SHOPPING PARA CEGOS

Enquanto comia no Shopping Center Recife me questionei do porque não vermos deficientes visuais andando por ali. Afinal, será que eles não precisam comprar coisas? Mas tive de reconhecer que um Shopping não é um ambiente lá muito apropriado a um cego, pois é barulhento, não há indicações táteis de nada (até visualmente é tudo muito parecido) e não há a menor vontade, do ponto de vista do design (pelo menos por parte do Shopping Recife) de acolher pessoas com essa deficiência em seus corredores.

Pensei por exatamente um minuto na questão e me veio na cabeça uma idéia prontinha, relativamente fácil de ser implementada (basta realmente QUERER), utilizando tecnologia já existente:

Primeiro, adapta-se a tecnologia de um MP3 player (como um Ipod) a um GPS, somando-se a isso um software que analise o tempo todo a leitura GPS e toque certos arquivos de som no momento certo. Explicarei melhor:

GPS é uma tecnologia desenvolvida pelo exército norte-americano que, através de vários satélites ao redor da Terra, faz uma triangulação e determina a exata posição de uma pessoa no planeta (coordenadas x e y). Hoje em dia essa tecnologia é bastante difundida e pode ser encontrada em relógios, celulares, bússolas, etc. Talvez o GPS não seja a tecnologia mais adequada a esse caso em particular, pois as toneladas de concreto do Shopping podem interferir no sinal, ou sair muito caro à longo prazo, mas a idéia é ter dispositivos que façam uma triangulação e indiquem uma posição exata dentro do Shopping, o que pode ser conseguido por ondas de rádio, som, possivelmente também com Bluetooth e Wi-Fi. Não sou engenheiro, sou designer, não preciso me estressar com esses detalhes!

O aparelhinho teria um processador que interpretaria esses sinais várias vezes por segundo, e determinaria assim se a pessoa está se deslocando pra frente, pra trás, na diagonal, e daria até um palpite dizendo pra que lado ela estará voltada ao parar.

Na entrada do Shopping cada deficiente visual recebe o aparelhinho, que vai ser colocado nos ouvidos como um walkman qualquer. Ao andar, o aparelho reconhece a posição e uma voz (daquelas de aeroporto) pré-gravada e armazenada na memória do aparelho fala o nome da loja que está ao lado dele (quando num corredor duplo, como no diagrama). Se ele tentar atravessar para o corredor do outro lado, o aparelho informa se há algum obstáculo à frente (em vermelho), e, ao passar por aqueles banquinhos que todo shopping tem, ele será informado. Como já disse, ao passar em frente a uma loja, ele será informado do nome dela e da sua função (ex: Lojas Americanas, variedades; Saraiva, livraria, etc). Em frente à loja, ele poderá apertar um botão e obterá uma descrição mais detalhada da loja (Lojas Americanas: Cama, mesa e banho, chocolates, blá blá blá). O aparelho ainda terá um botão de emergência, para enviar a localização da pessoa aos funcionários do Shopping (vai que ela se acidenta, ou o Shopping pega fogo!).

O custo do aparelho poderia ser dividido com as lojas, e algumas que pagarem mais poderiam incluir anúncios de promoções, tocar uma certa música de um CD que a gravadora queira promover ao se aproximar de tal loja, enfim, as possibilidades são limitadas tão somente pela imaginação e até mesmo pessoas não-cegas poderiam usar o aparelho pra fazer um tour pelo Shopping, como idosos e deficientes físicos, que não têm a facilidade de sair entrando em cada loja pra saber o que tem de interessante.

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