos espetados e olhos grandes e coloridos.

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Cloud no jogo
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Cloud no filme

Já as roupas, as texturas, o cenário, tudo é assustadoramente REAL, não só do ponto de vista visual, como sonoro! Aliás, o som é algo que deve ser apreciado no máximo volume possível, com caixas de som surround, pois se beneficia da nova tecnologia THX pm3, especial para salas pequenas, o que talvez explique o porquê dos canais posteriores nunca terem sido tão bem usados num filme quanto foram nesse! Outra decisão acertada do time de criação foi subverter as leis da física nas lutas, no melhor estilo anime, com batalhas de tirar o fôlego (NÃO PISQUEM!). E, desta vez, temos uma narrativa tipicamente japonesa para contar a história, que é mais sombria, pessimista, não muito explicadinha. Afinal, quem precisa de Hollywood?

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Enfim, os caras mostraram ao mundo que dominam o que fazem! Acho que eles olharam pra Matrix 2 e 3 e disseram: “QUE M$R#@ é essa?! Podemos fazer melhor que isso!“. E fizeram… em algumas cenas, como a da auto-estrada, as comparações com Matrix Reloaded saltam aos olhos, principalmente pelo ESTILO e BELEZA da composição, aliadas ao RITMO e INTENSIDADE da ação, coisa que faltou miseravelmente em Matrix… é, Irmãos Wachowski… vocês ainda têm muito o que aprender com os japoneses…

Toques de saudosismo e bom-humor pontuam o filme, como o celular que toca a fanfarra de vitória – do jogo! – após uma luta, e os diálogos nonsense que os agentes da Shinra trocam entre si. Mas o que vai ficar mesmo na memória são o visual das cenas… cada uma delas é um show, um deleite visual que só o controle absoluto das cores e fotografia em computação gráfica poderia proporcionar. E a música, que FINALMENTE é de Nobuo Uematsu, um dos veteranos e mestres da composição nos games. O cara tem a habilidade de fazer músicas que ficam na memória por anos e parecem que foram feitas EXATAMENTE pra AQUELE personagem NAQUELA situação. Como na música “Divinity“, que ele fez pra batalha com o Bahamut, que possui um coral gótico que cria um clima de tensão e grandiosidade melhor do que a música que John Williams fez pra batalha com Darth Maul em Star Wars: Episódio I. E o que dizer da música “The promised land“, que toca em um momento de tristeza e alívio ao mesmo tempo?

A história envolve a filosofia sobre a vida, a morte e o perdão para si mesmo. Foi feita para os FÃS que já terminaram o jogo, e quem não conhece a história toda (como eu, que só terminei o primeiro CD) vai voar um pouco em algumas cenas. Mas não tira a beleza e a sensibilidade com que foi dirigida. Materialistas tenderão a ignorar as aparições de Aerith, encarando-as apenas como fruto da imaginação do personagem principal (Cloud), mas a certeza japonesa da vida após a morte e a interação com os “vivos” está muito bem retratada neste filme. As expressões faciais são incrivelmente realistas, assim como os olhos, que parecem ter vida própria!! A sutileza do rosto de Cloud na última cena me levou quase às lágrimas, pois apenas com essa expressão transmitia-se todo o desfecho psicológico da trama, que, apesar das lutas, nada mais é do que a busca de Cloud pelo próprio perdão.

Como eu sou bonzinho, vou dar de mão beijada a história para facilitar o entendimento de quem não jogou. Aliás, mesmo quem jogou não sabe ao certo da história que vem ANTES do jogo, portanto comecemos pelo início, beeeeeem no início:

FINAL FANTASY 7: A HISTÓRIA

Há 2.000 anos, Jenova chega à Terra. Ela é uma criatura do espaço, conhecida como a “Calamidade dos céus”, e impregna a Terra com um vírus que provoca mutação e posterior destruição. A tribo dos Cetra é quase dizimada, mas consegue deter Jenova, que fica congelada em hibernação, na Cratera Norte.

Dois mil anos se passam, e os humanos aprendem a usar a energia vital do Planeta Terra (Lifestream) como combustível (Mako). A Shinra Company, empresa responsável por essa extração na cidade de Midgar, acaba se tornando um Império ditatorial, dominando a política e a lei com a tropa de elite Soldiers, e com uma ramificação underground de espiões e assassinos, conhecidos como Turks.

50 anos depois, um cientista (Prof. Gast) encontra na Cratera Norte o corpo de Jenova, que ele acreditou ser de um antigo membro do Antigo povo Cetra. A Shinra financia um estudo para criar humanos com os poderes desse povo antigo. Vincent, um Turk, fica como responsável por ficar de olho nesse projeto. Após muitas tentativas frustradas, o Dr. Hojo decide injetar células de Jenova em uma mulher grávida, e daí nasce Sephiroth. A mãe morre com terríveis mutações, e Vincent se rebela contra esse tipo de experiências. Mas ele é dominado e vira cobaia também. Pouco depois nasce (de forma normal) a filha do Prof. Gast, Aerith. Ela desenvolve certos poderes, como a cura e a intuição aguçada.

16 anos depois, Sephiroth junta-se aos Soldiers e, mesmo jovem, já se torna uma lenda. Cloud e Tifa são de famílias simples, e crescem juntos, até que Tifa sofre um acidente e Cloud é responsabilizado por não tomar conta de Tifa. Ele então faz a si mesmo uma promessa de que irá se tornar tão forte quanto Sephiroth, e decide se juntar aos Soldiers. Só que ele falha nos testes, e se torna apenas um soldado raso. Envergonhado, se afasta da cidade e dos amigos. Faz amizade com Zack, um Soldier 1ª classe, que namora Aerith.

Cloud, Zack e Sephiroth são mandados para a cidade natal de Cloud, onde Sephiroth descobre os experimentos mal-sucedidos e descobre, através das anotações do Prof. Gast, sua verdadeira origem como um antigo Cetra. Sephirot fica megalomaníaco, e considera os humanos normais como traidores, que abandonaram os Cetras à sua própria sorte. Descobre o corpo de Jenova dentro de uma câmara, e se refere a ela como sua “Mãe” (ele não tem como saber que ela é a responsável pela destruição dos Cetra).

Sephiroth começa a destruir a cidade, mas é impedido por Cloud. Mata o pai de Tifa e tenta libertar Jenova, mas, ferido por Cloud, só consegue fugir levando consigo a cabeça dela. Sephiroth é dado como morto, então o Dr. Hojo resolve fazer novos clones de Sephiroth. Cloud e Zack são aprisionados pela Shinra e sujeitos às experiências com células Jenova.

Ferido, e apenas com a cabeça de Jenova, Sephiroth se esconde na Cratera Norte e lá absorve o conhecimento dos Antigos Cetras, planejando tornar-se um Deus. Isso inclui invocar um meteoro para colidir com a Terra e liberar todo o Lifestream em um único ponto, que será por ele absorvido. Ele aprende a controlar remotamente seus clones, enquanto permanece na Cratera. O projeto com os clones é então abandonado pelo Dr. Hojo.

Barret e Dyne trabalham na cidade de Corel, numa companhia de fornecimento de energia. Shinra – que quer instalar um reator de Mako na cidade – sabota a fábrica deles com uma bomba, que mata Dyne, a esposa dele e a de Barret. A filha de Dyne, Marlene, sobrevive e é adotada por Barret, que se muda para Midgar.

Barret perdeu o braço no atentado, que foi então substituído por uma arma. Jurando vingança contra a Shinra, cria, juntamente com Tifa, um grupo eco-terrorista chamado AVALANCHE, especializado em destruir os reatores Shinra de Midgar.

Zack e Cloud conseguem escapar das garras da Shinra. Cloud está praticamente catatônico por causa dos experimentos, então Zack veste em Cloud uma roupa de Soldier e passa a lhe contar toda a sua experiência neste grupo de elite. Por causa do estado alterado em que Cloud se encontrava, isso causa nele uma espécie de dupla personalidade, que vai lhe acompanhar pelo resto da vida. O grupo de agentes especiais da Shinra (os Turks) descobre o paradeiro deles e atira em Zack, matando-o. Cloud é poupado, pois não é considerado uma ameaça (afinal, não era um Soldier). Cloud pega a espada de Zack e ruma para a estação de trem de Midgar, onde reencontra Tifa, e – devido a confusão de memória – diz a ela que ele é um ex-Soldier que agora é um mercenário. Então Tifa resolve contratatá-lo para o grupo AVALANCHE.

E aí começa a história do JOGO… UFA, é muita coisa… bem-vindo ao universo dos RPGs japoneses. Uma parte dessa história saiu no Anime Final Fantasy 7: Last Order, que foi feito pela Mad House, a mesma que fez o Anime Street Fighter Victory.

Vou fazer um resumo do jogo só com os pontos relevantes para o entendimento do filme:

Sephiroth mata o atual presidente da Companhia Shinra, então o filho, Rufus, assume. Lá pelo fim do jogo ele é dado como morto, após uma série de explosões que destroem Midgar. Sephiroth mata Aerith bem na frente de Cloud, que fica traumatizado. Cloud consegue destruir Sephiroth na batalha final. O meteoro que Sephiroth conseguiu invocar está para cair na Terra, como é mostrado no começo do filme, mas é impedido pelo Lifestream e por Aerith.

500 anos depois aparece o felino vermelho (Nanaki, um dos personagens do jogo) correndo e olhando para Midgar, abandonada e cercada de flores. Este é o fim do jogo, e o começo do filme.

Atualização:
Em 2009 foi lançado Final Fantasy VII: Advent Children Complete, que é a versão definitiva do filme produzido em 2005. Agora com aproximadamente 30 minutos de cenas inéditas e animação mais detalhada.

Referência:
Toda a história do jogo;
Making of do filme

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