CÓDIGOS

É muito difícil não ser dicotômico em alguns posts. Afinal, como explicar o não-dual utilizando-se de ferramentas duais? (afinal, nós precisamos de exemplos práticos, e vivemos todos num mundo dual!) Deixo isso para os koans do Zen Budismo.

Mas posso fazer um paralelo com as máquinas, afinal o filme The Matrix clareou bastante as mentes das pessoas sobre a possibilidade de tudo o que vemos ser uma ilusão. Principalmente a abertura de The Matrix Reloaded, que nos mostra um intrincado sistema de códigos interagindo com a perfeição de um relógio (e não por acaso formando um).

Peguemos o seu computador. Tudo o que você vê na tela (e o que você não vê, que é o processamento que permite que você veja todo esse colorido no seu monitor) foi formado com códigos binários (1 e 0). Que são esses uns e zeros? Números? Não. Estados. 1 simboliza “Ligado” ou seja, energia passando para o processador. 0 é “desligado”. A não-energia. Só que a não-energia nesse contexto é equivalente a ação. Não fosse o 0, não haveria o 1. A velocidade e o intervalo em que a energia passa e não-passa (Ritmo) é o que define TUDO no mundo da computação.

Pra escrever um simples A você apenas aperta o botão do seu teclado. Mas o que acontece do “outro lado” é que você mandou um código binário (uma combinação de 0s e 1s que no caso do A é exatamente 01000001) e isso vai pra CPU (que é o processador principal que coordena todos os trabalhos da máquina, equivalente a grosso modo ao “Mainframe” de Matrix Reloaded), que por sua vez possui os milhares de códigos que formam o sistema operacional (Windows ou Linux) na sua memória RAM e, baseado nisso, faz a interpretação dos sinais. Mas não terminou! Ele computou que você digitou um A, mas você ainda não sabe disso (não apareceu na tela). Então a CPU diz ao processador da placa de vídeo (através de mais códigos, ainda mais extensos: mas sempre 0s e 1s) que deve exibir um A no tamanho tal, na fonte tal, na posição tal. Então o processador de vídeo pega em sua própria memória as informações de COMO é o seu A (mais um bocado de códigos binários pra definir como é visualmente um A naquela fonte, tamanho, e tal) e envia pro monitor a tela toda pronta, convertida em sinais analógicos, para que haja a manipulação dos fótons do monitor que vai possibilitar que se desenhe a letra A. A coisa é ainda mais complexa, mas para nós já está bom.

Trabalhoso, não? Chato, talvez. Mas acontece em milésimos de segundo. O tempo todo. Com perfeição.

Finalmente chegamos na parte da dualidade. Bem e mal. Agir e não-agir. Agora entendem como pro Karma não existe essa separação? O não-agir também é ação. Luz ou trevas, ligado ou desligado, tudo desencadeia movimento, e o movimento é evolução. Só que essa separação existe pra NÓS, que sofremos sua ação. Estamos vendo o A. Ele não existe de fato, é resultado de um mero código 01000001 digitado há alguns milissegundos, mas ele “cresceu” e virou um A. E ele não vai sair dali simplesmente porque você diz que ele não existe. É o SEU A. Faça algo com ele. Termine o que começou. Faça um palavrão ou uma poesia, a escolha é sua. Ou mesmo delete-o. Ainda assim vai precisar de uma ação (mais uma tecla pressionada, mais códigos gerados).

Somos todos códigos de luz e trevas interagindo com outros códigos o tempo todo. Alegria é evolução, e sofrimento TAMBÉM é evolução. Porque no fundo não existe nem alegria nem sofrimento: apenas um sistema operacional (a nossa mente) interpretando todos esses códigos.

Por isso que eu procuro falar uma linguagem intermediária entre o Windows e o Linux aqui no blog. É difícil. Não sou bom em assembly e por isso o sistema de comentários está sempre aberto a quem quiser ACRESCENTAR ao blog.

Não é à toa que o Windows é o sistema preferido da maioria, mesmo com todos os defeitos (e são muitos). Se eu falasse somente Linux, que é reconhecidamente melhor, provavelmente teria um clube bastante seleto de “hackers esotéricos”, uma nova Cabalá para iniciados. Uma re-encriptação de códigos. Não é nada disso que eu quero. E mais: de que adianta aprender a balbuciar a língua do Criador quando mal sabemos falar a língua do amor, tão próxima e ao mesmo tempo tão distante de nós?

Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.

Paulo de Tarso; I Corintios 14:14-15
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