TAO: SOBRE A JUSTIÇA

Lao Tsé; Tao Te Ching verso 49 – A SUPREMA BENEVOLÊNCIA

O Sábio não tem coração próprio, pois ele abarca também os corações dos demais.
Ele é bom para com os bons e é igualmente bom para os que não o são.
Porque assim é a verdadeira Bondade.
É sincero com os sinceros e é sincero com os falsos.
Porque assim é a Verdadeira Lealdade.
Por isso, na sua simplicidade, o Sábio permanece em paz.
Seu coração é equânime para com todos, e o povo volta para ele seus olhos e ouvidos.
E ele os considera como uma mãe a seus próprios filhos.
Tao Te King – Trad. Albe Pavese (Ed. Madras)

Lao Tsé; Tao Te Ching verso 27 – O CAMINHO SEM RASTROS

O Bom caminhante não deixa rastros.
O Bom orador não ofende ninguém.
O Bom contador não precisa de um ábaco.
O Bom guardião não precisa de fechaduras nem chaves.
Entretanto, é impossível abrir o que ele fechou.
Quem sabe amarrar não precisa de cordas nem de fitas.
No entanto, é impossível desatar o que ele atou.
Por isto o Sábio sempre está disposto a ajudar os homens,
e não encontra motivos para rejeitar ninguém.
Está sempre disposto a consertar as coisas,
por isso não rejeita nenhuma.
Isto é “viver na lucidez”.
Assim, o homem de bem é Mestre do homem de não-bem (mal),
e o mal (não-bem) é a prova do homem de bem.
Quem não honra seus Mestres nem ama suas provas,
por mais instruído que seja,
está no caminho errado.
Nisto consiste o Segredo do Essencial.
Tao Te King – Trad. Albe Pavese (Ed. Madras)

Comentários de Huberto Rohden:
Quando o homem se realiza a si mesmo, todas as coisas fora dele são realizadas. Quem em primeiro lugar busca o reino de Deus e sua harmonia, verá que todas as outras coisas lhe serão dadas de acréscimo.
O alicerce do fazer-bem está em ser-bom. Ser-bom é estar em harmonia com o Infinito, com a alma do Universo, e viver de acordo com essa consciência.

Diálogo tirado da série Kung Fu, com David Carradine:
– Esse homem traiu-me e no entanto o mestre alimenta-o e veste-o.
– E tu não aprovas?
– Diz-se que ele fez um voto, como qualquer um de nós, de nunca revelar os nossos segredos. Diz-se que quando nos deixou, ensinou os camponeses a serem soldados e que os conduziu para a morte, numa rebelião.
– Estou consciente das suas desventuras. E estou igualmente consciente da sua fome e frio.
– Mas mestre, a comida e as roupas novas não o farão recuperar as forças, para partir novamente e continuar a causar sofrimento?
– Podem fazer. Mas, quando ele nos deixar, pela manhã, será que lhe faltará a terra debaixo dos pés? O sol que brilha em todo o lado esconderá dele a sua luz e calor? Transformar-se-á a água em lama quando ele a for beber?
– Se o sol, a terra e a água se abstêm de o julgar, quem sou eu para lhe recusar um cobertor e uma taça de arroz?

Ouvistes que foi dito: “Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo”. Eu, porém, vos digo: “Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos”.

Mateus 5:43-45
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