CONTEMPLAR O SOL

Mulher olhando para o Sol
Renaissance – Carpet of the Sun

O Sol e a Lua iluminam os nossos corpos; também Cristo e a Igreja iluminam os nossos espíritos. Isto é, iluminam-nos se nós não formos cegos espirituais. Porque, do mesmo modo que o Sol e a Lua não deixam de derramar a sua claridade sobre os cegos que, contudo, não podem acolher a luz, também Cristo envia a sua luz aos nossos espíritos. Mas esta iluminação só tem lugar se a nossa cegueira não lhe puser obstáculos. Por isso, que os cegos comecem por seguir a Cristo gritando: “Tem piedade de nós, Filho de David!” (Mt 9,27) e, quando tiverem recuperado a vista graças a Ele, poderão ser irradiados pelo esplendor da luz. Mas nem todos os que vêem são iluminados de igual forma por Cristo; cada um é-o na medida em que pode receber a luz (cf Lc 23,8 s) Não é da mesma maneira que todos vamos a Ele, mas “cada um irá segundo as suas próprias possibilidades (Mt 25,15).

Orígenes, presbítero e teólogo

“Não te prendas às suspeitas nem às pessoas que te levam a escandalizares-te com certas coisas. Porque aqueles que, de uma forma ou de outra, se escandalizam com as coisas que lhes acontecem, quer as tenham querido quer não, ignoram o caminho da paz que, pelo amor, leva ao conhecimento de Deus os que dela se enamoram.
Não tem ainda o perfeito amor aquele que é ainda afetado pelo temperamento dos outros, que, por exemplo, ama uns e detesta outros ou que umas vezes ama e outras detesta a mesma pessoa pelas mesmas razões. O perfeito amor não despedaça a única e mesma natureza dos homens só porque eles têm temperamentos diferentes mas, tendo em consideração essa natureza, ama de igual forma todos os homens. Ama os virtuosos como amigos e os maus, embora sejam inimigos, fazendo-lhes bem, suportando-os com paciência, aceitando o que vem deles, não tomando em consideração a malícia, chegando mesmo a sofrer por eles se se oferecer uma ocasião. Assim, fará deles amigos, se tal for possível. Pelo menos, será fiel a si mesmo; mostra sempre os seus frutos a todos os homens, de igual modo. O Nosso Deus e Senhor Jesus Cristo, mostrando o amor que tem por nós, sofreu pela humanidade inteira e deu a esperança da ressurreição a todos de igual forma, embora cada um, com as suas obras, atraia sobre si a glória ou o castigo.”

São Máximo, o Confessor – monge e teólogo; Centúria 1 sobre o amor, na Filocalia
Sol e Lua

Com a prática dos mandamentos a mente despoja-se das paixões; com a contemplação espiritual das coisas visíveis desprende-se das idéias passionais das coisas; com o conhecimento das coisas invisíveis despoja-se da contemplação das coisas visíveis; e, por fim, com a contemplação da Santíssima Trindade desprende-se das coisas invisíveis. Assim como o Sol, ao surgir e iluminar o mundo, se mostra a si mesmo e mostra as coisas iluminadas por ele, assim o Sol de justiça, ao surgir na mente pura, se mostra a Si mesmo e mostra os princípios de todas as coisas que foram e serão feitas por Ele.

São Máximo, o Confessor

Há um filme (ou documentário?) cujo nome não lembro, em que uma mulher apaixonada pela Lua diz que só se casa com seu pretendente se ele a fizesse pisar na Lua. Ele consegue, através de um espelho d’água, fazendo ela pisar no reflexo da Lua. Achei essa criatividade e mudança de paradigma o máximo, e me lembrei disso quando li o texto acima (enviado e comentado por Solius). Acredito que este é o papel da Religião: nos fazer VER, progressivamente, até que possamos contemplar o “Sol” em toda a sua glória.

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