FELICIDADE EM SUAS ASAS

Quando o céu é tão aventurado, e as flores tão luminosas, não parece ser possível que os anjos de luz deste dia possam passar à escuridão da noite;
que lentamente essas asas devam se fechar, e o cuco se colocar para dormir.
Insetos enlouquecidos dançam junto à tardinha, a grama se arrepia com o orvalho, o vento morre, e nenhum pássaro canta…

2001 Uma Odisséia no espaço

Ainda assim, acontece. O dia se foi – o som e o glamoroso farfalhar de asas. Lentamente, o milagre do dia passou.

Essa serenidade da noite!
O que poderia parecer menos provável de prosseguir, e se metamorfosear novamente no dia?
Certamente agora o mundo encontrou o seu sono eterno;
e o brilho da pérola da Lua irá perdurar, e este precioso silêncio nunca mais irá renunciar ao seu reinado…

E ainda assim, não é o que ocorre. O milagre noturno se passou. É manhã. Uma luz pálida desponta no horizonte…

O dia chegou novamente. Mas sua face parece um pouco estranha, não mais como fora ontem.

Estranho de se pensar, nenhum dia é como o dia que se foi e nenhuma noite como a noite que virá!

Por que, então, temer a morte, que é noite e nada mais?

Por que se preocupar, se o dia que virá trará uma nova face e um novo espírito?

O sol iluminou o campo de botões-de-ouro agora, o vento acariciou os limoeiros. Alguma coisa passou sobre mim, ali em cima.

É a Felicidade em suas asas!


Trechos do poema Felicity (1912), de John Galsworthy (escritor inglês vencedor do Nobel de Literatura de 1932). A íntegra pode ser lida aqui, e para ouvir este poema e saber mais sobre o autor, verifique este vídeo do canal Textos para Reflexão:

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