O JUNCO E O CIPRESTE

Por D. Guillermo Gana

Ao Lúgubre cipreste em voz plangente
O junco melancólico dizia:
— Que triste sorte a minha!
Ergui-me tão alegre e tão contente
Quando a alvorada vinha!
E já sem força e já sem energia
Curvo a cabeça… E lânguido e sozinho
Sinto que vou morrer. Ah! por que a sorte
Dando-te vida, só me guarda morte?

E o cipreste dizia:
A dor foi sempre eterna,
Mas a fortuna só perdura um dia!

E o junco respondia:
Em ti simbolizaram a tristeza,
Em mim somente o anelo
Dos que no amor esperam.
Como é que nunca dobras a cabeça,
Nem a raiva das chuvas e dos ventos
A cor sequer te alteram?

Daqueles que de tudo desesperam
Para lembrar a lúgubre aflição,
Só existe uma cor, disse o cipreste…
E se jamais tu viste
Curvar minha folhagem para o chão…
É que desprezo o mundo baixo e triste
E mergulho a cabeça n’amplidão.


Por outro lado, o Tai Chi Chuan mostra a superioridade do suave sobre o rígido. Conta-se que um carvalho ridicularizava o junco. Logo veio uma violenta tempestade e o carvalho foi abatido. O junco, com sua flexibilidade, curvou-se para a tempestade e, no dia seguinte, apresentava-se como se nada tivesse acontecido. O destino do rígido e inflexível é quebrar.

É por isso que o bambu também é admirado, simbolizando o vazio e a retidão. O bambu é flexível, apesar de forte; ele reverencia o vento que o toca com música, ele se dobra às tempestades, mostrando-nos que quanto menos um ser se opuser à realidade da vida, mais resistente se tornará para vivê-la em sua plenitude. Não é um escapismo, haja vista que o bambu praticamente não sai do seu lugar, mas um contorno inteligente da situação de modo que nem o bambu nem o vento saiam prejudicados.

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